Os bancários de todo o Brasil podem paralisar o atendimento nesta quinta-feira, 20, caso a oitava rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada termine sem acordo. O impasse envolve principalmente o reajuste salarial, mas a categoria também cobra mudanças em benefícios e nas condições de trabalho.
O Comando Nacional dos Bancários voltou a negociar com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira, 18. A expectativa é avançar nas tratativas antes da data prevista para a mobilização.
Na rodada anterior, realizada em 13 de agosto, a Fenaban não apresentou uma proposta de reajuste salarial, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).
Em vez disso, os bancos propuseram congelar o piso de ingresso para novos bancários e aplicar reajustes diferentes para três faixas salariais. A entidade sindical afirma que os representantes dos bancos ainda não detalharam quais seriam essas faixas nem os percentuais previstos.
Além disso, a proposta inclui mudanças nos vales-alimentação e refeição. Segundo a Contraf, os bancos sugeriram reduzir os valores pagos aos trabalhadores de cidades do interior e manter reajustes apenas para grandes capitais.
Paralisação dos bancários entra na pauta
Diante do impasse, o Comando Nacional dos Bancários aprovou a realização de assembleias nos sindicatos de todo o país. A categoria passou a discutir as propostas apresentadas pelos bancos e a possibilidade de realizar paralisações e manifestações em 20 de agosto.
Os trabalhadores também apresentaram uma lista extensa de reivindicações. Entre os principais pontos estão o aumento real dos salários, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e dos vales-alimentação e refeição.
A categoria ainda cobra a valorização do piso salarial e a criação de um piso específico para trabalhadores da área de tecnologia da informação.
Outro ponto envolve as metas de desempenho. Os bancários pedem o fim das metas consideradas abusivas, além de medidas contra o assédio algorítmico e o monitoramento permanente dos trabalhadores.
A contratação de mais funcionários também aparece entre as reivindicações. A categoria afirma que o reforço das equipes ajudaria a reduzir filas e a sobrecarga de trabalho nas unidades.
Além disso, os trabalhadores defendem políticas de igualdade de oportunidades e ascensão profissional para mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência e LGBTQIA+.
A pauta inclui ainda o fortalecimento de programas de qualificação e a ampliação da participação de mulheres na área de tecnologia.
Por que os bancários dizem que há espaço para reajuste?
A Contraf utiliza números do próprio setor bancário para defender as reivindicações. Segundo a entidade, o patrimônio líquido dos bancos chegou a R$ 1,2 trilhão em 2025.
Ao mesmo tempo, o setor teria fechado 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências entre 2015 e 2025. No período, os cinco maiores bancos ampliaram em 49% os contratos com correspondentes bancários, ainda de acordo com os dados apresentados pela confederação.
A entidade também afirma que a remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados deve alcançar R$ 12,5 milhões em 2026.
Segundo a Contraf, esse valor equivale a aproximadamente 120 vezes a remuneração anual de um escriturário.
Outro dado apresentado pela categoria envolve o movimento nas agências. Em 2025, as unidades bancárias registraram 7,2 bilhões de transações, o equivalente a uma média de 28,6 milhões por dia útil.
A confederação calcula ainda que o lucro por empregado chegou a R$ 438 mil no ano passado.
Vales também estão no centro do impasse
Os benefícios estão entre os principais pontos de discussão. A Contraf afirma que o vale-alimentação acumula perda real de 13% entre 2019 e 2025. No caso do vale-refeição, a entidade aponta uma queda real de 3,7% entre 2023 e 2025.
Para recuperar, segundo os cálculos apresentados pela confederação, o poder de compra do vale-alimentação de 2019, o benefício mensal teria de subir de R$ 924,47 para R$ 1.293,73. Isso representaria um reajuste de aproximadamente 40%.
Como chegaram ao atual impasse?
As negociações da Campanha Nacional dos Bancários começaram em 24 de junho. Na ocasião, o Comando Nacional entregou a pauta de reivindicações à Fenaban.
A primeira rodada ocorreu em 2 de julho e tratou de cláusulas sociais, jornada 4×3, teletrabalho, direito à desconexão e inclusão de pessoas com deficiência.
Depois, em 7 de julho, a segunda rodada discutiu emprego, fechamento de agências, demissões, teletrabalho e os impactos da inteligência artificial no setor.
Em 16 de julho, a terceira rodada abordou igualdade de oportunidades e ampliação de direitos para grupos minorizados.
Na quarta rodada, em 21 de julho, os representantes discutiram saúde mental, metas abusivas e condições de trabalho.
Já em 30 de julho, durante a quinta rodada, os trabalhadores reforçaram a cobrança por aumento real dos salários, da PLR, dos vales e de outras verbas.
A sétima rodada ocorreu em 13 de agosto. Nela, segundo a Contraf, a Fenaban não apresentou uma proposta de reajuste salarial e sugeriu congelar o piso de ingresso, além de criar reajustes diferentes conforme faixas salariais.
Agora, as partes voltam à mesa nesta terça-feira, 18. O resultado da negociação pode definir os próximos passos da categoria.
O que dizem os bancos?
A Federação Nacional dos Bancos afirma ter recebido a pauta de reivindicações apresentada pelos trabalhadores, e que espera alcançar um entendimento satisfatório para ambas as partes.
Enquanto as negociações continuam, os bancários mantêm a possibilidade de paralisar o atendimento em todo o país nesta quinta-feira, 20. A definição dependerá do resultado das tratativas e das decisões tomadas pela categoria.
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