Enquanto milhões de brasileiros ainda se dirigiam às urnas neste domingo, 4, os primeiros resultados da eleição presidencial começaram a surgir do outro lado do mundo. Por causa da diferença de fuso horário, a votação já foi encerrada em diversos países da Oceania, da Ásia, do Oriente Médio, da África e da Europa.
Os boletins de urna conhecidos até o meio da tarde mostravam dois retratos diferentes da disputa: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu em um número maior de países, mas Flávio Bolsonaro (PL) aparecia à frente na soma dos votos divulgados, impulsionado principalmente pela ampla vantagem obtida no Japão.
Levantamento atualizado às 15h26 apontava Lula na liderança em 23 dos 31 países e territórios com resultados concluídos disponíveis. Flávio venceu em oito. Na soma desse recorte, porém, o candidato do PL acumulava 31.261 votos, contra 18.064 do petista.
Os números ainda não representam a totalização oficial da eleição no exterior. Eles são extraídos dos boletins impressos pelas urnas após o encerramento da votação em cada seção. A divulgação oficial e consolidada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inclusive dos votos recebidos fora do Brasil, começa somente a partir das 17h, no horário de Brasília.
Japão muda a soma dos votos
O peso do Japão ajuda a explicar a aparente contradição entre o número de países vencidos e o total de votos. O país possui o terceiro maior eleitorado brasileiro no exterior, atrás apenas dos Estados Unidos e de Portugal.
No Japão, Flávio Bolsonaro recebeu mais de 24 mil votos, cerca de 71% dos válidos, enquanto Lula obteve pouco mais de 5,2 mil. A diferença aberta no país asiático foi suficiente para colocar o candidato do PL na liderança da soma parcial dos resultados já divulgados.
Flávio também ficou à frente em Israel, Emirados Árabes Unidos, Catar, Filipinas, Grécia, Tailândia e Taiwan.
Lula, por sua vez, venceu na Austrália, Nova Zelândia, China, Coreia do Sul, Arábia Saudita, Palestina, Síria, Líbano, Dinamarca, Finlândia, Estônia, Hungria, Croácia, Romênia, Singapura e em outros países com resultados já concluídos.
Na Austrália, Lula recebeu 4.562 votos, contra 2.579 de Flávio. Na China, o petista somou 367 votos, enquanto o candidato do PL teve 203. Na Coreia do Sul, o placar foi de 123 a 72 para Lula.
Nova Zelândia abriu a apuração
A Nova Zelândia foi o primeiro país a concluir a votação, às 17h de domingo no horário local — 1h da madrugada no horário de Brasília.
Lula recebeu 234 votos, equivalentes a 70,48% dos válidos. Flávio Bolsonaro teve 64 votos, ou 19,28%. O petista também havia vencido no país no primeiro turno de 2022.
Os resultados do exterior, no entanto, não permitem antecipar o desfecho nacional. Além das diferenças no tamanho dos eleitorados de cada país, ainda faltam importantes colégios eleitorais, especialmente os Estados Unidos e Portugal. Contar países como se todos tivessem o mesmo peso seria comparar uma urna com milhares delas — e eleição, como se sabe, é decidida voto a voto.
Filas em Portugal
Em Portugal, milhares de brasileiros enfrentaram longas filas desde a abertura das urnas. A votação começou às 8h no horário local, 4h da manhã em Brasília, com seções em Lisboa, Porto e Faro.
O país reúne 134.797 brasileiros aptos a votar, o segundo maior contingente eleitoral fora do Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos. Lisboa concentra 78.833 eleitores em 207 seções instaladas em três prédios da Universidade de Lisboa, considerado o maior local de votação das Eleições de 2026, inclusive na comparação com os locais situados em território brasileiro.
Ao todo, 918.876 brasileiros estão habilitados a votar no exterior. A Justiça Eleitoral instalou seções em 186 cidades de 134 países. Diferentemente dos eleitores que vivem no Brasil, os inscritos no exterior votam somente para presidente e vice-presidente da República.
Os resultados oficiais do voto no exterior serão incorporados à apuração nacional a partir das 17h. Até lá, os boletins divulgados em cada país funcionam como as primeiras peças de um quebra-cabeça eleitoral que só ficará completo com a totalização do TSE.
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