O cantor Alexandre Pires voltou ao centro de uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à comercialização ilegal de cassiterita. Segundo documentos obtidos pela coluna Mirelle Pinheiro, da Metrópoles, o artista teria recebido mais de R$ 31 milhões de empresas relacionadas ao esquema.
A investigação aponta que R$ 26,6 milhões teriam sido repassados ao cantor pela Metalsur. A PF também identificou outros R$ 4,4 milhões em transferências para o artista. Duas colaboradoras premiadas teriam apresentado informações sobre parte desses pagamentos aos investigadores.
De acordo com a apuração policial, a Metalsur recebeu US$ 20,4 milhões, cerca de R$ 98,4 milhões na cotação da época, da empresa suíça Gerald Metals Sarl. O dinheiro estaria relacionado à compra de um carregamento de cassiterita.
O material investigado, porém, não teria sido entregue. Segundo a PF, a empresa suíça recebeu um caminhão de brita em vez do minério negociado.
A apuração também colocou a empresa ligada a Alexandre Pires no radar dos investigadores. Conforme informações divulgadas pelo Terra, a A. P. N., produtora do cantor, teria recebido aproximadamente R$ 5,35 milhões.
A Polícia Federal investiga se essas movimentações serviram para ocultar ou dissimular recursos de origem ilícita. O inquérito também analisa transferências internacionais e mecanismos utilizados para dificultar o rastreamento dos valores.
Operação Disco de Ouro
Alexandre Pires foi alvo de mandado de busca e apreensão na segunda fase da Operação Disco de Ouro, deflagrada em 23 de setembro. A ação investiga um grupo suspeito de movimentar recursos provenientes de atividades relacionadas ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Nesta etapa, a PF cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e executou 17 ordens judiciais para sequestro de bens e valores. Não houve mandados de prisão contra os investigados nesta fase.
A investigação estima que o esquema tenha movimentado e ocultado mais de US$ 48 milhões, valor que corresponde a aproximadamente R$ 246 milhões na conversão apresentada pela investigação.
O caso envolve ainda os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon. A PF aponta Diego como um dos principais operadores do grupo investigado.
Matheus, por sua vez, mantinha uma relação profissional com Alexandre Pires. Segundo a defesa do cantor, essa relação estava restrita à intermediação de shows.
A primeira fase da Operação Disco de Ouro ocorreu em dezembro de 2023. Na ocasião, a PF já havia identificado movimentações financeiras relacionadas ao cantor. Os investigadores apontaram o recebimento de aproximadamente R$ 1 milhão e apreenderam o celular do artista.
A investigação também registrou um depósito de R$ 375 mil na conta pessoal de Alexandre Pires e uma transferência de R$ 160 mil realizada pela empresa do cantor para um dos investigados.
O que diz a defesa de Alexandre Pires
A defesa de Alexandre Pires nega qualquer envolvimento do cantor com atividades ilegais. Os advogados também rejeitam a existência de vínculo comercial com o grupo investigado além da relação profissional relacionada aos shows.
Em nota divulgada após a nova fase da operação, a defesa afirmou:
“Não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor.”
Os advogados também negaram que o artista tenha participado de garimpo ou extração de minério, especialmente em áreas indígenas.
A investigação continua para esclarecer a origem, a movimentação e o destino dos valores identificados pela Polícia Federal. Eventuais responsabilidades ainda dependem da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.
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