Aos 22 e 28 anos, respectivamente, Lívia Voigt e Dora Voigt de Assis são as bilionárias mais jovens entre as dez mulheres mais ricas do Brasil. As irmãs ocupam a oitava e a sétima posições do ranking da Forbes, ambas com patrimônios estimados em R$ 6,7 bilhões.
Lívia e Dora pertencem à família Voigt e herdaram da mãe, Valsi Voigt, parte das ações da WEG. Netas de Werner Ricardo Voigt, um dos fundadores da companhia catarinense, elas possuem juntas cerca de 3,1% das ações, mas não exercem funções executivas na empresa.
Jovens bilionárias herdaram ações da WEG
A juventude das irmãs chama atenção em uma lista na qual apenas três integrantes têm até 30 anos. Além de Lívia e Dora, o ranking inclui Luana Lopes Lara, de 30 anos, cofundadora da plataforma de predições Kalshi e dona de uma fortuna avaliada em R$ 13,4 bilhões.
A origem do patrimônio das irmãs está ligada à WEG, empresa cofundada em 1961 por Werner Ricardo Voigt, Geraldo Werninghaus e Eggon João da Silva. Sediada em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, a companhia tornou-se a maior fabricante de motores elétricos da América Latina e uma das maiores do setor no mundo.
Da pequena oficina à expansão mundial
A trajetória de Werner Ricardo Voigt começou antes da criação da WEG. Em setembro de 1953, ele instalou uma pequena oficina no Centro de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. O estabelecimento prestava serviços gerais e fazia a manutenção dos cerca de 20 veículos motorizados que circulavam na cidade e na região naquele período.
Apaixonado por eletricidade desde a infância, Werner especializou-se em radiotelegrafia e eletrônica na Escola Técnica Federal. Mais tarde, idealizou o protótipo do motor que deu origem à WEG e assumiu o comando da tecnologia empregada pela companhia.
A empresa nasceu oficialmente em 16 de setembro de 1961, quando Werner, Eggon e Geraldo reuniram as habilidades de um eletricista, um administrador e um mecânico para fundar a Eletromotores Jaraguá. Posteriormente, a companhia adotou o nome WEG, formado pelas iniciais dos três fundadores.
Inicialmente dedicada à produção de motores elétricos, a WEG ampliou a atuação a partir da década de 1980. A empresa passou a fabricar componentes eletroeletrônicos, produtos para automação industrial, transformadores de força e distribuição, tintas líquidas e em pó e vernizes eletroisolantes, até se consolidar como fornecedora de sistemas elétricos industriais completos.
Werner deixou as funções executivas em outubro de 1988, quando Décio assumiu a presidência, e passou a integrar o conselho administrativo. Mesmo depois da mudança, continuou frequentando as fábricas e compartilhando sua experiência com engenheiros e equipes de produção. Ele morreu de causas naturais em junho de 2016, aos 85 anos, em Jaraguá do Sul.
WEG alcança o mercado mundial
Multinacional de capital aberto, a WEG mantém fábricas em mais de dez países. A empresa produz mais de 21 milhões de motores elétricos por ano, exporta equipamentos para mais de 135 países e registrou faturamento aproximado de R$ 32,5 bilhões em 2023.
A atuação da companhia vai além da fabricação de motores elétricos. Seu catálogo inclui geradores, turbinas, tomadas, painéis, equipamentos de segurança, tintas e carregadores, entre outros itens.
Outros integrantes da família também aparecem entre os bilionários brasileiros. Na lista de 2024, que reunia 69 nomes do país, quatro tinham o sobrenome Voigt: Dora, Lívia e os primos Eduardo Voigt Schwartz e Mariana Voigt Schwartz Gomes.
Mariana ocupa a quarta posição entre as mulheres mais ricas do Brasil em 2026. Aos 40 anos, ela possui patrimônio estimado em R$ 8,3 bilhões. Mariana e Eduardo receberam parte da participação no capital da WEG pertencente à mãe, a acionista Miriam Voigt Schwartz.
Mulheres são menos de 20% do ranking
O número de mulheres na Lista Forbes Bilionários Brasileiros caiu de 60 para 50 em 2026. Juntas, elas representam apenas 19,61% do ranking e possuem patrimônio estimado em R$ 329,17 bilhões.
Entre as dez primeiras colocadas, somente Luana Lopes Lara e Cristina Helena Junqueira construíram as próprias fortunas, sem recebê-las por herança. Estreante no levantamento, Luana é cofundadora da Kalshi, nos Estados Unidos. Formada em engenharia pelo MIT, ela já foi bailarina clássica.
Cristina, de 42 anos, é cofundadora do Nubank e possui patrimônio avaliado em R$ 8,1 bilhões. Ela entrou na lista após a oferta pública inicial de ações da instituição financeira na Bolsa de Nova York, em dezembro de 2021.
Com cerca de 2,9% das ações da instituição, Cristina tornou-se a primeira mulher bilionária no Brasil em razão de uma fintech. A outra novidade da edição é Regina Helena Scripilliti Velloso, herdeira do grupo Votorantim, com patrimônio de R$ 5,4 bilhões. Ela, porém, não aparece entre as dez primeiras posições. O ranking integra a edição 144 da Forbes.
Quem são as dez mulheres mais ricas do Brasil
Vicky Sarfati lidera a lista
Vicky Sarfati Safra e família permanecem no topo da lista feminina. Aos 74 anos, a viúva do banqueiro Joseph Safra possui patrimônio de R$ 130,6 bilhões, somado ao dos filhos. Ela ocupa a segunda colocação geral entre os bilionários brasileiros.
Vicky aparece atrás apenas de Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, cuja fortuna é estimada em R$ 162,9 bilhões.
Luana Lopes Lara ocupa o segundo lugar
Na segunda posição entre as mulheres está Luana Lopes Lara, com patrimônio de R$ 13,4 bilhões. Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela, de 52 anos, ocupa o terceiro lugar, com uma fortuna de R$ 11,9 bilhões ligada à Itaúsa.
Ana Lúcia é a única mulher no conselho de administração do Itaú Unibanco. Ela também preside o Instituto Alana, organização sem fins lucrativos financiada por ela e pelo irmão, Alfredo, em 1994.
Mariana Voigt Schwartz Gomes está na quarta posição, com R$ 8,3 bilhões. Cristina Helena Junqueira aparece em seguida, com patrimônio de R$ 8,1 bilhões.
Herdeiras aparecem entre as primeiras colocadas
A sexta colocada é Neide Helena de Moraes, de 70 anos, com patrimônio de R$ 7,2 bilhões. Filha de José Ermírio de Moraes Filho e sobrinha de Antônio Ermírio, ela é acionista relevante da Votorantim, mas não atua na empresa.
O grupo Votorantim registrou faturamento de R$ 103,8 bilhões em 2025, alta de 16,4% em relação a 2024.
Dora Voigt de Assis e Lívia Voigt aparecem na sequência, ambas com R$ 6,7 bilhões. Dora ocupa a sétima posição, enquanto a irmã mais nova está no oitavo lugar.
Na nona colocação está Vera Rechulski Santo Domingo, de 77 anos, também com patrimônio de R$ 6,7 bilhões. Viúva de Julio Mario Santo Domingo Jr., ela controla cerca de 11% da holding da família Santo Domingo, sediada em Luxemburgo, por meio da qual possui ações da AB InBev.
Márcia Pascoal Marçal dos Santos completa a lista das dez mulheres mais ricas do Brasil. Aos 53 anos, ela possui patrimônio estimado em R$ 5,9 bilhões. Esposa e sócia do empresário Marcos Molina, Márcia divide com ele as ações da MMS, holding controladora da Marfrig, e também detém participação direta na empresa.
Veja o ranking completo
- Vicky Sarfati Safra e família, 74 anos — Banco Safra — R$ 130,6 bilhões
- Luana Lopes Lara, 30 anos — Kalshi — R$ 13,4 bilhões
- Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela, 52 anos — Itaúsa — R$ 11,9 bilhões
- Mariana Voigt Schwartz Gomes, 40 anos — WEG — R$ 8,3 bilhões
- Cristina Helena Junqueira, 42 anos — Nubank — R$ 8,1 bilhões
- Neide Helena de Moraes, 70 anos — Votorantim — R$ 7,2 bilhões
- Dora Voigt de Assis, 28 anos — WEG — R$ 6,7 bilhões
- Lívia Voigt, 22 anos — WEG — R$ 6,7 bilhões
- Vera Rechulski Santo Domingo, 77 anos — AB InBev — R$ 6,7 bilhões
- Márcia Pascoal Marçal dos Santos, 53 anos — MBRF — R$ 5,9 bilhões
Como a Forbes calcula as fortunas
A Forbes elabora a lista de bilionários brasileiros a partir de diferentes fontes. A principal referência são as ações negociadas em bolsa, consideradas conforme a cotação de fechamento de 30 de junho de 2026. Os dados utilizados são públicos, oficiais e auditados.
Como o levantamento considera apenas informações públicas, os patrimônios podem estar subestimados. Na maioria dos casos, a revista não contabiliza imóveis, obras de arte, aviões ou embarcações, exceto quando a pessoa incluída na lista concorda em fornecer esses dados.
A metodologia também permite consolidar ou apresentar separadamente o patrimônio de irmãos e outros integrantes de uma família. No caso de Dora e Lívia, a participação herdada na WEG garantiu a cada uma fortuna estimada em R$ 6,7 bilhões e um lugar entre as dez mulheres mais ricas do Brasil.
O post Bilionárias aos 22 e 28 anos estão entre as 10 mulheres mais ricas do Brasil apareceu primeiro em Diário do Pará.






