O torcedor azulino que compareceu ao Estádio Mangueirão nesta segunda-feira (31) testemunhou mais um capítulo dramático e vexaminoso do Clube do Remo no Campeonato Brasileiro. Em uma partida em que teve o controle em diversos momentos e chegou a conquistar uma virada heroica, o Leão se viu vítima dos próprios erros defensivos e das falhas no ataque, e acabou sendo derrotado por 3 a 2 pelo Coritiba. O resultado trágico não apenas frustrou os torcedores, mas também desperdiçou uma das maiores oportunidades que teve na competição de deixar a zona de rebaixamento.
Com a derrota, o Remo estaciona nos 23 pontos e permanece na penúltima colocação do campeonato, à frente apenas da lanterna Chapecoense e seus 14 pontos. Com a derrota por virada dentro de casa, o Clube do Remo alcança a triste marca de 21 rodadas seguidas dentro do Z4, desde a derrota por 2 x 0 para o Fluminense, ainda em março.
A primeira equipe fora da zona da degola é o Mirassol, que soma 25 pontos. Enquanto o Leão Azul se afunda no desespero, o Coritiba aproveita o triunfo fora de casa para subir para a sétima colocação, com 37 pontos.
O primeiro tempo: domínio improdutivo e chances desperdiçadas
A etapa inicial foi desenhada para o Remo construir uma vitória tranquila, mas o que se viu foi um festival de gols perdidos que cobraria um preço alto mais tarde. Logo aos 6 minutos, o Coritiba deu o primeiro susto quando Pedro Rocha aproveitou um cruzamento rasteiro de Bruno Melo e acertou a trave do goleiro Marcelo Rangel. A resposta do Remo veio aos 8 minutos, quando Yago Pikachu inverteu o jogo e encontrou Galeano livre na área, mas o atacante isolou a bola por cima da meta.
A partir daí, o Remo passou a dominar as ações ofensivas e a empilhar oportunidades claras. Aos 23 minutos, Marcelinho chegou a driblar o goleiro Pedro Morisco, mas perdeu o ângulo e mandou por cima. Pouco depois, em um contra-ataque rápido do Coritiba, o goleiro Marcelo Rangel precisou intervir em chute de Pedro Rocha para evitar o gol adversário.
Antes de ir para o vestiário, o Remo promoveu um verdadeiro bombardeio contra a defesa paranaense. Gabriel Taliari aproveitou uma saída errada de Pedro Morisco, tirou o goleiro da jogada, mas finalizou na rede pelo lado de fora. Na sequência, Galeano chutou rasteiro no canto e parou em grande defesa de Morisco. Já nos acréscimos, Zé Welison cruzou para a área e a zaga do Coritiba salvou de cabeça antes que Taliari, livre de marcação, pudesse empurrar para as redes. A ineficiência ofensiva do Leão Azul desenhou um cenário perigoso para o segundo tempo.
O segundo tempo: drama, virada relâmpago e o castigo nos acréscimos
Se a primeira etapa não teve gols, os segundos 45 minutos reservaram um roteiro de altos e baixos implacável para o Remo. O pesadelo azulino começou logo aos 2 minutos, quando Pedro Rocha cobrou escanteio e o volante Zé Welison, ao tentar afastar na primeira trave, cabeceou contra o próprio patrimônio, abrindo o placar para o Coritiba. Os jogadores do Remo reclamaram de um empurrão de Jacy na jogada, mas o VAR confirmou o gol contra.
O gol sofrido acordou o Remo, que iniciou uma blitz ofensiva avassaladora e conseguiu uma virada espetacular em apenas quatro minutos. Aos 15 minutos, Zé Ricardo recebeu na ponta esquerda, cortou a marcação de JP Chermont e Sebas Gómez e soltou uma bomba que explodiu no travessão antes de entrar, empatando o confronto com um golaço. Aos 17 minutos, Gabriel Taliari foi derrubado na área por JP Chermont, e a árbitra Daiane Muniz assinalou o pênalti. Na cobrança, Yago Pikachu parou na defesa do goleiro Pedro Morisco, mas mostrou agilidade para pegar o rebote e empurrar para as redes, decretando a virada para 2 a 1 aos 19 minutos.
Quando o Mangueirão comemorava o que parecia ser a saída do Remo do Z4, a fragilidade defensiva da equipe paraense se fez presente de forma vexatória. Aos 31 minutos, após bate-rebate na área, Paulo Roberto evitou a saída da bola pela linha de fundo e cruzou rasteiro para Fabinho escorar e empatar em 2 a 2. Houve muita reclamação de falta de Pedro Rocha no início da jogada, mas o gol foi validado.
O empate desestabilizou o Remo, que tentou se lançar ao ataque com as entradas de Alef Manga e Vitor Bueno, mas esbarrou novamente nas defesas de Pedro Morisco. O castigo final veio aos 48 minutos, nos acréscimos. Em um contra-ataque mortal iniciado após intervenção de Morisco, Paulo Roberto serviu Sebastian Gómez, que rolou para Pedro Rocha bater no canto esquerdo baixo de Marcelo Rangel, selando a vitória do Coritiba por 3 a 2. A lei do ex funcionou com requintes de crueldade no Mangueirão, já que Pedro Rocha havia sido artilheiro pelo Remo na temporada anterior.
A derrota em casa expõe as imensas limitações do Remo e complica drasticamente o seu futuro na competição. O time perde uma oportunidade preciosa diante de seu torcedor e agora precisa se preparar para uma sequência extremamente difícil. O Leão Azul volta a campo no próximo domingo, dia 6 de setembro, para enfrentar o Flamengo no próprio Mangueirão. No mesmo dia, o Coritiba recebe o Mirassol no Estádio Couto Pereira.






