A carreira do jogador Rossi parece ter chegado a uma encruzilhada que poucos imaginariam quando o atacante paraense disputava a Série A do Campeonato Brasileiro, Libertadores e vestia camisas tradicionais como as de Vasco, Bahia, Internacional e Chapecoense. Aos 33 anos, Rosicley Pereira da Silva, o “Búfalo”, deixa neste sábado (29) o longo período sem atuar oficialmente para uma estreia bem distante dos grandes palcos: vai defender o São Francisco no Campeonato Municipal de Monte Alegre, no oeste paraense.
A mudança de cenário é radical. Nascido em Prainha, no Baixo Amazonas, em 22 de abril de 1993, Rossi saiu cedo do Pará em busca do futebol profissional. Passou pelas categorias de base de Flamengo e Fluminense e iniciou a trajetória profissional na Ponte Preta. Depois vieram Mogi Mirim, Paraná, Operário-PR, São Bento, Goiás, Chapecoense, Shenzhen, da China, Internacional, Vasco, Bahia e Al-Faisaly, da Arábia Saudita. O currículo inclui quase 150 partidas pela Série A e experiências em Libertadores, Sul-Americana e Recopa.
O apelido “Búfalo” e a projeção no Vasco
O apelido que o acompanharia pelo país também nasceu das raízes paraenses. Rossi explicou que adotou “Búfalo” como referência à força do animal e como forma de carregar consigo uma identificação com o Pará. A imagem virou até marca de suas comemorações de gols.
Foi no Vasco que ganhou maior projeção nacional. Rossi chegou ao clube carioca em 2019 e rapidamente caiu nas graças da torcida pela velocidade, força física e entrega. Naquele ano, disputou 44 partidas e marcou quatro gols. Depois de passar pelo Bahia e pelo futebol saudita, voltou a São Januário em agosto de 2023. Somadas as duas passagens, os registros apontam mais de 70 jogos e cinco gols pelo Cruz-Maltino. Seu segundo ciclo terminou ao final de 2024, quando o contrato não foi renovado.
Títulos e o retorno ao Pará pelo Paysandu
No Bahia, entre 2020 e 2021, Rossi também viveu uma fase de conquistas. Foi campeão baiano em 2020 e levantou a Copa do Nordeste de 2021. Antes disso, havia conquistado o Campeonato Catarinense de 2017 pela Chapecoense. O currículo reforçava a condição de jogador experimentado quando resolveu, já aos 31 anos, voltar ao Pará.
O retorno ocorreu carregado de simbolismo. Em 6 de janeiro de 2025, o Paysandu oficializou Rossi como uma das principais contratações da temporada. Declaradamente bicolor desde a infância, ele dizia realizar o sonho de defender o clube do coração e recebeu a camisa 77. A estreia estava prevista para 19 de janeiro, contra o Capitão Poço, pelo Campeonato Paraense.
E o começo correspondeu ao tamanho da expectativa. Rossi terminou o Parazão como artilheiro bicolor, com seis gols, e marcou outros quatro na campanha do título da Copa Verde de 2025. Ao fim da temporada, mesmo convivendo com problemas físicos e perdendo espaço na reta final da Série B, terminou como artilheiro do Paysandu no ano, com 12 gols. No Brasileiro, porém, participou somente de 17 das 38 rodadas, 13 delas como titular.
Fim da passagem pelo Paysandu e tentativa frustrada no Amazonas
A última aparição registrada do atacante na Série B ocorreu em 8 de outubro de 2025, na derrota do Paysandu por 1 a 0 para o Botafogo-SP. Depois, deixou de ser utilizado durante a reta final da campanha que terminou com o rebaixamento bicolor.
O desfecho na Curuzu veio no início deste ano. Fora dos planos para 2026, Rossi teve a rescisão contratual publicada no BID da CBF em 29 de janeiro. Assim terminava, após pouco mais de um ano, a passagem que começara como realização de um sonho pessoal.
Desde então, Rossi não voltou a disputar uma partida oficial. Houve, porém, uma história que quase mudou esse roteiro. Em junho, o atacante apareceu em Manaus e passou a integrar os treinamentos do Amazonas, que pretendia utilizá-lo na Série C do Brasileiro. O problema era um transfer ban imposto pela Fifa, que impedia o clube de registrar novos jogadores.
Durante aproximadamente dois meses, Rossi treinou normalmente com o elenco amazonense e chegou a ser tratado como um dos reforços mais importantes para a reta final da Série C. Quando a Fifa finalmente retirou a última punição, em 24 de agosto, parecia que a estreia ocorreria. Não aconteceu. No dia seguinte, o Amazonas decidiu não regularizá-lo. Segundo a diretoria informou ao ge, o atacante enfrentava problemas familiares, deixou Manaus e não faria parte da sequência da temporada. Assim, apesar de ter treinado no clube, Rossi nunca chegou a vestir oficialmente a camisa da Onça-Pintada em uma partida.
O futuro incerto: do profissional ao municipal
Quatro dias depois daquela confirmação, a carreira toma agora outro caminho. Neste sábado (29), Rossi está previsto para entrar em campo pelo São Francisco, no Campeonato Municipal de Monte Alegre. Sai o ambiente da Série A, da Série B, dos grandes estádios e das competições nacionais; entram os gramados de uma competição municipal no interior do Estado onde nasceu.
O cenário inevitavelmente levanta uma pergunta: será o fim da linha no futebol profissional para o Búfalo? Não há anúncio de aposentadoria por parte do jogador e, aos 33 anos, Rossi ainda pode buscar um novo clube profissional. Mas a estreia em uma competição municipal, depois de quase 11 meses sem disputar um jogo oficial e de uma tentativa frustrada de retornar ao cenário nacional pelo Amazonas, representa a maior mudança de patamar de uma carreira que já passou pela elite brasileira e pelo exterior.
Para quem saiu de Prainha adolescente, conquistou títulos, jogou no Vasco, brilhou no Bahia, tornou-se campeão pela Chapecoense e voltou ao Pará como contratação de impacto e artilheiro do Paysandu, Monte Alegre passa a representar um capítulo tão inesperado quanto simbólico da trajetória do “Búfalo”. Se será apenas uma escala antes de um novo contrato profissional ou o começo da despedida dos grandes campeonatos, os próximos meses dirão.
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