Quase 50 anos de história vão muito além de uma pista de dança, shows e noites movimentadas. A mais tradicional e famosa casa de entretenimento adulto de Belém, acumula histórias que ajudam a entender como o espaço que funciona 24h/dia se tornou conhecido na capital paraense e chegou até os dias atuais, desafiando crises, pandemia e outras dificuldades comuns a quem tem um comércio.
Fundada em 1977 pelos irmãos Walter e Waldir, a casa nasceu de uma ideia que, segundo Walter Silva, não parecia ter a dimensão que alcançaria. Hoje, com 49 e às vésperas de completar 50 anos, o empresário ainda se surpreende com a longevidade do negócio.
“Eu não sei nem como chegou esse tempo. Então, para nós, para mim principalmente, foi um cochilo: 49 anos. Acorda, dorme, acorda, dorme, o tempo passa, né?”,
conta Walter.
Conhecida também pelo apelido de “Trem da Alegria”, a Locomotiva atravessou diferentes momentos da noite de Belém, reunindo gerações de frequentadores e até recebendo visitantes de outros países.
Conheça agora as 7 curiosidades sobre a Locomotiva:
1. A Locomotiva não nasceu como um grande negócio.
A história começou entre os irmãos Walter e Waldir, a chamada “Dupla Ouro e Prata”. Segundo Walter, a ideia inicial era simples e só ganhou outra dimensão depois que o público começou a frequentar o espaço.
O nome Locomotiva foi escolhido pelos fundadores para representar a proposta de reunir boate, hotel, motel e restaurante em um só “complexo sobre trilhos”.
A escolha também tem ligação com a história do local: o empreendimento foi construído na região da Avenida Pedro Álvares Cabral, que aparecia em mapas antigos como Rua do Trilho, por onde passava um antigo ramal ferroviário que ligava Belém aos armazéns do cais do Porto. Daí também surgiu o apelido pelos frequentadores do local de “Trem da Alegria” .
“Esse surgimento da Locomotiva foi por um acaso. A gente ficou com um trabalho muito simples, não levamos muito a sério no início. Depois que percebemos, na inauguração, é que veio um público que estava talvez ajudando a desenvolver a empresa. Aí nós passamos a levar a sério”, relembra Walter.
Veja as fotos:
2. Há funcionários que estão na casa há décadas
Outro detalhe pouco conhecido está por trás do funcionamento da Locomotiva: parte da equipe acompanha a história do espaço há muitos anos.
Segundo Walter, há funcionários com 10, 15, 20 e até 35 anos de trabalho no local. Alguns se aposentaram ao longo desse período, enquanto novos integrantes da família também começaram a participar da administração.
3. Apresentações eróticas como arte
As apresentações eróticas fazem parte da identidade da casa, mas a proposta, segundo a administração, vai além do sensualismo.
Os números são planejados e organizados seguindo regras de segurança e respeito às profissionais. As mulheres que realizam as apresentações também não pagam à Locomotiva para trabalhar.
Quando existem vagas para os shows, elas têm a oportunidade de participar das apresentações e obter seus ganhos de maneira considerada justa pela administração.
A ideia é tratar os números como parte de um espetáculo de entretenimento, um show de arte, e não apenas como uma atração isolada da noite.
4. A cozinha funciona 24 horas
Pode parecer um detalhe pequeno, mas a cozinha é uma das atividades que mantém a casa funcionando em diferentes horários.
Walter destaca que o espaço oferece alimentação durante 24 horas e também trabalha com delivery. O serviço de cozinha se soma à venda de bebidas, ao estacionamento e à hospedagem, formando parte da estrutura comercial do complexo.
“A nossa cozinha é maravilhosa, funciona 24 horas por dia, é uma revenda, tem todos os tipos de referência na nossa cozinha”,
afirma.
5. A Locomotiva recebeu visitantes de vários países
A casa também acabou entrando no roteiro de pessoas que passaram por Belém. Durante a COP30, segundo o DJ Lingo, frequentadores de diferentes países conheceram o espaço.
Elcilan Gomes, conhecido artisticamente como DJ Lingo ou Magnífico, trabalha na Locomotiva há 25 anos e lembra que a casa recebeu estrangeiros durante o período do evento internacional.
Entre os visitantes, ele cita pessoas da República do Congo, Trinidad e Tobago e Alemanha.
“Essa juventude é que vai fazer a Locomotiva caminhar mais 30, 40, 50 anos aí à frente”, diz o DJ, que vê a presença de novos públicos como parte da continuidade da casa.
6. O DJ Lingo foi ficar apenas um inverno e já está há 25 anos
A relação de Lingo com a Locomotiva começou de maneira quase acidental. Ele conta que trabalhava no garimpo e pretendia permanecer em Belém apenas durante um período. O “inverno” virou verão, depois outro inverno e, quando percebeu, já haviam passado 25 anos.
“Eu vim aqui para passar apenas o inverno, porque eu trabalhava de garimpo. Então a gente chegava nas cidades, e eu digo: ‘Eu vou passar um inverno aqui’. Segundo foi o verão, vou para dentro do garimpo, que é local de ganhar dinheiro. Aí já passaram 25 invernos, e eu aqui dentro com o pessoal.”
Hoje, ele é uma das figuras tradicionais da pista e tem a missão de manter o público animado. O repertório também não fica preso a um único estilo: rock, piseiro, funk, música eletrônica e outros gêneros podem entrar na programação conforme o perfil dos frequentadores.
7. Tem gente que chega para se divertir e acaba ficando para dormir
A estrutura de hospedagem também tem uma função prática para quem passa a noite no local. Walter conta que alguns frequentadores preferem dormir na pousada depois de beber, em vez de dirigir de volta para casa.
“Geralmente aconteceu, eu vou beber um pouco, vou repousar aí. Porque eu não vou dirigir, eu vou bater o carro. Então eu recebo muitos clientes, na noite, pedindo para repousar.”
Para ele, esse tipo de serviço ajuda a completar a proposta do espaço, que reúne entretenimento, alimentação, estacionamento e hospedagem.
Veja as fotos:
Uma história que chegou aos 49 anos
A Locomotiva chega aos 49 anos mantendo uma característica que Walter considera fundamental: a relação construída com os frequentadores.
Para o empresário, são justamente os clientes antigos e novos que ajudaram a casa a atravessar mudanças na noite de Belém, períodos difíceis e até a pandemia.
“Graças a Deus conseguimos sobreviver, né? Driblamos essa situação e sobrevivemos. Os funcionários continuaram no mesmo, ninguém foi sacrificado.”
O próximo capítulo já tem data para acontecer. Em 2027, a Locomotiva completa 50 anos, enquanto Walter chega aos 80. A comemoração ainda está sendo planejada, mas uma coisa já está definida: depois de quase cinco décadas, o “Trem da Alegria” ainda tem muita história para contar.
O post “Foi um cochilo… 49 anos”: Walter, o ‘rei da Locomotiva’ conta curiosidades e segredos do Trem apareceu primeiro em Diário do Pará.






