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Após enfrentar 73 cânceres de pele, mulher de 60 anos se casa com amor que conheceu no hospital

Depois de enfrentar 73 cânceres de pele, cirurgias e mudanças profundas na aparência, a catarinense Hilária Mireski viveu um momento especial no último sábado (10). Aos 60 anos, ela se casou com Adão Pereira, de 49, em uma cerimônia comunitária realizada na Igreja Matriz de Itaiópolis, no Norte de Santa Catarina.

A história de amor começou há cerca de sete anos, em um hospital de Curitiba, no Paraná. Na época, Adão acompanhava o pai durante um tratamento médico, enquanto Hilária frequentava a mesma unidade para cuidar da própria saúde.

A convivência aproximou os dois, e Adão passou a acompanhar Hilária em consultas e procedimentos, principalmente quando as filhas dela não podiam estar presentes. Com o passar do tempo, o vínculo se fortaleceu até que o casal decidiu oficializar a união.

Catarinense enfrentou 73 cânceres de pele desde 1998

A luta de Hilária contra a doença começou em 1998, quando ela percebeu o aparecimento de manchas e lesões pelo corpo. Na época, trabalhava como gari em Itaiópolis e exerceu a atividade por aproximadamente dez anos, com exposição frequente ao sol.

A catarinense convive com a síndrome de Gorlin-Goltz, uma condição genética rara que aumenta a predisposição ao desenvolvimento de tumores, especialmente o carcinoma basocelular, um tipo de câncer de pele.

Ao longo de quase três décadas, Hilária enfrentou 73 cânceres de pele e passou por mais de 90 biópsias, além de diversos procedimentos médicos para tratar as lesões. Como a síndrome favorece o surgimento de novos tumores, ela precisa manter acompanhamento especializado contínuo.

Em 2019, a doença e os tratamentos provocaram consequências graves. Hilária perdeu um dos olhos e parte do nariz, mudanças que afetaram sua aparência e trouxeram novos desafios para o dia a dia.

Hilária também sofreu preconceito por causa da aparência

Além dos procedimentos médicos, a catarinense precisou enfrentar comentários ofensivos nas redes sociais. Ao compartilhar sua trajetória, ela contou que recebeu insultos relacionados à aparência, incluindo ofensas como “monstro”, “ET” e “caveira”.

Os ataques também aconteciam durante transmissões ao vivo, nas quais Hilária conversava com seguidores e relatava experiências pessoais. Apesar do sofrimento provocado pelas agressões, ela continuou expondo sua história e dando visibilidade aos desafios de conviver com uma doença rara.

Seus relatos ajudaram a chamar a atenção para a síndrome de Gorlin-Goltz e para o preconceito enfrentado por pessoas que apresentam sequelas físicas decorrentes de doenças e tratamentos.

Campanha solidária arrecadou mais de R$ 570 mil

Em julho de 2026, a história de Hilária voltou a repercutir após uma campanha de arrecadação organizada pelo influenciador Willian da Bondade.

A mobilização recebeu contribuições para ajudar nas despesas relacionadas ao tratamento e arrecadou mais de R$ 570 mil, segundo informações divulgadas na época.

A iniciativa ampliou a visibilidade da situação da catarinense e mobilizou pessoas interessadas em oferecer apoio diante dos desafios enfrentados ao longo dos anos.

Catarinense pode passar por cirurgia de reconstrução facial

cirurgia de reconstrução facial. O cirurgião bucomaxilofacial Raulino Brasil, de Palhoça, na Grande Florianópolis, assumiu o caso por meio de uma iniciativa social que oferece procedimentos reparadores a pessoas sem condições financeiras de custear as intervenções.

A proposta é avaliar alternativas para reconstruir as estruturas afetadas pela doença e pelos tratamentos anteriores. A realização e a extensão dos procedimentos dependem da avaliação médica e do planejamento da equipe responsável.

Antes de conhecer o marido, Hilária enfrentou casamento violento

Antes de conhecer Adão, Hilária deixou um casamento marcado pela violência e pelo alcoolismo. Após a separação, criou sozinha as duas filhas.

Anos depois, durante os tratamentos em Curitiba, ela conheceu o homem que se tornaria seu companheiro. Ao longo de aproximadamente sete anos, os dois construíram uma relação que cresceu em meio à rotina hospitalar e aos desafios impostos pela doença.

Agora, com a união oficializada em Itaiópolis, Hilária inicia uma nova etapa ao lado de Adão. A história do casal, que começou em um hospital, ganhou um novo capítulo após anos de companheirismo.

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