Na tarde da última sexta-feira (22), o Clube do Remo divulgou suas demonstrações financeiras referentes ao ano de 2025, após notificação pelo atraso na publicação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), órgão ligado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O documento revelou que o clube encerrou o exercício com um passivo total de aproximadamente R$ 36,8 milhões, o menor entre todos os clubes da Série A de 2026.
Ao analisar o documento publicado pelo Leão Azul, comparando-o com o relatório “Finanças TOP 20 clubes brasileiros em 2025“, elaborado pela Sports Value, a dívida acumulada do clube paraense é inferior ao menor valor registrado no levantamento, que é o Athletico-PR, apontado como um dos menos endividados do estudo, possui R$ 83 milhões em dívidas.
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Apesar do número relativamente baixo no cenário nacional, o detalhamento do balanço mostra que a estrutura da dívida remista ainda é fortemente pressionada por tributos, acordos judiciais e despesas acumuladas do futebol profissional.
O maior problema financeiro do clube paraense está concentrado nas obrigações tributárias. Somando débitos fiscais imediatos, parcelamentos de curto prazo e parcelamentos de longo prazo, o Remo acumula cerca de R$ 16,7 milhões ligados a impostos e renegociações tributárias.
Desse total, aproximadamente R$ 12,2 milhões estão classificados no passivo não circulante, ou seja, em parcelamentos de longo prazo negociados junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Receita Federal.
Segundo o documento do clube, em 2025, ele aderiu a programas especiais de renegociação para alongar pagamentos e reduzir o impacto mensal das parcelas sobre o caixa. A auditoria independente destacou que essa estratégia foi essencial para garantir continuidade operacional e aliviar a pressão financeira imediata.
Além das dívidas fiscais, o clube ainda possui dívidas relevantes na Justiça e com obrigações trabalhistas. As obrigações trabalhistas e previdenciárias somam aproximadamente R$ 3,4 milhões, envolvendo salários, encargos sociais e tributos sobre folha. Essas estão classificadas como dívidas de curto prazo, para pagamento em até 12 meses.
Outro bloco importante aparece nos acordos judiciais e extrajudiciais. O Remo fechou 2025 com cerca de R$ 3,9 milhões em acordos parcelados ligados a ações cíveis e trabalhistas, sendo a maior parte concentrada no curto prazo.
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As contingências judiciais provisionadas (riscos de perdas ou ganhos financeiros decorrentes de processos judiciais em andamento) pelo clube chegam a aproximadamente R$ 2,1 milhões. Segundo as notas explicativas, houve redução relevante desse valor em relação ao exercício anterior devido à inclusão de processos em programas de negociação e revisão das provisões jurídicas.
O futebol profissional também aparece diretamente no tamanho da dívida azulina. O clube possui cerca de R$ 2,56 milhões em obrigações com fornecedores, grande parte relacionada a agenciamento, intermediação e operações envolvendo atletas.
Há ainda R$ 795 mil em direitos de imagem a pagar, além de R$ 2,37 milhões em empréstimos e financiamentos.
Déficit de R$ 14,9 milhões em 2025
Mesmo com o crescimento das receitas, o Remo encerrou 2025 com déficit de R$ 14,9 milhões. O resultado negativo ocorreu justamente no ano em que o clube atingiu receita recorde de R$ 82,9 milhões, mais que o dobro do registrado em 2024.
O principal motivo para o déficit foi o aumento acelerado dos custos do futebol. As despesas diretamente ligadas às atividades esportivas chegaram a R$ 41,8 milhões.
As maiores pressões vieram da folha salarial e dos direitos de imagem dos atletas. O clube gastou cerca de R$ 29,6 milhões com despesas de pessoal e outros R$ 18,3 milhões com direitos de imagem.
Também pesaram no resultado:
- R$ 13,3 milhões em despesas com jogos e competições;
- R$ 6,3 milhões ligados a contratações e direitos de atletas;
- R$ 6,4 milhões em serviços de terceiros;
- R$ 5,9 milhões em despesas judiciais.
Além disso, o Clube do Remo teve impacto financeiro de juros e operações de crédito. As despesas financeiras totalizaram R$ 2,85 milhões, parcialmente compensadas por R$ 1,71 milhão em receitas financeiras.
Na prática, o balanço mostra um Remo que arrecada mais do que em anos anteriores, mas que ainda transforma grande parte desse crescimento em custos elevados do futebol e despesas acumuladas do passado. O crescimento da arrecadação não se converteu em equilíbrio financeiro porque as despesas cresceram em ritmo ainda maior.







