A levedura pode até passar despercebida no copo, mas é peça-chave na produção de cerveja. É esse microrganismo que converte açúcares em álcool e gás carbônico, além de influenciar diretamente aroma e sabor. No Brasil, porém, a maior parte da levedura seca ainda vem do exterior.
De olho nesse cenário, a startup Biosab, de Ribeirão Preto (SP), desenvolve uma tecnologia nacional para produção e secagem de levedura cervejeira. A proposta é reduzir custos e oferecer um produto até 30% mais barato que os importados, mirando principalmente pequenas e médias cervejarias.
O movimento acontece em um mercado que segue em expansão. Dados do Anuário da Cerveja 2025 mostram que o Brasil terminou 2024 com 1.949 cervejarias registradas, crescimento de 5,5%. O país também se mantém como o terceiro maior produtor mundial em volume.
A dependência de insumos importados pressiona o setor, sobretudo fora dos grandes centros. Segundo a startup, a levedura pode representar até 30% do custo final da bebida, dependendo do estilo e da escala de produção. Reduzir esse peso é um dos principais objetivos da empresa.
Hoje, a levedura é comercializada nas versões líquida e seca. A líquida oferece uso imediato, mas exige refrigeração constante e tem validade menor. Já a seca é mais estável, fácil de transportar e ideal para regiões com menor infraestrutura logística.
Tecnologia e Produção da Biosab
A tecnologia da Biosab aposta em alternativas mais econômicas para alimentar as leveduras durante o processo produtivo. Além disso, utiliza equipamentos fabricados no Brasil, o que reduz custos e facilita a manutenção para futuras expansões.
A produção envolve duas etapas principais: a multiplicação das células em ambiente controlado e o processo de secagem. Essa última fase exige atenção, já que pode comprometer a viabilidade das leveduras, impactando o desempenho na fermentação.
Foco nas Espécies de Levedura
Inicialmente, a startup foca em espécies amplamente utilizadas no mercado. Entre elas estão a Saccharomyces cerevisiae, comum em cervejas do tipo ale, e a Saccharomyces pastorianus, predominante nas lagers, que lideram a produção nacional.
Desafios e Expectativas
Além dos desafios técnicos, a empresa também enfrenta entraves regulatórios. A ausência de precedentes no país gera dúvidas sobre a classificação da atividade, já que o produto é fiscalizado dentro da cadeia agroindustrial.
Mesmo assim, a expectativa é avançar rapidamente. A Biosab já possui um protótipo funcional e recebeu aporte privado. A previsão é iniciar as vendas até o fim do ano ou no início do próximo semestre.
Os próximos testes serão realizados em parceria com uma cervejaria de médio porte, em ambiente real de produção. A meta inicial é produzir 5 quilos de levedura por dia, com expansão prevista para 15 quilos diários em uma segunda fase.
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