Uma descoberta arqueológica na China chamou a atenção de pesquisadores ao revelar que costumes ligados à alimentação e às bebidas atravessam os séculos de forma surpreendente. Durante a análise de uma tumba antiga, arqueólogos encontraram uma garrafa de bronze contendo vestígios de cerveja produzida há cerca de 2.300 anos. O achado ajuda a compreender não apenas os hábitos alimentares da época, mas também os rituais funerários e as técnicas de fermentação utilizadas por povos antigos.
O estudo foi publicado no periódico científico Journal of Archaeological Science: Reports e investigou o conteúdo de um recipiente encontrado na tumba M39, localizada no cemitério de Shanjiabo, próximo à Grande Muralha de Qin. Segundo os pesquisadores, a bebida foi preservada graças ao eficiente sistema de vedação do recipiente funerário.
Dentro da garrafa, os especialistas identificaram aproximadamente 15 copos de um líquido de coloração azul-esverdeada pálida e sem odor. A análise química apontou mais de 2.400 compostos diferentes, indicando que o material não era resultado de infiltração de água subterrânea, mas sim um antigo resíduo orgânico preservado ao longo dos séculos.
“Este estudo fornece evidências arqueológicas das práticas de fabricação de cerveja do povo Qin, refletindo diretamente a tecnologia autêntica de fabricação de cerveja, o uso diversificado de cereais e até mesmo o bom método de vedação”, escreveram os autores da pesquisa.
Para chegar às conclusões, os arqueólogos utilizaram técnicas modernas de arqueologia molecular e cromatografia de resíduos orgânicos. Os exames detectaram traços de grãos maltados, leveduras e compostos fitolíticos, confirmando a presença de uma bebida alcoólica produzida de forma artesanal durante o período entre 547 e 221 a.C.
Pessoas eram enterradas com objetos
A descoberta também reforça a importância das bebidas alcoólicas nos rituais funerários da antiguidade. Em diversas culturas antigas, era comum que pessoas fossem enterradas com objetos considerados essenciais para a vida após a morte, incluindo alimentos, joias, armas e bebidas.
Apesar de ser chamada de cerveja, a bebida encontrada estava longe do aspecto das versões atuais. Segundo os pesquisadores, as cervejas da antiguidade eram mais espessas, turvas e nutritivas, semelhantes a um mingau fermentado. A produção ocorria de maneira menos refinada, muitas vezes com fermentação espontânea e uso de ingredientes locais para conservar o líquido e suavizar sabores mais ácidos.
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