A frustração pela permanência do Paysandu na Série C do Campeonato Brasileiro ganhou voz em um desabafo contundente do torcedor “Didi do Ver-o-Peso, que responsabilizou o presidente do clube, Márcio Tuma, pelo fracasso na disputa do acesso à Série B de 2027. Em vídeo divulgado após o empate por 1 a 1 com o Brusque, em Santa Catarina, no domingo (11), o torcedor criticou a postura da diretoria diante da interrupção da partida, iniciada no sábado (10), e retomada no dia seguinte, sem a presença de público.
Para Didi, faltaram firmeza e articulação política aos dirigentes bicolores para defender os interesses do clube. “Tu foi o verdadeiro culpado da gente não subir, porque só um gol, só um gol e esse gol a gente tinha, esse gol já tava certo, só era continuar, meu irmão!”, disparou o torcedor, em referência à decisão de aceitar a retomada do confronto no domingo.
O resultado encerrou a participação do Papão na competição e confirmou mais uma temporada na terceira divisão nacional. A eliminação provocou indignação entre torcedores, especialmente pelas circunstâncias da última partida e pelos resultados desperdiçados ao longo do quadrangular decisivo.
Críticas à gestão do clube
No início do vídeo, Didi aparece mais tranquilo, embora ainda demonstrando indignação. Antes das críticas, agradece a Nossa Senhora de Nazaré e reconhece aspectos positivos da administração financeira do Paysandu.
“Nós temos um presidente que, sem brincadeira nenhuma, até o respeito, que ele é um bom administrador, sem dúvida nenhuma”, afirmou.
O torcedor também elogiou os acordos relacionados às dívidas do clube, mas fez uma distinção entre a capacidade administrativa e a condução política de uma instituição esportiva.
“Tu é bom administrador, mas rapaz, tu é ruim como presidente de clube, cara! Presidente de clube tem que ser malandro, malandrão, mano!”, declarou.
Na avaliação de Didi, o presidente deveria ter adotado uma postura mais incisiva nos bastidores para impedir que a partida fosse retomada em condições que considerou desfavoráveis ao Paysandu.
Revolta com a retomada da partida
O principal alvo das críticas foi a decisão de dar continuidade ao confronto contra o Brusque no domingo, após a interrupção da partida no sábado.
O Paysandu havia aberto o placar com Ítalo e mantinha a vantagem quando o jogo foi suspenso por problemas relacionados à segurança na estrutura destinada à torcida visitante.
Na retomada, realizada com portões fechados, o Brusque chegou ao empate com Jeferson. O resultado acabou sendo insuficiente para o Papão conquistar o acesso.
Didi questionou a aceitação das condições estabelecidas para a continuidade da partida e afirmou que o clube deveria ter utilizado sua influência nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). “Não aceitava de maneira nenhuma jogo no outro dia, caramba! E com ou sem torcida, cacete!”, protestou.
O torcedor sustentou que a equipe estava em melhores condições para vencer no sábado, quando a partida foi interrompida.
“Era pra ti ter articulado, caramba, e o jogo ter continuado ontem, que ontem nós tivéssemos com todo o gás, a gente vencia tranquilamente!”, afirmou.
A avaliação de que o Paysandu venceria caso a partida tivesse prosseguido no sábado é uma interpretação pessoal de Didi, já que não é possível determinar qual seria o resultado em circunstâncias diferentes.
“Não botava o time em campo”
Ao intensificar as críticas, Didi afirmou que, se estivesse na direção do Paysandu, teria se recusado a disputar a sequência da partida sem torcedores.
“Eu não vou colocar o time de volta e muito menos sem torcida. É inadmissível o que vocês fizeram da diretoria aceitar o jogo desse time de lá”, declarou.
Ele chegou a defender uma reação extrema, com o retorno da delegação a Belém e uma eventual disputa jurídica para contestar as condições impostas à equipe.
“Ou então botava o time dentro do avião, trazia todo mundo pra cá e depois ia disputar no tapetão”, afirmou.
O torcedor considerou a postura da direção uma demonstração de falta de firmeza na defesa dos interesses do Paysandu. “Tu não tivesse queixo pra isso, aceitasse o que os caras colocaram na mesa?”, questionou.
Campanha marcada por tropeços decisivos
A eliminação diante do Brusque foi o capítulo final de uma campanha irregular do Paysandu na Série C de 2026. O time conseguiu avançar à segunda fase, mas acumulou resultados negativos que comprometeram suas chances de retornar à Série B.
Na primeira fase, o Papão terminou na sétima colocação, garantindo uma das oito vagas no quadrangular do acesso. A classificação, entretanto, não foi acompanhada de regularidade na etapa seguinte.
O Paysandu começou o quadrangular com derrotas para Brusque, por 2 a 1, em Belém, e Ferroviária, por 1 a 0, em Araraquara. Na sequência, empatou por 2 a 2 com a Inter de Limeira, na Curuzu, depois de sofrer um gol nos minutos finais.
A reação veio com a vitória por 1 a 0 sobre a Ferroviária, em 3 de outubro, resultado que manteve vivas as possibilidades matemáticas de classificação.
Na última rodada, o empate por 1 a 1 diante do Brusque encerrou definitivamente o sonho do acesso. O Paysandu terminou o quadrangular com cinco pontos em seis partidas, somando uma vitória, dois empates e três derrotas.
Ferroviária e Inter de Limeira conquistaram as vagas do grupo. Santa Cruz e Maringá completaram a relação dos quatro clubes promovidos à Série B de 2027.
Um gol virou símbolo da frustração
No desabafo, Didi repetiu várias vezes que o Paysandu ficou sem subir por apenas um gol, expressão que resume sua percepção sobre o desfecho da campanha. “Tô chateado, chateado pra caramba, porque nós não subimos por um gol, um gol, cara, um gol só!”, lamentou.
Embora o torcedor concentre sua revolta na última partida, o desempenho no quadrangular demonstra que a eliminação também foi consequência dos pontos perdidos nas rodadas anteriores.
As duas derrotas iniciais, o empate em casa com a Inter de Limeira e a dificuldade para transformar oportunidades em vitórias reduziram a margem de recuperação da equipe.
Rivalidade também apareceu no desabafo
Ao encerrar o vídeo, Didi direcionou sua frustração à rivalidade com o Clube do Remo, sem mencionar expressamente o nome do adversário. “Agora, o que nos resta, o que nos resta? É torcer pra que aquele time do lado de lá não ganhe nenhuma mais e continue na zona de rebaixamento e talvez assuma até a lanterna”, declarou.
O torcedor encerrou a gravação agradecendo ao público, mas deixou uma cobrança direta à diretoria bicolor: além da reorganização financeira, espera uma condução mais firme das decisões esportivas e dos interesses do clube nos bastidores.
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