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Feiras de Belém: vendas reagem em agosto após queda em julho

Foto: Mauro Ângelo

Na Barraca do Nildo, na Pedreira, a feirante Gabriele Alves afirma que o fluxo ainda oscila, mas segue constante ao longo do dia. “A gente abre desde cedo, por volta de 6h, e vai até umas 20h. Todo dia chega mercadoria nova”, explica. 

Segundo ela, mesmo com o orçamento apertado, os clientes continuam comprando frutas. “Pode ser pouco, mas eles vêm. Abacate, laranja, morango e abacaxi estão saindo bastante”, diz. O funcionamento até a noite também tem ajudado a manter as vendas. “Tem gente que não vem pessoalmente, pede por delivery. Mas ainda tem muito cliente que prefere vir aqui depois do trabalho, quando está voltando”, completa.

Feirantes relatam queda nas vendas em julho, mas veem recuperação em agosto

O movimento nas feiras de Belém começa a reagir com a chegada de agosto, após um mês de julho considerado mais fraco por feirantes. Na Feira da Pedreira, trabalhadores relatam queda nas vendas durante as férias, mas apontam sinais de recuperação nos primeiros dias do novo mês.

A feirante Suellen Araújo calcula que as vendas caíram pela metade em julho. “Diminuiu uns 50%. Agora, no começo de agosto, acho que voltou uns 10%”, estima. Para ela, o horário do fim da tarde é estratégico. “Quem sai do trabalho passa aqui. O que mais sai nesse horário é cominho, colorau e alho, porque o pessoal já vai fazer a comida da noite”, afirma. Suellen também destaca a tradição da Feira da Pedreira como diferencial. “Aqui já é conhecido que fica até 20h, 20h30. Não é só xepa, tem produto o tempo todo, sempre fresco”, diz.

O feirante Inácio Lima, que trabalha com farinha, teve uma percepção diferente. Para ele, julho foi positivo. “Foi bom, principalmente durante a semana. O pessoal viaja, mas quem fica compra”, relata. Ainda assim, ele reconhece que o maior movimento se concentra pela manhã e no horário do almoço. “De manhã e meio-dia vende mais. À noite ainda tem gente, mas é menor”, explica. Ele cogita ampliar o horário de funcionamento, mas aponta limitações. “Para ir até mais tarde precisa de espaço e fornecedor”, afirma.

Outro trabalhador, Josimar Cardias, que vende goma, estima que a queda nas férias ficou em 40%. Ele reforça a importância do período noturno. “Vale a pena ficar até 19h30, 20h. Tem muita gente que sai do trabalho e já aproveita pra comprar o que faltou”, explica. Entre os produtos mais procurados à noite estão itens básicos. “Sai mais goma, farinha e coco ralado”, destaca.

Horário estendido beneficia trabalhadores e consumidores

Do lado dos consumidores, a ampliação do horário é vista como um benefício. A secretária doméstica Bernadete Pereira, de 56 anos, aproveita o fim do expediente para fazer compras. “Pra mim esse horário é ótimo. Quem trabalha não consegue vir de manhã”, afirma. Ela defende que outras feiras adotem o mesmo modelo. “Seria melhor pra todo mundo”, diz.

Bernadete também avalia que a feira continua sendo competitiva em relação aos supermercados. “Depende do produto, mas aqui é mais fresco. Eu compro farinha, coco ralado, frutas, mas faço os dois, feira e supermercado. Tem alguns produtos que valem mais a pena no supermercado”, conclui.

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