O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial diante do agravamento de sua situação financeira e de uma dívida total declarada de R$ 17,3 bilhões. A medida foi aprovada pelo Conselho de Administração no domingo (16) e protocolada na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, com o objetivo de reorganizar as obrigações financeiras e preservar as operações da companhia.
Em meio ao pedido de recuperação judicial, o Grupo Casas Bahia anunciou ainda que o diretor jurídico, Fábio Spina, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (17). Além do diretor jurídico, a companhia informou que os membros do Conselho de Administração Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres pediram renúncia.
Dívidas e subsidiárias envolvidas
O processo envolve dez empresas do conglomerado, incluindo o Grupo Casas Bahia e nove subsidiárias. Entre as operações vinculadas ao grupo estão as marcas Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e a fabricante de móveis Bartira. Do passivo informado à Justiça, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários, enquanto aproximadamente R$ 754 milhões são referentes a obrigações trabalhistas e R$ 154 milhões a pequenas empresas.
Em comunicado ao mercado, a companhia atribuiu a decisão à deterioração das condições econômico-financeiras, em um cenário de juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro. O grupo também apontou que alternativas de liquidez que estavam sendo estruturadas não se concretizaram.
Prejuízo e reestruturação
A recuperação judicial ocorre logo após a divulgação de um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado foi fortemente influenciado por R$ 9,1 bilhões em efeitos contábeis não recorrentes, sem impacto imediato no caixa. Excluídos esses efeitos, a perda ajustada ficou em R$ 978 milhões, contra prejuízo de R$ 555 milhões no mesmo período de 2025.
A crise já provocou uma ampla redução da estrutura da varejista. Dentro do processo de reestruturação, 298 lojas foram fechadas no país, o equivalente a cerca de 29% da rede, além de milhares de desligamentos. A estratégia busca concentrar a atuação em unidades e negócios considerados mais rentáveis e reduzir despesas.
Histórico e próximos passos
Esta não é a primeira tentativa recente do Grupo Casas Bahia de reorganizar suas dívidas. Em 2024, a companhia passou por uma recuperação extrajudicial que envolveu aproximadamente R$ 4,1 bilhões. Diferentemente daquele procedimento, negociado previamente com determinados credores, a recuperação judicial atual ocorre sob supervisão do Judiciário.
Apesar do pedido, a empresa informou que pretende manter normalmente as atividades, incluindo lojas físicas, comércio eletrônico e serviços. A recuperação judicial é um instrumento previsto em lei para permitir que empresas em dificuldades renegociem obrigações com credores enquanto tentam preservar a atividade econômica e evitar a falência.
Entre as medidas emergenciais solicitadas estão a suspensão, por 180 dias, de execuções e vencimentos contratuais sujeitos ao processo. A companhia também busca impedir medidas de credores capazes de comprometer recursos necessários ao funcionamento cotidiano do negócio.
O Conselho de Administração aprovou o ajuizamento em caráter de urgência, com aval do acionista controlador. Uma Assembleia Geral Extraordinária deverá ser convocada para que os acionistas ratifiquem a decisão. Agora, caberá à Justiça analisar o pedido e, caso o processamento seja deferido, será aberto o caminho para apresentação e negociação do plano de recuperação com os credores.
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