Um projeto criado no oeste do Pará e voltado à promoção da educação antirracista ganhou reconhecimento nacional. A Afroteca – Tecnologia Educacional Antirracista, desenvolvida pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), venceu a 13ª edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na categoria Novas Tecnologias Sociais.
A cerimônia de premiação foi realizada na última sexta-feira (29), em Brasília, reunindo representantes de iniciativas de todo o país. A equipe responsável pelo projeto participou do evento e recebeu o reconhecimento pela proposta que promove o acesso à literatura, cultura e conhecimentos afro-brasileiros, afro-amazônicos e quilombolas.
A seleção ocorreu em três etapas: certificação das tecnologias sociais inscritas, escolha das finalistas e definição das vencedoras. A nota final considerou tanto a votação popular quanto a avaliação da Comissão de Seleção das Vencedoras.
Criada em 2022, a Afroteca é desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa em Literatura, História e Cultura Africana, Afro-Brasileira, Afro-Amazônica e Quilombola (Afroliq), vinculado ao Instituto de Ciências da Educação (Iced) da Ufopa. O projeto busca fortalecer a educação para as relações étnico-raciais por meio da disponibilização de acervos literários, atividades pedagógicas e ações formativas voltadas à valorização da identidade negra e quilombola.
Atualmente, a iniciativa já conta com dez unidades em funcionamento nos municípios de Santarém, Belterra, Oriximiná, Alenquer e Monte Alegre, ampliando o acesso a conteúdos voltados à diversidade cultural e ao combate ao racismo.
A primeira Afroteca foi implantada em Santarém, na sede do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), fruto de uma parceria entre a Ufopa e o Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial do órgão. A promotora de Justiça Lilian Braga, representante do núcleo, também participou da cerimônia de premiação em Brasília.
O reconhecimento nacional reforça o alcance da iniciativa para além da região amazônica. Ao longo dos últimos anos, as afrotecas têm se consolidado como espaços de leitura, pesquisa e formação, contribuindo para a implementação das leis que determinam o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas.
Criado em 2001, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social é considerado a principal iniciativa do país voltada ao reconhecimento e ao incentivo de soluções sociais inovadoras, reaplicáveis e desenvolvidas com participação comunitária. Realizada a cada dois anos, a premiação busca estimular investimentos e parcerias entre o setor público, a iniciativa privada e organizações da sociedade civil para ampliar o alcance de projetos capazes de transformar realidades locais.
Com a conquista, a Afroteca da Ufopa passa a integrar o seleto grupo de tecnologias sociais reconhecidas nacionalmente por promover inclusão, educação e desenvolvimento social, levando o nome do Pará e da Amazônia para o cenário brasileiro de inovação educacional.
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