A decisão de Romário (PL-RJ) de permanecer no Senado Federal enquanto atua como comentarista da Copa do Mundo 2026, nos Estados Unidos, abriu uma nova discussão sobre o exercício do mandato parlamentar longe de Brasília.
Ele foi contratado pela CazéTV para participar da cobertura do Mundial. Ainda assim, optou por não se licenciar do cargo de senador pelo Rio de Janeiro. Com isso, continuará recebendo o salário de aproximadamente R$ 46 mil pago aos integrantes da Casa.
A legislação permite que parlamentares participem de determinadas atividades de forma remota. Por isso, a estratégia de Romário é acompanhar os trabalhos do Senado à distância durante o período em que permanecerá nos Estados Unidos.
Debates relevantes no Congresso e o calendário legislativo
A escolha chamou atenção porque o afastamento ocorrerá em um momento de debates considerados relevantes para o Congresso. Entre os temas que devem avançar nas próximas semanas está a proposta – olha só a ironia – que discute o fim da escala 6 por 1 e a redução da jornada semanal para 40 horas.
Outro ponto que entra no debate é o calendário legislativo. Pelo Regimento Interno do Senado Federal, o recesso parlamentar de meio de ano ocorre entre 18 e 31 de julho. No entanto, ele só pode ser realizado caso o Congresso aprove antes a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Como a permanência de Romário nos Estados Unidos deve ultrapassar esse período, a discussão sobre sua ausência física ganha ainda mais repercussão.
Licença temporária e atividades paralelas
Caso optasse pela licença temporária, o senador abriria espaço para a convocação do suplente durante a cobertura da Copa. No entanto, também deixaria de receber a remuneração referente ao exercício do mandato naquele intervalo.
Segundo o gabinete do parlamentar, não haverá prejuízo às atividades legislativas. A equipe afirma que Romário continuará acompanhando as pautas em tramitação e participará das sessões em que o sistema remoto estiver autorizado.
Além das transmissões esportivas, o senador também aparece em ações publicitárias ligadas ao mercado de apostas esportivas durante o Mundial. A combinação entre a atividade privada, a manutenção do mandato e o recebimento do salário parlamentar ampliou a repercussão do caso nas redes sociais e nos bastidores políticos.
A situação, inevitavelmente traz um debate recorrente em Brasília: até que ponto atividades profissionais paralelas podem coexistir com o exercício de um mandato parlamentar sem provocar questionamentos da opinião pública?
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