Um vídeo gravado na última terça-feira (23) e amplamente compartilhado nas redes sociais mostra um grupo de pessoas alimentando macacos no Bosque Rodrigues Alves, em Belém. A cena, que rapidamente ganhou repercussão, expõe uma prática proibida dentro da unidade de conservação e levantou alertas sobre riscos sanitários, acidentes e impactos diretos no comportamento dos animais.
A médica veterinária Ellen Eguchi, diretora do Bosque Rodrigues Alves – Jardim Zoobotânico da Amazônia, alerta que o principal perigo da interação direta entre visitantes e primatas está na transmissão de zoonoses. Segundo ela, a proximidade entre humanos e macacos favorece a disseminação de doenças em ambos os sentidos, colocando em risco tanto a saúde dos animais quanto a das pessoas.
“O risco maior, além de desbalancear a dieta que eles recebem no parque, é a transmissão de doenças. A proximidade com relação aos primatas não humanos aos humanos é muito grande. Existem centenas de doenças em que a gente pode veicular para eles e eles podem veicular para a gente. Um exemplo clássico é a herpesvirose, que a nossa é letal para eles e a deles também pode ser letal para nós”, explica.
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VÍDEO VIRALIZOU RAPIDAMENTE
Nas imagens do registro compartilhado nas redes sociais, é possível ver diversos macacos se aglomerando ao redor de pessoas que oferecem alimentos, atraídos principalmente por frutas. A movimentação dos animais e a interação direta com os visitantes chamaram atenção de quem registrava a cena.
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Durante a gravação, uma mulher narra o momento com entusiasmo e surpresa: “Gente, uma confusão acontecendo aqui no centro da cidade de Belém! Olhem só, gente! E olha os animais, gente, fica tudo assim aqui. Que coisa linda é a natureza, né? Pega mais banana lá, pega mais banana!”.
ANIMAIS PODEM SOFRER MUDANÇAS DE COMPORTAMENTO
Embora a interação entre seres humanos e animais possa parecer inofensiva à primeira vista, a diretora do Bosque Rodrigues Alves explica que a oferta irregular de alimentos altera o comportamento natural dos macacos, que passam a associar a presença humana à obtenção de comida.
“A maior parte dos comportamentos desses macaquinhos é associado ao comportamento humano. Uma vez que eles aprendem que os humanos fazem a seção de comida, eles vão ser condicionados a partir disso e vão para as áreas onde mais ocorre, próximo do restaurante, próximo de parada de ônibus, na porta de entrada”, esclare Ellen Eguchi.
Ela ainda acrescenta que esse padrão de comportamento é mais frequente em momentos de grande circulação de pessoas no parque e também em áreas externas com fluxo intenso, como saídas de instituições de ensino e pontos de ônibus.
RISCO DE ACIDENTES E INTERAÇÃO PERIGOSA
Além dos riscos sanitários, a veterinária alerta para a possibilidade de acidentes envolvendo os animais condicionados ao contato humano.
“Sim, com certeza existe risco de acidente. O macaquinho não sabe com onde é que começa a liberdade dele, onde é que termina, né? Então, às vezes ele rouba os alimentos, às vezes ele pode atacar. Assim como eu falei sobre as transmissões de antropozoonoses e zoonoses”, enfatiza.
CONTROLE ALIMENTAR E MUDANÇA NO MANEJO DO PARQUE
A diretora do Bosque Rodrigues Alves informou, ainda, que os primatas recebem alimentação diária balanceada e acompanhada por equipe técnica, com monitoramento semanal e rotina de manejo definida. Segundo Ellen Eguchi, o parque está ajustando procedimentos para melhorar a experiência dos visitantes e reduzir comportamentos condicionados.
“O acompanhamento desses animais é feito de maneira diária e semanal. E a gente vai instituir agora, porque eles recebem a alimentação todos os dias. Porém, a gente vai instituir um horário em que os visitantes tenham acesso, porque eles se alimentam antes da abertura da visitação”, adianta.
Ela também detalha a criação de um ponto específico de observação. “E a gente vai colocar um outro horário agora, 10h30 da manhã, no comedouro deles, que fica no centro do parque, na fonte dos intendentes, para que os visitantes possam ver a alimentação. Porque eu acho que só a gente falando não está sendo suficiente”, pondera a especialista.
ORIENTAÇÃO EM CASOS DE ANIMAIS SILVESTRES EM ÁREAS URBANAS
Por fim, a diretora reforça o protocolo correto para situações envolvendo animais silvestres fora do habitat adequado: “Se eu encontrar qualquer animal silvestre na rua, qualquer um, independente de ser macaco, ser garça, o que quer que seja, tem que ligar para 190, Polícia Militar, Batalhão de Polícia Ambiental e eles vão fazer a remoção desse indivíduo para o local mais adequado.”
VEJA O VÍDEO:






