O cirurgião plástico André Melo, investigado pela morte da empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, não compareceu à Seccional do Comércio, em Belém, nesta quarta-feira (19), para prestar depoimento à Polícia Civil do Pará. Segundo o delegado responsável pelo caso, Diego Pinheiro, o médico deverá ser novamente intimado para ser ouvido no inquérito.
Giovanna morreu um dia após ser submetida a quatro procedimentos estéticos realizados em uma única cirurgia. O caso é investigado, inicialmente, como homicídio culposo. Além de André Melo, outro médico também é investigado pelas circunstâncias que antecederam a morte da empresária.
De acordo com o delegado, as diligências solicitadas pela Polícia Civil aos dois hospitais e aos médicos ainda estão dentro do prazo para entrega da documentação. Entre os materiais já recebidos está o prontuário médico da vítima, que será analisado pelos investigadores.
A reportagem do DOL entrou em contato com a defesa do cirurgião plástico André Melo para obter um posicionamento sobre o não comparecimento à delegacia e as acusações apresentadas pela família. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa e esclarecimentos sobre o caso.
Celular de Giovanna será periciado
A família de Giovanna entregou espontaneamente à Polícia Civil o celular da empresária para realização de perícia. A defesa afirma que mensagens trocadas entre a jovem e a secretária do cirurgião, Karol Cardoso, teriam sido apagadas.
Segundo o advogado Marco Pina, que representa os familiares, Giovanna mantinha contato com a secretária durante o período pós-operatório e utilizava o canal para relatar as dores e outros sintomas que apresentava.
A defesa afirma que parte das mensagens teria sido excluída e espera que a perícia consiga recuperar ou identificar o conteúdo das conversas. A reportagem tenta localizar Karol Cardoso ou a defesa dela para ouvir sua versão sobre as acusações.
A médica oftalmologista Ana Caroline Coelho, irmã da vítima, também questiona a forma como os pedidos de ajuda de Giovanna teriam sido respondidos. Segundo o relato da família, a empresária começou a sentir fortes dores durante a noite e buscou orientação por meio da clínica e da secretária.
De acordo com Ana Caroline, Giovanna teria recebido a informação de que os sintomas eram considerados normais no período pós-operatório e que o contato direto com o médico só seria disponibilizado posteriormente.
Prontuário médico foi entregue à polícia
O hospital entregou à Polícia Civil o prontuário médico de Giovanna. O documento será confrontado com os depoimentos, mensagens e demais elementos reunidos durante a investigação.
A família afirma ter identificado possíveis inconsistências nos horários e nos registros de assistência médica. As alegações ainda serão analisadas pelas autoridades e não comprovam, por si só, eventual irregularidade no atendimento.
A Polícia Civil também aguarda o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML), que poderá contribuir para esclarecer a causa da morte.
Segundo o delegado Diego Pinheiro, relatos publicados nas redes sociais por pessoas que afirmam ter passado por situações semelhantes também foram materializados no inquérito e poderão ser analisados.
Relembre o caso
Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, morreu após passar por abdominoplastia, lipoaspiração, colocação de prótese de mama e enxerto de gordura nos glúteos, realizados em um hospital de Belém.
A cirurgia ocorreu na sexta-feira (7). No dia seguinte, Giovanna sofreu três paradas cardíacas e morreu. O sepultamento ocorreu na segunda-feira (10).
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A família questiona a condução da cirurgia e o atendimento recebido pela empresária no período pós-operatório. Entre os nomes citados pelos familiares estão o cirurgião André Melo, a secretária Karol Cardoso e o anestesista Cesar Collyer. As acusações ainda são investigadas e não houve conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.
NOTA DA POLÍCIA CIVIL DO PARÁ
“A Polícia Civil informa que o médico foi devidamente intimado para prestar depoimento, mas não compareceu na data agendada. A defesa apresentou justificativa ao delegado responsável.
Diante da ausência, uma nova intimação foi expedida, com a remarcação de data para o depoimento. As investigações seguem em andamento.”
A Polícia Civil do Pará, por meio da Seccional do Comércio, investiga o caso. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) também informou que instauraria procedimento para apurar os fatos. O processo administrativo tramita sob sigilo.






