Os relatos de moradores de Belém que sentiram prédios balançarem na noite da última quarta-feira, 24 de junho, ganharam uma confirmação científica. Segundo o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e a Rede Sismográfica Brasileira, as vibrações percebidas em diversos pontos da capital paraense foram reflexos de um forte terremoto registrado na Venezuela.
A informação foi confirmada pelo sismólogo Bruno Collaço, pesquisador do Centro de Sismologia da USP e integrante da Rede Sismográfica Brasileira. De acordo com ele, dois terremotos de grande magnitude ocorreram na noite de quarta-feira (24) no norte venezuelano, próximos à cidade de Morón.
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“O primeiro evento teve magnitude 7,2 e, cerca de 30 segundos depois, ocorreu um segundo terremoto de magnitude 7,5”, explicou o especialista.
Segundo Collaço, os tremores ocorreram a aproximadamente 15 quilômetros de profundidade, característica que aumenta significativamente o potencial destrutivo dos abalos.
Tremor foi sentido no Pará
Apesar da distância entre o epicentro e o território brasileiro, as ondas sísmicas percorreram milhares de quilômetros e puderam ser percebidas em diferentes estados da Região Norte.
De acordo com o sismólogo, moradores de cidades do Amazonas, Roraima, Amapá e Pará relataram a sensação de tremor.
“No Pará também foi possível sentir esses tremores. As ondas sísmicas se propagaram por grandes distâncias e foram percebidas principalmente em edifícios altos”, destacou o especialista.
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Em Belém, moradores de condomínios localizados nos bairros do Umarizal, Jurunas, Nazaré, Pedreira e Cremação relataram oscilações em apartamentos e áreas comuns. Em alguns casos, prédios chegaram a ser evacuados preventivamente após o acionamento de sistemas de emergência.
Um documento obtido por órgãos de segurança registrou pelo menos nove pontos distintos da capital onde houve relatos de percepção dos tremores.
Horário favoreceu percepção dos moradores
Segundo Bruno Collaço, o horário em que o terremoto ocorreu também contribuiu para que mais pessoas percebessem o fenômeno.
“As pessoas estavam em casa, em um momento mais tranquilo do dia. Isso aumenta bastante as chances de sentir a passagem das ondas sísmicas”, explicou ele.
A sensação de vibração, embora cause susto, não representa risco significativo para cidades brasileiras tão distantes do epicentro.
“As ondas vão enfraquecendo conforme percorrem grandes distâncias. Apesar dos danos que podem ocorrer na região do epicentro, as chances de qualquer impacto estrutural relevante no Brasil são praticamente nulas”, afirmou o sismólogo.
Réplicas podem ocorrer
O especialista alerta que terremotos dessa magnitude costumam gerar réplicas nos dias seguintes ao evento principal.
“Não é possível prever terremotos. Muitos cientistas acreditam que isso nunca será possível. Mas sabemos que eventos desse porte costumam ser seguidos por réplicas que podem continuar ocorrendo durante dias ou até semanas”, alerta ele.
Região possui intensa atividade tectônica
Segundo o Centro de Sismologia da USP, o norte da Venezuela está localizado em uma das regiões tectonicamente mais complexas do continente americano.
O local é influenciado pela interação entre diversas placas tectônicas, incluindo as placas do Caribe e Sul-Americana, além de sistemas geológicos que se estendem até áreas próximas ao México.
Esse contexto geológico favorece a ocorrência de terremotos de grande magnitude e explica a frequência de eventos sísmicos registrados na região.
Enquanto autoridades brasileiras seguem monitorando os relatos, a confirmação do Centro de Sismologia da USP esclarece o que muitos moradores de Belém sentiram: as oscilações registradas nos edifícios da capital foram reflexos diretos de um dos mais fortes terremotos registrados na Venezuela nos últimos anos.
Brasil oferece ajuda a Venezuela
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou solidariedade ao povo venezuelano após os fortes terremotos que atingiram o país e colocou o Brasil à disposição para prestar assistência às áreas afetadas.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou ter recebido com preocupação as informações sobre os danos causados pelos abalos sísmicos e informou que determinou ao Ministério das Relações Exteriores o acompanhamento da situação.
“Tomei conhecimento, com grande preocupação e consternação, dos impactos causados pelo terremoto que atingiu a Venezuela nesta quarta-feira (24)”, declarou o presidente.
Segundo Lula, o Itamaraty foi orientado a atuar em conjunto com a Embaixada do Brasil em Caracas para avaliar as necessidades mais urgentes e identificar possíveis formas de cooperação humanitária.
Tomei conhecimento, com grande preocupação e consternação, dos impactos causados pelo terremoto que atingiu a Venezuela nesta quarta (24). Instruí o ministério das Relações Exteriores que avalie, juntamente com a embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de…
— Lula (@LulaOficial) June 25, 2026
O presidente também reafirmou a disposição do governo brasileiro em colaborar com os esforços de recuperação das áreas atingidas.
“Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades”, afirmou.
Governo acompanha situação dos brasileiros
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha os desdobramentos da tragédia e lamentou as perdas humanas e materiais registradas na Venezuela.
Até o momento, segundo o governo brasileiro, não há registro de cidadãos brasileiros entre as vítimas dos terremotos.
O Itamaraty também divulgou canais de emergência para brasileiros que estejam em território venezuelano e necessitem de assistência consular.







