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Paysandu faz balanço de 2026 e mantém projeto de reconstrução “sem atropelos”

O presidente do Paysandu, Márcio Tuma, fez uma retrospectiva dos primeiros meses de gestão na noite da última segunda-feira (19), na Curuzu. Ao lado dos vice-presidentes Ícaro Sereni e Diego Moura, o dirigente abordou conquistas esportivas, mudanças administrativas, investimentos estruturais e dificuldades financeiras, no primeiro pronunciamento após o não acesso à Série B.

Na abertura da coletiva, Tuma reconheceu que o ano teve momentos de alegria e frustração, especialmente pela proximidade do objetivo esportivo. “2026 foi um ano intenso. Foi um ano em que a gente se abraçou, sorrimos, demos grandes alegrias. Foi um ano também em que tivemos algumas tristezas. Ficamos a um gol do nosso principal objetivo do ano”, afirmou.

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Apesar do desfecho frustrante, o presidente defendeu que a avaliação da temporada precisa considerar as condições encontradas pela diretoria em dezembro de 2025 e as mudanças implementadas desde então.


📋 Da crise administrativa à tentativa de reconstrução

Tuma afirmou que assumiu o clube em um cenário de dificuldades financeiras e administrativas, além de insatisfação da torcida e obstáculos para contratar jogadores. Segundo ele, a resposta foi organizar a gestão a partir de decisões coletivas e de uma mudança na relação com as contas do Paysandu.

“Quando assumimos a gestão do Paysandu, em 22 de dezembro de 2025, havia um cenário de dificuldade financeira e administrativa, revolta da torcida e imagem do Paysandu prejudicada no mercado, com dificuldades de contratações”, declarou.

O dirigente disse que o trabalho foi desenvolvido gradualmente, com diálogo e transparência, para evitar que o clube repetisse problemas anteriores. “Soubemos ter resiliência, vivemos um dia de cada vez, fomos passo a passo construindo uma nova história dentro de um projeto coletivo”, explicou.

Na sequência, reforçou que a administração não deve depender exclusivamente de uma liderança individual. “O Paysandu não é um clube que será gerido, liderado por uma só pessoa. Sempre foi dentro de um projeto coletivo que nós fizemos uma construção de muita transparência com a torcida, de um diálogo importante”, afirmou.

Tuma também relacionou a reorganização administrativa à necessidade de mudar a cultura financeira do clube. “Passaríamos a respeitar as finanças do clube, tomar medidas que fossem sustentáveis e permitissem que o Paysandu se estruturasse para que pudesse realmente voltar, em algum momento, à elite do futebol brasileiro”, acrescentou.



🏆 Títulos e melhorias para a torcida

Ao apresentar os resultados da temporada, o presidente destacou as conquistas de três taças e afirmou que o trabalho da diretoria também alcançou áreas fora das quatro linhas. Entre os exemplos citados estão melhorias na Curuzu, como um espaço climatizado e novos blocos de banheiros.

“Conquistas tivemos dentro e fora de campo. Conquistamos três taças, e o que nos faz ser o maior campeão da Amazônia são justamente os títulos que o Paysandu conquistou ao longo da história”, declarou.



Tuma também destacou iniciativas voltadas à experiência dos torcedores, incluindo o programa “Me Ajuda que Eu Te Ajudo” e mudanças no sistema de acesso ao estádio. Segundo ele, a intenção foi reduzir transtornos na entrada e incentivar a chegada antecipada dos torcedores.

“Criamos o programa ‘Me Ajuda que Eu Te Ajudo’, que foi um sucesso, que foi abraçado pela torcida bicolor”, disse.

Sobre o acesso à Curuzu, o presidente afirmou que a gestão buscou resolver um problema antigo e tornar o procedimento mais organizado. “Tivemos a resolução histórica de um problema que não conseguia ser resolvido, de tumulto, de problemas de acesso, fazendo um mecanismo profissional dos ingressos, incentivando as pessoas a chegarem mais cedo ao estádio e a terem uma entrada tranquila”, explicou.



🏗️ CT e estrutura para o elenco

O centro de treinamento foi outro ponto importante da retrospectiva. Tuma informou que o terceiro campo estava praticamente pronto para receber o gramado, com previsão de utilização no primeiro trimestre de 2027. Já o quarto campo passa por um processo de terraplanagem.

“O campo três está praticamente pronto para ser semeado com a grama, para que possamos, no primeiro trimestre de 2027, já poder utilizá-lo e ter tranquilidade de ter a nossa categoria de base, de ter outras categorias além do profissional desfrutando do ambiente do centro de treinamento”, afirmou.



O dirigente ressaltou que as obras são realizadas com recursos do próprio clube e de colaboradores. Além dos campos, a diretoria trabalha para concluir uma estrutura administrativa que permitirá concentrar no CT atividades atualmente divididas entre o estádio e o centro de treinamento.

“Com a inauguração dessa estrutura administrativa, a gente vai poder fazer tudo lá. É um ganho de tempo, de qualidade de vida e, sem dúvida nenhuma, o Paysandu se tornará mais atrativo”, declarou.

Na avaliação de Tuma, a infraestrutura influencia diretamente a capacidade de contratar jogadores. Ele comparou os valores pedidos por atletas para atuar em mercados mais estruturados com as exigências para defender o Paysandu.

“Para jogar em São Paulo, cobram R$ 50 mil; para vir jogar no Paysandu, eles pedem R$ 100 mil. E por que isso acontece? Uma das questões mais fundamentais é a falta de estrutura”, argumentou.

O presidente também afirmou que o vestiário da Curuzu será modernizado para oferecer condições melhores aos profissionais. A proposta, segundo ele, é tornar o clube mais atrativo sem depender apenas de salários elevados para convencer jogadores a vestir a camisa bicolor.



🌱 Base e patrimônio como investimentos de longo prazo

A formação de atletas também foi destacada na prestação de contas da gestão. Tuma informou que o Paysandu mantém 45 bolsas mensais para jogadores das categorias sub-15, sub-17 e sub-20, além de investir em equipamentos de GPS para acompanhar o desempenho dos jovens.

“Há quanto tempo você, torcedor, escuta que haverá investimento na base, que é necessário ter investimento na base, mas isso não se concretiza? Neste ano, nós concretizamos esse investimento”, afirmou.



O presidente acrescentou que a promoção de jogadores ao elenco profissional continuará nos próximos anos, embora a quantidade de atletas integrados possa ser menor do que em 2026.

“Vamos sempre estar subindo nossos atletas para que eles tenham oportunidade no profissional. Talvez não no quantitativo que fizemos em 2026, provavelmente um quantitativo um pouco menor, mas com uma política constante de dar oportunidade para as pessoas”, explicou.

Outro ponto destacado foi a aquisição de um terreno na Travessa do Chaco, ao lado da Curuzu. Segundo Tuma, a área poderá abrigar um alojamento para a base ou ser incorporada a um projeto de ampliação do estádio.

“Fizemos esse investimento, um investimento que era sonho de 20 anos de todas as diretorias que passavam, porque a gente nunca poderia fazer uma Arena Curuzu, ter um estádio fechado, se a gente não tivesse adquirido um terreno que fica aqui colado no muro do Paysandu”, declarou.

O dirigente também relacionou os investimentos à possibilidade de gerar novas receitas. Nesse contexto, citou a venda do jogador Pedro Henrique, que classificou como a maior da história do clube, e afirmou que parte dos recursos contribuiu para a compra do terreno.



💰 Dívidas e planejamento financeiro

A retrospectiva também foi marcada pelos números apresentados sobre a situação financeira do Paysandu. Tuma informou que o clube desembolsou R$ 3.615.811,62 em débitos anteriores durante 2026, incluindo pagamentos realizados antes do deferimento da recuperação judicial e obrigações fiscais não abrangidas pelo processo.

“Temos um número aqui que talvez possa ter algum ajuste, mas é um número consistente. Nós pagamos este ano, mesmo com a recuperação judicial, R$ 3.615.811,62”, declarou.

O presidente afirmou ainda que a expectativa da diretoria é terminar o ano com arrecadação superior às despesas. Ele rebateu as críticas de que o clube teria deixado de contratar reforços para simplesmente guardar dinheiro em caixa.

“A gente vem recebendo uma crítica de que não contratamos mais, de que o Paysandu preferiu guardar dinheiro do que investir no acesso. Essa crítica não é honesta, ela não é verdadeira”, disse.

Segundo Tuma, as receitas não são distribuídas igualmente ao longo dos meses, e parte dos recursos recebidos precisa ser reservada para salários, rescisões e compromissos de períodos sem jogos.

“Todo o planejamento do Paysandu foi feito não para ficar com dinheiro em caixa, mas, sim, para conseguir pagar as contas necessárias, mesmo no período de inatividade, e começar o ano de 2027 com o valor para que possamos investir no time, no plantel”, explicou.



🔎 Acesso perdido e expectativa por resultados

Apesar dos avanços apresentados, Tuma reconheceu que o não acesso representou uma frustração para a diretoria. O dirigente afirmou que o desejo de conquistar a vaga era compartilhado por todos os envolvidos na gestão, mas defendeu que o clube precisa manter uma direção estratégica.

“Todos nós queríamos muito ter entregue o acesso. Vocês não imaginam o quanto doeu na nossa alma, na alma das nossas famílias, por tudo que foi depositado aqui de esforço, de trabalho e de vontade de vencer”, declarou.

Para sustentar a defesa de um projeto de longo prazo, o presidente citou a reorganização conduzida por Eduardo Bandeira de Mello no Flamengo. Segundo Tuma, o clube carioca atravessou um período de reestruturação antes de alcançar outro patamar esportivo e financeiro.

“Temos a inspiração e a convicção de que os resultados melhores virão a médio e longo prazo, e a gente precisa ter paciência para isso”, afirmou.

O dirigente também apontou a necessidade de romper com o histórico de acessos seguidos por campanhas de luta contra o rebaixamento. “Se a gente fizer um raio-X do Paysandu nos últimos anos, vai ver que o Paysandu sobe, briga na parte de baixo, quase nunca consegue brigar na parte de cima da tabela e depois cai de novo. Isso a gente tem que mudar. Muda investindo na base, investindo na estrutura, que é o que a gente está fazendo”, concluiu.

Além dos investimentos, Tuma informou que o clube realizou uma pesquisa de avaliação com atletas e integrantes da comissão técnica para identificar acertos, erros e prioridades para 2027. Os resultados, segundo ele, serão apresentados em outra oportunidade à imprensa.

O balanço da gestão combina, assim, títulos, obras e medidas de reorganização financeira com a frustração pelo acesso não conquistado. Para a próxima temporada, o desafio será transformar o projeto apresentado pela diretoria em resultados esportivos e aproximar o Paysandu do retorno à Série B.



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