A derrota do Paysandu para o Brusque por 2 a 1, em pleno Mangueirão, pela abertura do quadrangular decisivo da Série C do Brasileiro, provocou um explosivo desabafo de Hadson Nery. Ex-jogador do Papão, treinador e participante do BBB 20, o paraense disparou contra a postura do elenco, chamou os atletas de “frouxos”, “covardes” e “bando de marica” e afirmou que, a partir de agora, conquistar o acesso à Série B de 2027 virou obrigação.
Conhecido também como “Hadballa, Hadson” publicou um vídeo nas redes sociais depois do tropeço desta segunda-feira (7). Sem economizar nas palavras e visivelmente irritado com a atuação bicolor, ele acusou os jogadores de repetirem erros e de não demonstrarem a postura que considera necessária para disputar a fase mais importante da temporada.
“E vou cobrar, vou cobrar jogadores do Paysandu, entendeu? Vocês só podem estar de palhaçada. Pelo segundo jogo consecutivo que vocês fazem o torcedor de palhaço. Seus frouxos! Seus covardes!”, disparou.
A indignação aumentou quando o ex-jogador passou a questionar a competitividade demonstrada pela equipe dentro de campo. “Que atitude é essa de merda que vocês estão jogando no quadrangular final, porra? Pra alcançar o maior objetivo do clube”, afirmou.
“Bando de marica”
Uma das críticas mais fortes de Hadson foi direcionada à falta de imposição física e emocional que, segundo ele, o Paysandu demonstrou diante do Brusque. O ex-atleta reclamou da ausência de jogadores capazes de intimidar o adversário, cobrar a arbitragem ou aumentar a intensidade da partida.
“Porra, não tem um jogador que dá uma chegada, jogador que dá uma porrada no adversário, jogador que não intimida ninguém, jogador que não fala com o juiz, dentro de casa, porra! Bando de marica!”, disparou.
A crítica coincide com um dos problemas observados na derrota. O Brusque encontrou espaços para construir os dois gols ainda no primeiro tempo. JP Martins abriu o placar e Marlyson ampliou depois de avançar diante da defesa bicolor. Marcinho diminuiu em cobrança de falta antes do intervalo, mas o Paysandu não conseguiu buscar o empate.
O próprio técnico Júnior Rocha reconheceu posteriormente que seus jogadores poderiam ter interrompido as jogadas que originaram os gols. O treinador afirmou que costuma pedir aos atletas que sejam combativos e “matem” jogadas perigosas, algo que, segundo ele, não ocorreu nos dois gols catarinenses.
A defesa chegou a 29 gols sofridos na Série C, ficando a apenas um do Maringá, dono da pior marca da competição. A situação levou Júnior Rocha a admitir que considera escalar a equipe com três zagueiros.
“Até a minha vó de muleta passa”
Hadson reservou uma das frases mais contundentes do vídeo justamente ao sistema defensivo.“Essa zaga aí até a minha vó de muleta passa, porra. Que time é esse? Quer subir?”, questionou.
O ex-BBB também reclamou do que considera uma dependência excessiva das jogadas individuais do meio-campo Marcinho, autor do único gol bicolor contra o Brusque.
“Ou vocês vão ficar dependendo só do Marcílio? Tirar o coelho da cartola, porra?”, criticou, referindo-se ao jogador.
Marcinho marcou um golaço de falta aos 39 minutos do primeiro tempo e recolocou o Paysandu na partida. Depois do intervalo, porém, a equipe encontrou dificuldades para criar.
Júnior Rocha colocou Ítalo e Juninho juntos no comando do ataque e realizou cinco substituições, mas os dois centroavantes receberam poucas bolas em condições de finalizar. A pressão final ficou concentrada principalmente em cruzamentos para a área.
“Subir é obrigação”
Hadson também endureceu o discurso sobre a responsabilidade do elenco. Para ele, não há mais espaço para justificativas diante do tamanho do Paysandu e do objetivo estabelecido para a temporada.
“Palhaçada que vocês fizeram hoje mais uma vez. Subir é obrigação, meu irmão. A partir de hoje subir é obrigação. Quem não aguenta pede pra sair”, afirmou.
Em seguida, voltou a cobrar os jogadores:
“Quem não tá acostumado com isso pede pra ir embora, meu irmão. Porque quem dá desculpa é time pequeno, meu irmão.”
O Paysandu entrou no quadrangular depois de terminar a primeira fase na sétima colocação. A classificação veio mesmo com a derrota por 1 a 0 para o Maringá, também no Mangueirão.
O resultado diante do Brusque, portanto, representou o segundo tropeço consecutivo da equipe em Belém.
Cobrança a Júnior Rocha e pedido por jogos na Curuzu
O treinador Júnior Rocha também apareceu no desabafo. Diferentemente dos ataques dirigidos aos jogadores, Hadson cobrou do comandante uma postura mais dura internamente.
“Professor Júnior Rocha tem que chamar esses caras, sim. Tem que dar duro, sim. Tem que mudar a postura e a atitude desses jogadores aí”, declarou.
Na sequência, rebateu antecipadamente a possibilidade de uma cobrança mais forte provocar desgaste entre treinador e elenco.
“Vai perder grupo? Não vai perder grupo porra nenhuma. O que a gente não pode perder é a porra do acesso.”
Após a derrota, Júnior Rocha reconheceu que o Paysandu não conseguiu ser efetivo. O treinador apontou falta de sincronia depois da mudança para um sistema com dois centroavantes e admitiu preocupação com o desempenho defensivo.
O técnico terá pouco tempo para encontrar soluções. A segunda fase é disputada em turno e returno, com apenas seis partidas para cada equipe. Os dois primeiros colocados da chave garantem vaga na Série B de 2027.
Hadson quer jogos na Curuzu
Além das críticas ao elenco, Hadson fez uma reivindicação direta à diretoria: retirar do Mangueirão os próximos jogos do quadrangular em Belém e mandar as partidas na Curuzu.
“É isso, diretoria. Jogos agora têm que ser na Curuzu, meu irmão, tá? Porque Mangueirão é campo neutro”, defendeu.
Para o ex-jogador, a proximidade das arquibancadas com o gramado da Curuzu aumentaria a pressão sobre adversários e arbitragem e, principalmente, sobre os próprios jogadores do Paysandu.
“Na Curuzu esses jogadores aí sentem a pressão da torcida. Dá pra pressionar os árbitros. O adversário também se sente pressionado. E é lá que nós vamos conseguir o nosso acesso, pô”, afirmou.
A tabela atualmente divulgada pela CBF prevê os outros dois jogos do Paysandu como mandante no Mangueirão: contra a Inter de Limeira, em 20 de setembro, e diante da Ferroviária, no dia 3 de outubro.
Ex-jogador tem história no papão
Embora tenha se tornado conhecido nacionalmente depois de participar do BBB 20, Hadson construiu trajetória profissional no futebol antes de entrar para os realities.
Revelado pelo Remo e com passagem pelas categorias de base do Corinthians, atuou como lateral-esquerdo e meio-campista. Vestiu ainda as camisas de Paraná, Brasil de Pelotas, Tuna Luso, América-SP, Bragantino-PA e clubes do exterior.
No Paysandu, teve duas passagens, em 2008 e 2011. Em sua segunda passagem pela Curuzu, participou da conquista da Taça Cidade de Belém, equivalente ao primeiro turno do Campeonato Paraense.
Hadson também atuou em Portugal e chegou a trabalhar com Jorge Jesus no União de Leiria. Depois de deixar os gramados, passou pela gestão de futebol e investiu na carreira de treinador, obtendo a Licença B da CBF e comandando equipes do Norte do país.
Essa trajetória foi usada pelo próprio Hadson para construir nas redes sociais uma presença que mistura entretenimento e opiniões sobre futebol, especialmente sobre os clubes paraenses.
Papão precisa reagir
A cobrança ocorre no momento em que qualquer novo tropeço pode aumentar significativamente a pressão sobre o Paysandu.O Papão está em um grupo com Brusque, Ferroviária e Inter de Limeira. As quatro equipes se enfrentam duas vezes, e apenas as duas primeiras colocadas garantem o acesso.
Depois da derrota na estreia, a equipe bicolor volta a campo no domingo (13), às 16h, contra a Ferroviária, na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara. A partida traz uma lembrança ruim. Na primeira fase, o Paysandu foi goleado por 4 a 0 pela Ferroviária no mesmo estádio.
Restam cinco jogos para transformar o cenário. Para Hadson Nery, entretanto, o momento de relativizar os problemas terminou. “Quem não aguenta pede pra sair”, resumiu o ex-jogador em um dos trechos mais duros do desabafo.
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