O Grupo Gennius Brasil, controlador das redes Habib’s, Ragazzo, Mita e Tendall Grill, recorreu à Justiça de São Paulo para obter proteção temporária contra ações de cobrança enquanto tenta renegociar uma dívida de R$ 312,4 milhões. A medida, conhecida como tutela cautelar antecedente, concede um período de 60 dias para que a empresa negocie com os credores e preserve as operações.
Segundo o processo, a proteção judicial abrange 174 empresas do conglomerado, incluindo lojas próprias, cozinhas centrais e holdings. O pedido também contempla o fundador e presidente do grupo, Alberto Saraiva, além de outras empresas ligadas à operação.
Decisão judicial e negociação com credores
A decisão foi parcialmente aceita pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Com isso, o grupo fica protegido de execuções judiciais até o início de setembro, período em que pretende avançar nas negociações com os credores. No entanto, a Justiça negou o pedido para liberar recebíveis que haviam sido dados como garantia a instituições financeiras.
De acordo com a empresa, a medida busca evitar impactos na operação das redes e garantir a continuidade do fornecimento de insumos pelos parceiros comerciais. Um dia antes de recorrer ao Judiciário, o grupo também iniciou um procedimento de mediação para renegociar os débitos.
Causas da crise e futuro do grupo
Na ação, a companhia atribui a crise financeira aos efeitos da pandemia de Covid-19, às mudanças nos hábitos de consumo impulsionadas pelo crescimento das plataformas de delivery e ao cenário de juros elevados, que aumentou os custos financeiros da operação. Mais de R$ 300 milhões do passivo correspondem a dívidas bancárias.
Fundado em 1988, o Grupo Gennius Brasil reúne cerca de 300 unidades do Habib’s e aproximadamente 200 restaurantes da marca Ragazzo, além de operações híbridas e outros negócios do setor de alimentação. A iniciativa é considerada um passo preliminar que pode anteceder um eventual pedido de recuperação judicial, caso a empresa não consiga reequilibrar suas finanças durante o período de proteção concedido pela Justiça.
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