O governo dos Estados Unidos pretende transmitir ao vivo a execução de Nidal Malik Hasan, ex-major do Exército condenado pelo ataque a tiros que matou 13 pessoas na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (8) pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. A execução está marcada para 3 de dezembro de 2026 e deverá ser realizada por um pelotão de fuzilamento.
A decisão representa uma medida incomum na história militar americana. Segundo a agência Reuters, será a primeira execução por fuzilamento realizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1945 e a primeira execução militar desde 1961, caso seja cumprida na data prevista. A confirmação de que o procedimento será transmitido ao vivo acrescenta uma nova dimensão à controvérsia.
Galeria | Entenda o caso
Ataque em base militar matou 13 pessoas
O ataque ocorreu em 5 de novembro de 2009, quando Hasan entrou em um prédio médico da base de Fort Hood, onde militares aguardavam atendimento e procedimentos antes de possíveis deslocamentos em serviço. Armado com uma pistola, ele abriu fogo contra os presentes. Ao todo, 13 pessoas morreram e outras 32 ficaram feridas.
Na época, Hasan era psiquiatra do Exército americano e tinha a patente de major. Durante o julgamento, afirmou que pretendia impedir que soldados fossem enviados ao Afeganistão para combater muçulmanos. A Justiça militar não aceitou essa justificativa como defesa para os assassinatos.
Em agosto de 2013, um júri militar o condenou à morte por homicídio premeditado e tentativa de homicídio. Hasan ficou parcialmente paralisado após ser baleado por policiais durante a prisão e passou a usar cadeira de rodas.
Trump autorizou execução por fuzilamento
O presidente Donald Trump autorizou a execução por fuzilamento após recomendação de Hegseth. A data prevista é 3 de dezembro, às 13h, no horário local, na própria base de Fort Hood, no Texas, onde aconteceu o ataque.
Segundo a Reuters, Hegseth defendeu que o procedimento ocorra no mesmo local e aproximadamente no mesmo horário do atentado. O secretário afirmou que a divulgação pública serviria para demonstrar as consequências de crimes dessa natureza. O Pentágono confirmou que a execução será transmitida ao vivo, mas ainda não detalhou como o acesso à transmissão será organizado.
Transmissão gera debate sobre pena de morte
A decisão provocou questionamentos sobre a exposição pública de uma execução estatal. Especialistas ouvidos pela Associated Press apontaram possíveis implicações jurídicas e éticas, incluindo a dignidade do condenado e a motivação do governo ao transformar o procedimento em um evento transmitido ao público.
Enquanto alguns especialistas consideram que a transmissão pode ampliar a transparência sobre a aplicação da pena capital, outros alertam para o risco de transformar a execução em espetáculo político.
O caso também ocorre em meio a mudanças nas políticas americanas de execução. O governo Trump ampliou as modalidades permitidas para determinados crimes federais, incluindo fuzilamento, eletrocussão e asfixia por gás. A dificuldade de obter substâncias para injeções letais é apontada como um dos fatores por trás da busca por métodos alternativos.
Apesar da data anunciada, a execução ainda poderá enfrentar obstáculos judiciais. Segundo a Associated Press, Hasan pode recorrer à Justiça civil para contestar a legalidade de sua detenção ou da execução, o que poderia atrasar o procedimento.
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