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China proíbe “namorados” virtuais de IA para combater dependência emocional

A China deu um novo passo na regulamentação da inteligência artificial ao proibir plataformas que oferecem “namorados” e “namoradas” virtuais criados por IA. A medida entrou em vigor em 15 de julho de 2026 e busca reduzir os riscos de dependência emocional, principalmente entre jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade.

As novas regras determinam que empresas deixem de oferecer companheiros virtuais capazes de estabelecer vínculos afetivos com os usuários. Além disso, plataformas que utilizam inteligência artificial antropomórfica deverão adotar mecanismos para identificar sinais de sofrimento emocional, impedir a interação com menores de idade e intervir em situações consideradas de risco.

Empresas removeram recurso antes do prazo

Gigantes da tecnologia chinesa começaram a cumprir as determinações antes mesmo da entrada em vigor da regulamentação. A ByteDance retirou a função de companhia virtual do aplicativo Doubao, enquanto Alibaba e Tencent desativaram recursos semelhantes em suas plataformas Qwen e Yunbao.

A decisão provocou forte reação entre usuários, que recorreram às redes sociais para relatar tristeza com o fim dos relacionamentos virtuais. Alguns afirmaram que os chatbots funcionavam como apoio emocional diante da solidão ou de dificuldades pessoais.

Mercado bilionário

A proibição atinge um setor que crescia rapidamente na China. Segundo dados divulgados pela agência estatal Xinhua, o mercado de chamados “humanos digitais” movimentou cerca de 4,1 bilhões de yuans em 2024, registrando crescimento de 85% em relação ao ano anterior.

O avanço foi impulsionado por ferramentas de inteligência artificial capazes de simular conversas naturais, desenvolver personalidade própria e criar uma sensação de proximidade com os usuários.

Por que a China decidiu restringir a tecnologia?

O governo chinês afirma que a medida busca evitar que os sistemas de IA substituam relações humanas reais ou incentivem comportamentos de dependência emocional.

Com a nova regulamentação, a China se torna um dos primeiros países a impor limites específicos à chamada IA afetiva, tema que deve ganhar espaço nas discussões sobre ética e regulação da inteligência artificial em todo o mundo.

As normas proíbem que essas plataformas adotem estratégias para agradar excessivamente os usuários ou estimulem vínculos afetivos que possam prejudicar a vida social e psicológica das pessoas.

Além disso, os serviços deverão contar com sistemas capazes de reconhecer emoções extremas, como sinais de sofrimento ou crise, permitindo que a plataforma adote medidas preventivas.

Como funcionam os parceiros virtuais

Os chamados “namorados virtuais” utilizam inteligência artificial para manter conversas contínuas, lembrar informações pessoais, adaptar a personalidade conforme as preferências do usuário e simular demonstrações de carinho, amizade ou relacionamento amoroso.

Combinando processamento de linguagem natural, aprendizado de máquina e, em alguns casos, avatares digitais, essas ferramentas oferecem uma experiência cada vez mais próxima da interação humana.

Especialistas alertam, porém, que esse nível de personalização pode aumentar o risco de apego emocional, principalmente entre pessoas que enfrentam isolamento social, ansiedade ou solidão.

Debate vai além da China

O crescimento desse tipo de tecnologia não ocorre apenas no mercado chinês. Plataformas como Character.AI, Replika e Nomi também oferecem companheiros virtuais em outros países e acumulam milhões de usuários.

Um levantamento da organização Common Sense Media apontou que 75% dos adolescentes norte-americanos já utilizaram algum companheiro de IA para conversas pessoais, indicando que o fenômeno se tornou global.

Diante desse cenário, especialistas defendem que o avanço da inteligência artificial seja acompanhado por regras que conciliem inovação tecnológica, proteção da saúde mental e uso responsável dessas ferramentas.

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