Temporal: 16 anos chovendo musicalidade
Temporal é o primeiro álbum do guitarrista paraense Delcley Machado. Nas plataformas aparece como 2013, mas foi lançado ainda fisicamente em CD player em 2010. Portanto, são 16 anos de uma obra que desde seu nascedouro está entre as referências da música instrumental produzida no Pará.
A faixa título abre o disco dizendo exatamente ao que veio, pois como Ilha das onças, composição do baterista Moacir Rato, e a que fecha o disco, Vento e vela não dependem de letras para contar histórias; a melodia conduz o ouvinte com clareza emocional e ritmo constante. Nelas se ouve lirismo melódico, ou seja, prioriza-se melodias fluidas, longas e cantáveis, que parecem voar sobre a harmonia em vez de apenas cumprir clichês do bebop. É uma tempestade, um toró de musicalidade este Temporal de Delcley Machado!
Para não músicos, o álbum funciona, muito bem, como uma trilha sonora cinematográfica e relaxante. Suas faixas transmitem paisagens sonoras que evocam rios, florestas e a rotina urbana do Norte do país. Para os músicos e estudantes, a obra é um estudo de arranjo e domínio técnico. Delcley demonstra precisão no fraseado da guitarra semi-acústica, utilizando harmonias sofisticadas (acordes com extensões e inversões típicas do bebop e da MPB) sem perder a brasilidade.
Os instrumentistas que estão com ele, dispensam comentários, mas merecem destaque: Adelbert Carneiro (contrabaixo), Edgar Matos (piano), Edvaldo Cavalcante (bateria), Toninho Abenatar (sax), além das participações especiais, oferecem sustentação rítmica sólida, alternando entre conduções de choro, samba, blues e compassos compostos que enriquecem as dinâmicas da gravação.
Das nove faixas, duas são canções (têm letras), parcerias de Delcley com Jorge Andrade, em Duas ruas, cantada por Olivar Barreto e A voz guardada, com Marcos Campello, na voz de Mario Moraes. Pixaim, composição de Walter Freitas tem participação de Márcio Jardim na percussão e Diego Carneiro no violoncelo. Colhendo na horta dos Hortas é o título dado pelo violonista e compositor do tema, Mauro Prado, que é um trocadilho perfeito que escancara a reverência a Toninho Horta — o mestre supremo dos acordes “abertos”, das inversões impossíveis e daquele lirismo tipicamente mineiro que mudou a história do violão e da guitarra no mundo. A linha melódica é extremamente lírica, quase uma canção sem letra, voando sobre a cama harmônica com leveza e fluidez. Mauro no violão e Delcely na guitarra, prato cheio para quem ama a sofisticação da guitarra brasileira! Por fim, merece também destaque o piano de Jacinto Kahwage em Piano Blues e o baixo acústico de Príamo Brandão em Izaura.
O equilíbrio entre a técnica apurada e a acessibilidade melódica faz de Temporal um marco da música instrumental paraense. O álbum demonstra que a música instrumental brasileira pode ser tecnicamente refinada sem se tornar distante ou hermética para o ouvinte comum.
NO FONE
Continuando com guitarra de Delcley Machado, vale muitíssimo ouvir, também, o mais recente single do artista, Som da manhã. Composição solar, leve e de respiração aberta. A guitarra lidera a narrativa, mas dá espaço para que a cozinha respire e participe ativamente da conversa musical, mantendo a sonoridade limpa e moderna.
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Qualquer um dos nove discos do Trio Corrente vale a pena ouvir. Mas a dica de hoje vai para Vinte e cinco,lançado em 20025. O disco fisga logo na primeira faixa, com a clássica Tudo que você podia ser. Formado em 2001, o trio é composto por Fábio Torres (piano), Paulo Paulelli (contrabaixo) e Edu Ribeiro (bateria). Segundo o cubano Paquito D’Rivera com quem tocaram, o trio é um vulcão!
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O single duplo Guerreiro Jazze Trio, do guitarrista e violonista Rafael Guerreiro, juntamente com Rafael Azevedo e Emmanuel Penna é a outra dica pra se ouvir! Rafael tem outros trabalhos entre singles, EP e álbum nas plataformas, vale a pena conferir tudo.
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O trompetista Silvério Pontes, certamente, é ouvido em várias faixas de música da MPB. Mas agora nos streamings seu disco solo com 12 faixas. Na verdade, o disco é de 2016, lançado ainda fisicamente. Vale muito ouvir Reencontro.
CIRCULANDO
Quarta de setembro é dia dele no Boiúna Espaço Cultural, Delcley Machado Quarteto, 23h. Vale muito a pena ouvir acompanhado de bebidas e aperitivos.
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Dia 02 de outubro, sexta-feira, o violonista Salomão Habib apresenta show de aniversário batizado de Melodia sentimental, a partir das 20h no espaço Núcleo de Conexões Ná Figueiredo.
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