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Remo pode perder R$ 12 milhões por ano com proibição das bets no Brasil

Remo está entre os 14 clubes da Série A que mantêm patrocínio máster de empresas ligadas ao mercado de apostas on-line e que eprderão receita com a proibiçãod e jogos online no Brasil.

O Clube do Remo pode perder uma receita estimada em R$ 12 milhões por ano com a proibição das casas de apostas on-line no Brasil. O clube paraense está entre as 14 equipes da Série A do Campeonato Brasileiro que mantêm patrocínio máster de empresas do setor e serão diretamente afetadas pela Medida Provisória anunciada pelo governo federal nesta sexta-feira (25). O acordo azulino está ligado à VaideBet e figura entre os menores contratos da elite nacional, mas representa uma fonte relevante para as finanças do clube. As informações são de O Globo.

A MP proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas e jogos on-line no país. As empresas ficam impedidas de receber novas apostas a partir da publicação da medida e terão um período de transição para encerrar as atividades. Sites e aplicativos deverão sair do ar em 6 de outubro.

Impacto direto no Remo

No caso do Leão Azul, o levantamento sobre os contratos dos clubes da Série A aponta que o patrocínio da VaideBet alcança R$ 12 milhões anuais. O montante coloca o Remo atrás de clubes com acordos muito maiores, mas a eventual interrupção do contrato exige a busca de uma nova fonte de receita para substituir o espaço mais valorizado da camisa.

O peso das apostas nas receitas azulinas já vinha crescendo. Em 2025, quando o Remo registrou R$ 82,9 milhões em receitas, aproximadamente R$ 3 milhões foram provenientes do patrocínio da Obabet, equivalente a cerca de 3,6% do total arrecadado naquele exercício. O contrato atual elevou significativamente o valor associado ao segmento.

Após o anúncio da MP, o Remo informou que acompanha os desdobramentos e entregou ao departamento jurídico a análise dos efeitos sobre os contratos. “O Clube do Remo acompanha atentamente as decisões sobre o assunto. Tudo que diz respeito aos contratos envolvendo o Remo, será conduzido por meio do departamento jurídico do Clube, com prazo dado pelo Governo Federal até o dia 5 de outubro”, informou a agremiação na sexta-feira.

Milhões ameaçados na Série A

O problema atinge a maior parte da elite nacional. Dos 20 participantes da Série A, 14 possuem empresas de apostas como patrocinadoras máster. Levantamento publicado neste sábado (26) calcula em aproximadamente R$ 910 milhões o conjunto dos contratos conhecidos, embora outros cálculos cheguem a valores diferentes conforme consideram parcelas variáveis, bônus e critérios dos acordos.

Entre os contratos de maior valor aparecem Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo. No levantamento mais recente, o Flamengo tem R$ 220 milhões fixos anuais; Corinthians, R$ 150 milhões; e Palmeiras, R$ 100 milhões, sem considerar bônus. O Remo aparece com R$ 12 milhões, à frente apenas de contratos menores ou cujos valores não foram divulgados em alguns levantamentos.

Dados baseados nos balanços de 2025 mostram outra dimensão da dependência do setor: os patrocínios das bets representaram 7,9% das receitas dos clubes da Série A e movimentaram R$ 1,14 bilhão naquele ano. As 20 equipes tiveram faturamento conjunto de R$ 14,9 bilhões.

Publicidade tem prazo para desaparecer

A MP estabelece que as marcas das casas de apostas deverão deixar uniformes e demais espaços publicitários até as 23h59 de 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, as plataformas autorizadas deverão retirar sites e aplicativos do ar. Os apostadores poderão sacar voluntariamente os saldos disponíveis até o fim do dia 5; valores não resgatados deverão ser devolvidos posteriormente por meio das instituições bancárias vinculadas às empresas.

A mudança ocorrerá justamente antes da retomada do Campeonato Brasileiro após a pausa da Data Fifa. O Remo tem compromisso contra o Grêmio em 7 de outubro, portanto já depois do prazo estabelecido para retirada das marcas das casas de apostas.

A Medida Provisória entra em vigor com sua publicação, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para ser convertida definitivamente em lei. A validade inicial é de 60 dias, prorrogável por igual período enquanto tramita no Legislativo.

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