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Dono do Grupo Mateus vê fortuna encolher R$ 4,2 bilhões em meio à reestruturação da empresa

Fundador e principal acionista da gigante varejista despenca do 34º para o 107º lugar; companhia fechou 28 lojas e reduziu quadro em 6.673 trabalhadores

A fortuna do empresário Ilson Mateus Rodrigues, fundador, presidente e principal acionista do Grupo Mateus, sofreu uma das quedas de maior impacto na nova lista de bilionários brasileiros da Forbes. O patrimônio atribuído ao empresário caiu de R$ 7,7 bilhões para R$ 3,5 bilhões, perda de R$ 4,2 bilhões em um ano. Com o recuo, Ilson despencou 73 posições no ranking nacional, saindo do 34º para o 107º lugar. A redução patrimonial ocorre justamente quando o Grupo Mateus atravessa uma reestruturação de suas operações, marcada pelo fechamento de dezenas de lojas e pela redução de milhares de postos de trabalho.

Em termos percentuais, a fortuna de Ilson encolheu cerca de 54,5% na comparação apresentada pela Forbes. O patrimônio de R$ 3,5 bilhões, porém, ainda mantém o empresário de 63 anos entre os bilionários brasileiros e como um dos principais representantes do varejo nacional na relação.

A lista Forbes 2026 considera, entre outras fontes, o valor das participações em empresas negociadas em bolsa, utilizando como referência a cotação de fechamento de 30 de junho de 2026. A publicação ressalta que, por trabalhar essencialmente com informações públicas, as estimativas patrimoniais podem não contemplar todos os ativos particulares dos bilionários.

De garimpeiro a bilionário: a trajetória de Ilson Mateus

A história de Ilson Mateus contrasta com o tamanho do patrimônio que acumulou. Antes de construir uma das maiores redes varejistas do Brasil, o empresário trabalhou como torneiro mecânico, vendedor de cachaça e garimpeiro. Aos 21 anos, foi para Serra Pelada, no Pará, em busca de ouro, mas não conseguiu enriquecer no garimpo.

A mudança ocorreu em 1986, quando abriu uma pequena mercearia, de aproximadamente 50 metros quadrados, em Balsas, no sul do Maranhão. Na época, a região começava a receber investimentos e produtores ligados à expansão da soja. Ilson percebeu o crescimento da demanda e passou a comprar mercadorias em Imperatriz para revendê-las em Balsas. Em cerca de dois anos, a pequena mercearia já havia se transformado em um supermercado de médio porte.

A expansão ganhou força nas décadas seguintes. Vieram o atacado, novas cidades maranhenses, a chegada a São Luís e, posteriormente, a entrada em outros estados do Norte e Nordeste. Em 2012, o Grupo Mateus chegou a Marabá, no Pará, mercado que se tornaria estratégico para a companhia.

Hoje, a própria empresa informa possuir mais de 490 unidades em nove estados, operando diferentes formatos e marcas. O grupo se apresenta como a terceira maior rede varejista do Brasil.

Fortuna de Ilson Mateus cai R$ 4,2 bilhões e empresário despenca 73 posições na Forbes em meio à reestruturação do Grupo Mateus.

Grupo Mateus abriu capital na B3 em 2020

O salto empresarial também levou o negócio familiar ao mercado de capitais. Em outubro de 2020, o Grupo Mateus abriu o capital na B3, movimento que marcou uma nova fase de expansão, profissionalização e governança corporativa.

Mesmo depois de transformar a pequena mercearia de Balsas em um conglomerado bilionário, Ilson permanece no comando estratégico. Segundo informações da área de Relações com Investidores, ele ocupa a presidência do Conselho de Administração e continua acionista da companhia. Seus filhos, Ilson Mateus Rodrigues Júnior e Denilson Pinheiro Rodrigues, também integram o grupo familiar de acionistas e aparecem na lista de bilionários.

Os dois filhos também tiveram forte redução patrimonial na edição de 2026. Segundo a Forbes, cada um passou de uma fortuna estimada em R$ 2,1 bilhões para R$ 1 bilhão.

Queda ocorre em meio à reestruturação

A redução bilionária do patrimônio de Ilson Mateus coincide com um período de mudanças profundas dentro da companhia que ele fundou. Após anos de expansão acelerada, o Grupo Mateus iniciou um processo de revisão de sua estrutura, concentrando esforços em rentabilidade, produtividade, redução de despesas e eficiência operacional.

Dados divulgados ao mercado e repercutidos por publicações especializadas apontam que 28 lojas foram fechadas entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026. As mudanças atingiram principalmente operações em Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.

O impacto também chegou diretamente ao quadro de trabalhadores. O número de funcionários caiu de aproximadamente 47,9 mil para 41,2 mil, representando uma redução de 6.673 trabalhadores, superior a 13% da força de trabalho considerada nessa comparação.

Há divergência pontual na imprensa sobre o número de estabelecimentos encerrados: uma reportagem publicada no Pará contabilizou 29 lojas, enquanto veículos especializados que citam os dados apresentados pela empresa ao mercado apontam 28 fechamentos. Nesta reportagem, é adotado o número de 28 unidades, por aparecer de forma recorrente nas publicações que fazem referência aos dados corporativos.

O Pará está entre os estados atingidos pela reorganização, embora a companhia não tenha divulgado publicamente, nas informações localizadas, uma relação completa que permita separar quantas das 28 lojas encerradas e quantos dos 6.673 postos eliminados pertenciam especificamente ao Estado.

Vendas recuam e estratégia foca em eficiência

O enxugamento ocorre diante de indicadores que pressionaram a operação. No primeiro trimestre de 2026, as vendas em lojas comparáveis — aquelas abertas há tempo suficiente para permitir comparação — recuaram 7,3%. Entre os fatores apontados para o desempenho aparecem a deflação de alimentos, restrições de crédito e o endividamento das famílias.

A estratégia adotada foi revisar contratos, estruturas administrativas, formatos e operações com menor desempenho, direcionando capital para negócios considerados mais eficientes.

Isso, porém, não significa que o Grupo Mateus tenha simplesmente interrompido a expansão. Ao mesmo tempo em que fechou pontos considerados menos eficientes, a empresa continuou inaugurando lojas em mercados avaliados como estratégicos. Foram sete novas unidades somente no segundo trimestre e 11 durante o primeiro semestre de 2026, segundo informações publicadas sobre a reorganização.

A fotografia atual, portanto, é de uma companhia que procura substituir a lógica de expansão acelerada por uma estratégia mais seletiva: fecha operações com menor retorno, corta custos e trabalhadores, mas continua investindo onde identifica possibilidade maior de rentabilidade.

Império varejista continua entre os maiores do país

Apesar dos cortes e da queda do patrimônio de seu fundador, o Grupo Mateus permanece entre as gigantes do varejo alimentar brasileiro. A companhia registrou faturamento de aproximadamente R$ 43,5 bilhões em 2025 e mantém forte presença especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

A trajetória mostra a dimensão da transformação comandada por Ilson Mateus: da pequena mercearia aberta em Balsas em 1986 para um conglomerado com centenas de operações, diferentes bandeiras, milhares de trabalhadores e ações negociadas na Bolsa.

Agora, aos 63 anos, o empresário enfrenta um movimento inverso no ranking de riqueza. Os R$ 4,2 bilhões que desapareceram da estimativa de seu patrimônio representam uma perda superior à fortuna de muitos dos próprios bilionários presentes na lista da Forbes.

A queda não significa necessariamente que Ilson tenha perdido R$ 4,2 bilhões em dinheiro. Como parcela relevante da estimativa está associada a participações empresariais, oscilações no valor das ações influenciam diretamente o cálculo. A própria Forbes utiliza preços de mercado e outras informações públicas para estimar as fortunas.

O resultado, entretanto, é expressivo: Ilson Mateus entra na lista de 2026 com menos da metade do patrimônio atribuído a ele no levantamento anterior e 73 posições abaixo no ranking, justamente no momento em que o império varejista construído por ele há quatro décadas passa por um dos maiores processos de reorganização de sua história recente.

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