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Roteiro de Dark Horse expõe polêmicas políticas de Bolsonaro

O roteiro cinematográfico ainda em desenvolvimento de Dark Horse, que dramatiza o atentado a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e a ascensão política dele, vem provocando fortes debates nas redes sociais pela abordagem direta e altamente politizada de personagens e eventos recentes da história brasileira.

Divulgado pelo jornal O Globo, o material revela uma narrativa que mistura reconstrução do atentado de 2018 com interpretações ficcionais de figuras públicas e bastidores da campanha eleitoral. Além disso, a produção voltou a chamar a atenção nas últimas semanas por conta com patrocínio de Daniel Vorcaro, empresário que atualmente está preso sob acusações que incluem corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. 

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No centro da história do roteiro divulgado, também aparecem versões ficcionalizadas de lideranças políticas brasileiras, como Luiz Inácio Lula da Silva, Damares Alves, Michelle Bolsonaro e Gilson Machado. Embora inseridos em uma estrutura dramática, os personagens são utilizados para construir uma leitura simbólica e, em alguns momentos, provocativa do cenário político brasileiro.

Além disso, as cenas descritas no roteiro alternam entre tensão, simbolismo e exagero dramático, e foi visto como um reforço da estética de thriller político. Em diferentes passagens, o texto sugere conflitos ideológicos explícitos, elementos místicos e reconstruções do atentado de forma estilizada, levantando questionamentos sobre os limites entre ficção, interpretação histórica e representação de figuras públicas.

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Confira partes divulgadas do roteiro:

‘Adoradora de Lula’

No enredo, Jair Bolsonaro aparece principlmente por meio de imagens de arquivo e citações, sem interação direta com outros personagens políticos. Durante a preparação para a cirurgia após a facada sofrida na campanha, o personagem demonstra desconfiança em relação à equipe médica, chegando a suspeitar que uma enfermeira seria uma “adoradora de Lula”.

O trecho original do roteiro descreve o momento assim:


BOLSONARO (V.O.) Do these doctors know what the hell they’re doing? Dear God!

DR. TAVARES Scissors, please…

DR. ALVARO Nurse…

A COLD NURSE (Not Renata) comes out of her thoughts, hands over the first instrument –

BOLSONARO (V.O.) Did he say scissors? Haven’t I been cut enough? And what did they take out? Are they going to put it back? What if these people are all Leftists? Lula worshippers? That Nurse has a cold look in her eyes –

She stares at him. Then we drift up to the HARSH LIGHTS –

Tradução:

BOLSONARO (V.O.) Esses médicos sabem o que diabos estão fazendo? Meu Deus!

DR. TAVARES Tesoura, por favor…

DR. ALVARO Enfermeira…

UMA ENFERMEIRA FRIA (Não Renata) desperta de seus pensamentos, entrega o primeiro instrumento –

BOLSONARO (V.O.) Ele disse tesouras? Eu já não fui cortado o suficiente? E o que eles tiraram? Eles vão colocar de volta? E se essas pessoas forem todas esquerdistas? Adoradores do Lula? Aquela enfermeira tem um olhar frio…

Aurélio e os ‘marxistas drogados’

O autor do atentado, Adélio Bispo, é retratado no filme sob o nome fictício de Aurélio Barba. Na narrativa, ele aparece como alguém com histórico de militância e ligações com grupos de esquerda, com a motivação do crime associada a esse contexto político.

Apesar disso, Adélio afirmou em depoimentos que agiu “a mando de Deus”, e o PSOL, partido ao qual foi filiado entre 2007 e 2014, sempre negou qualquer ligação com o atentado.

Em sua introdução na trama, o personagem relata sua trajetória:

AURELIO I was with the Radical Socialists, my friend. Then the F.L.P. (then, rises, explains)AURELIO I was even with the Marxists, but they do too many drugs. The F.L.P. recruited me back, I knocked heads for them. If it needs to be done, Aurelio Barba takes care of it. For the people! For the revolution!

Tradução:

AURÉLIO: Eu estive com os Socialistas Radicais, meu amigo. Depois o F.L.P. (então, levanta-se, explica)

AURÉLIO: Eu estive até com os Marxistas, mas eles usam drogas demais. O F.L.P. me recrutou de volta, eu quebrei cabeças para eles. Se algo precisa ser feito, Aurélio Barba cuida disso. Pelo povo! Pela revolução!

Mais adiante, o roteiro reforça essa ligação por meio de uma investigação jornalística da personagem Lara Clarke, que descreve o passado do agressor como conectado a partidos de esquerda e ao grupo F.L.P., associado ao cenário político dominado por forças como PT e PSOL.

‘Pílulas mágicas’ de Damares

Em outra passagem, a personagem inspirada em Damares Alves surge como Dolores, descrita como uma figura mística de aparência “xamânica”. Ela entrega a Bolsonaro “pílulas mágicas” durante sua recuperação.

O trecho do roteiro mostra:

DOLORES A fever is coming.

She pulls a tiny plastic bag of pills -not commercially made, crude, as if made in her kitchen.

DOLORES (CONT’D) These will protect you.

She hands him a glass of water from the table.

MICHELLE Don’t, Jair…

He grins, unconcerned, raises the glass to everyone, drinks down two pills. He turns, sees that Dolores has gone.

He looks around, as do the others, but she’s retreated down some dark alley.

BOLSONARO Where’d she go?!

EDUARDO Gone. Like a ghost!

Tradução:

DOLORES: Uma febre está chegando.

Ela tira um pequeno saco plástico com pílulas – não fabricadas comercialmente, rústicas, como se tivessem sido feitas em sua cozinha.

DOLORES (CONT.): Estas vão te proteger.

Ela lhe entrega um copo de água da mesa.

MICHELLE: Não, Jair…

Ele abre um sorriso, despreocupado, levanta o copo e engole duas pílulas. Em seguida, percebe que Dolores desapareceu.

Mais tarde, a personagem reaparece no hospital, na UTI, reforçando a ideia de que Bolsonaro teria sido “poupado por Deus” e ainda entregando novas pílulas para ajudá-lo antes de um debate.

Briga com violão

O ex-ministro Gilson Machado é representado como Zico, um integrante da equipe de campanha de Bolsonaro que aparece tocando violão para animar o ambiente durante a internação.

Na narrativa, ele participa de uma cena de confronto em frente ao hospital, onde apoiadores e um grupo de “esquerdistas” entram em conflito. Em uma sequência descrita como improvisada, Zico passa de músico a combatente usando o próprio instrumento.

O trecho do roteiro descreve:

A SUPPORTER shoves a RUFFIAN in the face, is clubbed by a * THUG behind him. He falls. TWO THUGS step in to club him. *

TWO THUGS come at Zico as he plays his guitar. Zico stops * playing, SWINGS HIS GUITAR at the TWO MEN, they back off. *

SMOKE BOMBS erupt, thrown by Thugs, rising smoke diffuses * everything.

Tradução:

UM APOIADOR empurra um ARRUACEIRO no rosto, e é atingido por um porrete por um BANDIDO atrás dele. Ele cai. DOIS BANDIDOS se aproximam para espancá-lo.

DOIS BANDIDOS avançam contra Zico enquanto ele toca seu violão. Zico para de tocar, GOLPEIA OS DOIS HOMENS COM SEU VIOLÃO, e eles recuam.

BOMBAS DE FUMAÇA explodem, lançadas pelos bandidos; a fumaça que sobe ofusca tudo.

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