Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

Gosto & Tom 

Por Advaldo Castro 

FAIXA PRINIPAL

Trilhos: o jazz global e afetivo de Gileno Foinquinos. 

Lançado em agosto de 2026, TRILHOS, o novo trabalho do guitarrista Gileno Foinquinos, guarda histórias e camadas que vão muito além de um lançamento recente. Embora chegue agora às plataformas, o EP foi gravado no Origem Estúdio, em São Paulo, em 2022 — momento em que o músico vivia um mergulho profundo no desejo de expor suas influências globais.  

Há tempos entoando sua aldeia (em álbuns solo ou em parcerias marcantes, como nos projetos Cacique Muaná e Cacique Camutá, ao lado de Adelbert Carneiro), neste Gileno escancara toda a sua verve jazzística com sofisticação e fluidez. 

A faixa-título, “Trilhos”, carrega uma raridade: trata-se de um tema composto quando o instrumentista tinha apenas 18 anos. Fortemente influenciada por mestres como Wayne Shorter e Miles Davis — como o próprio confidenciou —, a faixa é uma balada em três tempos para escutar como quem contempla uma tela de Van Gogh.  

O título “Trilhos” sugere condução, movimento e conexões. É um disco sobre caminhos percorridos. O disco destaca o diálogo afinado entre timbres limpos, quentes e articulados da semiacústica com frases ágeis, cheias de sincopas e dinâmicas marcantes. 

A explosiva “Sonny Funk”, faixa que fecha o álbum em uma homenagem explícita ao sax tenor de Sonny Rollins, combinando groove e virtuosismo, entrega forte fusão ao jazz-funk. 

Mas TRILHOS é também um disco de afetos profundos. “Do Seu Lado” é um dos momentos mais comoventes do repertório, nascido de uma dedicatória especial ao seu pai, homem que sempre esteve ao lado do filho. Como o próprio Gileno nos contou em entrevista ao Jam-bu Podcast, o apego à família era tamanho que, mesmo na fase adulta, por vezes dormia “costela com costela” com o pai na rede e compunha suas melodias ao seu lado — origem direta do título. A guitarra dessa faixa, melódica, cantada e com vibrato expansivo, lembrou-me de uma boa canção de ninar à rede!  

A sonoridade encorpada e orgânica do álbum se deve também ao sexteto de peso reunido em estúdio: Ary Holand (piano), Nilton Leonarde (baixo), Jabes Felipe (bateria), Márcio Negri (sax) e Reynaldo Izzepi (trompete). Vale destacar que Gileno, Ary e Márcio integraram a icônica banda do trombonista Bocato, gravando em 2009 o aclamado disco Hidrogênio — entrosamento que transborda em cada compasso de TRILHOS. 

Entre as minhas preferidas, “Partido Bom” se coloca rapidamente como uma das melhores do EP. Nela, Gileno exibe a sutileza dos guitarristas de jazz aliada ao balanço inconfundível da música brasileira. O ataque, a perspicácia e a inteligência na escolha das notas lembram diretamente a elegância de Hélio Delmiro, o qual era mestre em pegar o ritmo do samba e traduzir para a guitarra com acordes cheios, inversões complexas e fraseado em rajada de notas pontuadas e extremamente sincopadas. A forma como Gileno “morde” as cordas para fazer a base do partido alto lembra diretamente o trabalho de Delmiro. 

Dá gosto ouvir Gileno Foinquinos tocar. Em meio a um cenário musical saturado de pirotecnias coreográficas e fórmulas vazias, as notas que ressoam de sua guitarra chegam como verdadeira poesia sonora para os ouvidos contemporâneos. 

GIRO ULTURAL

  • Teatro

Belém entrou mesmo (ainda bem!) na rota dos musicais! Rita Lee, Fafá de Belém, Paralamas do Sucesso são alguns destes. Djavan estará em cartaz este mês em São Luís, virá para cá? Ainda não sabemos, mas já está aqui do lado, para cá é só um pulo. O do Walter Bandeira, de Iracy Vaz, em 2019, foi um sucesso. Merecia uma remontagem. 

***

Sexta-feira, 04, Olivar Barreto apresenta no teatro do SESI, às 20h, o show Esse Ruy é minha rua. O CD de mesmo nome só com canções de Ruy, não só em parceria com o filho, Paulo André Barata, mas com Kzam Gama, Galdino Penna, De Campos Ribeiro, Edyr Proença J.J. Paes Loureiro e Saint-Clair do baixo é sensacional. Portanto, vale muito ir ao teatro nesta sexta conferir esta justíssima homenagem a um de nosso maiores poetas.

***

  • Audiovisual

Hoje é dia de um dos patrimônios culturais do Brasil. Se vivo, o compositor Aldir Blanc, um exímio cronista do dia a dia, completaria 80 anos. Como dizia Dorival Caymmi, Aldir é “ourives do palavreado”. Viva Aldir!! O documentário de Marcus Fernando e Hugo Sukman, “Aldir Blanc – Resposta ao tempo” estreará na 28ª edição do Festival do Rio. Neste mesmo festival, a ocorrer de 1º a 11 de outubro, serão exibidos documentários sobre outros grandes da MPB: Ney Matogrosso, Belchior e Elza Soares.

Fonte das imagens: spotify e cartaz do documentário reproduzido para divulgação.

O post Gosto & Tom  apareceu primeiro em Diário do Pará.

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook
Threads