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Vasco aprova venda da SAF para grupo de Lamacchia

Os sócios do Vasco da Gama aprovaram, nesta sexta-feira (23), a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube para a Almirante Participações, empresa que tem entre seus sócios o empresário Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A proposta recebeu 90,6% dos votos favoráveis em Assembleia Geral Extraordinária e representa uma etapa decisiva no processo de transferência do controle do futebol vascaíno.

A votação ocorreu das 10h às 20h, em formato híbrido. Os associados puderam votar presencialmente na sede náutica do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ou pela internet, utilizando um link e uma senha enviados por e-mail, WhatsApp e SMS.

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Ao todo, a proposta de venda da SAF recebeu 4.675 votos favoráveis, 437 contrários e 48 abstenções.

Além da venda, os sócios aprovaram uma alteração no estatuto do clube que reduz de 20% para 10% a participação mínima da associação na SAF. A mudança permite que a Almirante Participações detenha até 90% das ações da empresa.

Veja como foi a votação

Os associados analisaram duas propostas durante a assembleia. A primeira tratava da alteração estatutária, enquanto a segunda previa a venda da SAF para a Almirante Participações.

Item 1 – Alteração do estatuto:

  • Votos favoráveis: 4.852;
  • Votos contrários: 479;
  • Abstenções: 69;
  • Aprovação: 89,5%.

Item 2 – Venda da SAF:

  • Votos favoráveis: 4.675;
  • Votos contrários: 437;
  • Abstenções: 48;
  • Aprovação: 90,6%.

Com a aprovação dos dois itens, o processo avança para as próximas etapas necessárias à conclusão do negócio. Entretanto, a transferência do controle ainda depende de questões regulatórias relacionadas à participação de Lamacchia no grupo comprador e ao vínculo familiar com a presidente do Palmeiras.

Possível conflito de interesses impede conclusão imediata

Apesar da aprovação dos associados, Marcos Lamacchia ainda não assume imediatamente o controle da SAF vascaína. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), investiga um possível conflito de interesses decorrente da relação familiar do empresário com Leila Pereira.

As regras da agência proíbem que uma pessoa física ou jurídica exerça, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube.

Enquanto a investigação estiver em andamento, a Anresf também proibiu a realização de negócios entre Vasco e Palmeiras.

A Almirante Participações afirma que está disposta a cumprir eventuais exigências regulatórias e realizar as adequações necessárias durante o mandato de Leila Pereira à frente do Palmeiras, previsto para terminar em dezembro de 2027.

O presidente do Vasco, Pedrinho, minimizou a possibilidade de conflito de interesses após a aprovação da proposta.

“A questão do conflito de interesses para mim é zero. Zero, zero, zero. E eu vou respeitar todos os critérios estipulados pela CBF. Porque, se a CBF determinar, vai ser feita. Mas eu não vejo problema nenhum”, declarou.

A empresa compradora também conta com parecer favorável do Ministério Público à homologação do leilão da SAF, realizado pela Justiça em 25 de setembro.

Investimento pode ultrapassar R$ 2 bilhões

Os termos do contrato preveem investimentos que podem superar R$ 2 bilhões, considerando os aportes destinados ao futebol, os recursos para infraestrutura e a responsabilidade pelas dívidas e obrigações da SAF.

O plano financeiro está dividido em diferentes frentes:

  • R$ 500 milhões para o futebol: aporte de R$ 100 milhões por ano até atingir o valor total previsto;
  • R$ 150 milhões para infraestrutura: recursos destinados aos centros de treinamento das equipes profissional e de base;

Recursos adicionais para dívidas e obrigações: a Almirante Participações assumirá os ativos esportivos e as dívidas da SAF, além de se comprometer a aportar valores extras caso sejam necessários para cumprir obrigações financeiras.

A última previsão inclui compromissos relacionados à recuperação judicial, dívidas tributárias, obrigações extraconcursais, fluxo de caixa e infraestrutura. Segundo os termos apresentados, caso os recursos disponíveis sejam insuficientes para cobrir essas despesas, Lamacchia deverá realizar novos aportes sem receber participação societária adicional em troca.

Somente essa obrigação adicional é estimada em aproximadamente R$ 1,5 bilhão, o que ajuda a explicar a projeção de investimento total superior a R$ 2 bilhões.

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