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“Não tenho mais idade para tomar conta de marmanjo”: Mazola chega ao Paysandu e manda recados

Mazola Júnior retorna ao Paysandu mais experiente e terá como primeiro desafio conduzir o Papão na reta decisiva em busca do acesso à Série B. Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu

Mazola Júnior está de volta ao Paysandu. Doze anos depois de deixar a Curuzu e após conquistar um acesso à Série B pelo clube, o treinador retorna com uma missão imediata: conduzir o Papão de volta à Segunda Divisão. Ele substitui Júnior Rocha, demitido após duas derrotas nas duas primeiras rodadas do quadrangular decisivo da Série C.

Na apresentação nesta terça-feira (15), Mazola chegou com discurso firme e deixou claro que pretende impor rapidamente sua maneira de trabalhar. O primeiro desafio será contra o Inter de Limeira, no domingo, pela terceira rodada do quadrangular.

“É uma satisfação que durou 12 anos. Estou muito motivado, disposto. O Paysandu não me fez um convite, fez uma convocação. Vamos em busca desse objetivo, que começa pelo primeiro jogo contra o Inter.”

Mazola nega problema com dirigente

O treinador também tratou da sua saída anterior do Paysandu e negou qualquer problema pessoal com Alberto Maia, que era presidente do clube na época e atualmente ocupa o cargo de diretor de futebol.

“O que houve foi uma discordância sobre a renovação contratual. Mais nada. Está tudo certo. Não existe mais nada, como foi falado. Paysandu todo mundo junto. Que apaguem essa situação, que não existe. Não há nada pessoal entre mim e o Alberto Maia.”

“O tempo é uma fábrica de monstro”

Mazola também falou sobre as mudanças pessoais e profissionais desde sua primeira passagem pelo clube. Aos 61 anos, afirma que a experiência adquirida em outros grandes clubes modificou sua forma de trabalhar, embora a personalidade forte continue presente.

“O tempo é uma fábrica de monstro. Estou mais feio, mais velho. Aquela impulsividade não sumiu, mas o tempo vai te moldando para várias situações.”

O treinador admitiu que estava com saudade do ambiente de um clube de massa e da pressão existente no futebol paraense.

“Confesso que estava com saudade de viver esse ambiente de time grande, essa pressão, coletiva com sala cheia. Isso me motivou bastante.”

Mazola destacou ainda que chega ao Paysandu mais experiente do que em 2014.

“O Mazola de hoje é mais experiente, rodado. Trabalhei em vários grandes após Sport e Paysandu e tenho certeza de que terão menos assunto para falar de mim do que tiveram em 2014.”

Quatro semanas para mudar o Paysandu

Com pouco tempo até o fim da Série C, Mazola sabe que não terá espaço para grandes adaptações. Por isso, pretende implementar rapidamente sua filosofia de jogo e escolher os atletas que melhor se encaixarem nela.

“A gente tem que aprender a separar trabalho bom de resultado bom. Tive uma situação dessa no Ituano esse ano. Eu conheço o Júnior, pensamos futebol diferente.”

O treinador afirmou que não pretende fazer uma avaliação apenas pelos resultados do trabalho anterior.

“O que vou tentar fazer é impor meu pensamento de futebol o mais rápido possível. Quem melhor se adaptar a isso é quem vai participar dos jogos, como titular ou opção no banco.”

Mazola também reconheceu o trabalho de Júnior Rocha no clube.

“A diferença de pensar o jogo é grande e esperamos que o grupo se adapte o mais rápido possível e consiga o que faltou no trabalho do Júnior, que foram os resultados. Não vamos esquecer que ele sai do Paysandu tricampeão. Vamos tentar mudar a forma de jogar para que os resultados sejam diferentes.”

O contrato de Mazola será válido até o fim da Série C de 2026. Como o Paysandu terá eleição para a presidência ainda neste ano, uma eventual renovação ficará para depois da competição.

Castro é reintegrado

Uma das primeiras situações que Mazola terá de administrar é a reintegração do zagueiro Castro. O jogador havia sido afastado duas vezes e voltou ao elenco por decisão do presidente Márcio Tuma. Júnior Rocha não utilizou o defensor, situação que também pesou para a saída do treinador.

Mazola adotou um discurso duro ao falar sobre disciplina e comportamento dos jogadores.

“A partir do momento que o cara trabalha comigo, ele tem a regra do jogo no primeiro dia. E não mando recado para ninguém. A regra é passada no primeiro dia.”

Segundo o treinador, haverá situações em que será possível ponderar, mas comportamento profissional será inegociável.

“Tem algumas situações que você pondera, mas tem outras que não pode ponderar, para o bem do grupo. O extracampo, para mim, não interessa nada. A mim interessa o que acontece aqui dentro.”

Mazola afirmou que aceitará erros técnicos dos jogadores, mas não falta de profissionalismo.

“Aceito tudo do meu atleta: pegar frango, perder gol. Mas não aceito que não seja profissional.”

Em uma das declarações mais fortes da apresentação, o técnico afirmou que não pretende assumir o papel de responsável pela vida pessoal dos jogadores.

“Se ele quebrar tudo fora daqui e for o primeiro a chegar, treinar na intensidade que eu gosto e no jogo resolver nosso problema, o que ele fez aí fora deixo para a torcida e para a mulher tomarem conta.”

E completou:

“Não tenho mais idade para tomar conta de marmanjo. Sou profissional.”

Para Mazola, o comportamento diário nos treinamentos será determinante para definir quem terá espaço no time.

“Hoje em dia, leão de jogo não dá mais. Tem que ser leão no treino e no jogo. O cara tem que, todo dia, treinar no máximo.”

O treinador encerrou o recado sobre disciplina apontando a relação entre rotina fora de campo e rendimento profissional.

“Se ele não tem a vida regrada, não vai conseguir treinar todos os dias. O recado é dado.”

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