A crise financeira da Casas Bahia já tem reflexos no Pará. A rede fechou uma de suas unidades em Belém em meio ao processo de reestruturação que levou a companhia a anunciar o encerramento de 298 lojas em todo o país.
O movimento ocorre no mesmo momento em que a varejista enfrenta dezenas de ações de despejo envolvendo lojas, imóveis comerciais e galpões logísticos, principalmente por atrasos no pagamento de aluguéis. Os processos estão concentrados em diferentes cidades de São Paulo e também atingem outros estados.
Casas Bahia fecha loja em Belém
A primeira loja da Casas Bahia fechada em Belém durante a atual reestruturação foi uma unidade localizada no Shopping Bosque Grão-Pará.
O encerramento faz parte do processo nacional de redução da estrutura física da empresa, que anunciou o fechamento de 298 unidades após a piora da situação financeira.
No Pará, o fechamento chama atenção porque a rede mantém presença em diferentes municípios. A situação das demais unidades paraenses, porém, deve ser acompanhada individualmente, já que a empresa não confirmou que todas serão encerradas.
A confirmação do fechamento em Belém também já repercutiu localmente.
Onda de despejos envolve lojas e galpões
Além do fechamento de unidades, a Casas Bahia enfrenta uma nova pressão: proprietários e administradores de imóveis ingressaram com ações na Justiça para recuperar os espaços alugados pela companhia.
Os processos envolvem lojas instaladas em shopping centers e outros imóveis comerciais, além de galpões utilizados na operação logística. Entre os casos estão imóveis em Osasco, Mogi das Cruzes, Cubatão, Guarujá, Diadema, Santo André, Jundiaí, Itatiba, Piracicaba, São Bernardo do Campo, Taboão da Serra, Marília, Itapevi, Ubatuba, Votorantim e Guarulhos.
Também há casos envolvendo dois galpões logísticos em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR). Esses imóveis foram classificados pela própria Casas Bahia como essenciais para a continuidade das operações.
Recuperação judicial não impede automaticamente despejos
O pedido de recuperação judicial feito pela Casas Bahia não cria uma proteção automática sobre os imóveis alugados.
Segundo especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, ações de despejo podem continuar tramitando na Justiça comum, especialmente quando envolvem aluguéis que venceram depois do início da recuperação judicial.
A situação é particularmente delicada para a varejista porque as lojas físicas continuam sendo importantes para o negócio. A própria companhia afirma que esses pontos respondem por mais da metade da receita operacional.
Dívida chega a R$ 17,3 bilhões
A crise levou a Casas Bahia a pedir recuperação judicial para tentar reorganizar suas finanças.
O grupo declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões e anunciou o fechamento de 298 lojas como parte do processo de reestruturação. A companhia também realizou cortes de funcionários, embora parte das demissões recentes tenha sido suspensa pela Justiça do Trabalho.
A situação financeira se agravou após um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo informações divulgadas sobre o processo.
Justiça determina medidas para preservar operação
Enquanto a situação é analisada, a Justiça de São Paulo determinou medidas para preservar o funcionamento da empresa. Entre elas está a proibição temporária de cortes de serviços essenciais, como água, energia e aluguel, além da manutenção de entregas de mercadorias que já estavam em trânsito.
A decisão ainda não significa que todos os contratos de aluguel estarão protegidos permanentemente. A situação de cada imóvel depende do processo e das condições específicas de cada contrato.
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