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Luciano Huck detona Bolsa Família e diz que Brasil precisa “furar bolhas”

O apresentador Luciano Huck gerou polêmica ao participou do Fórum Esfera neste sábado (23), realizado no Guarujá, litoral sul de São Paulo. Em um evento que reúne lideranças políticas e empresariais, suas declarações sobre o Bolsa Família dividiram opiniões e repercutiram ao longo do dia.

Durante sua fala, Huck criticou o modelo do programa de transferência de renda ao questionar se ele estimula, de fato, a saída das famílias da condição de vulnerabilidade. Ele afirmou que o Brasil enfrenta baixa mobilidade social e apontou o que considera falhas estruturais na geração de oportunidades.

“O Brasil é muito ineficiente em todas as frentes”, disse. Em outro trecho, o apresentador citou um município baiano e argumentou que haveria pouca motivação para famílias deixarem o programa social, sugerindo a necessidade de “novos estímulos” para a ascensão econômica.

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Huck também reforçou a ideia de que o local de nascimento ainda pesa fortemente nas chances de progresso social no país. “A gente precisa criar um estímulo”, afirmou ao defender mudanças no desenho das políticas públicas.

As falas, porém, contrastam com levantamentos recentes sobre o próprio Bolsa Família. Um estudo intitulado “Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa”, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que o benefício tem contribuído para a redução da pobreza ao longo dos anos.

De acordo com a pesquisa, cerca de 70% dos adolescentes que viviam em famílias beneficiárias em 2014 deixaram de depender do programa até 2025. No conjunto geral, mais de 60% dos beneficiários analisados saíram do sistema no período, com destaque para jovens que migraram para o mercado formal de trabalho ou deixaram o Cadastro Único após aumento de renda.

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O tema da desigualdade social também aparece em um contexto mais amplo de preocupação com o endividamento das famílias brasileiras. Dados da Confederação Nacional do Comércio indicam que mais de 80% dos lares estavam endividados em 2026, o maior nível desde 2010.

No mesmo debate em que fez as críticas, Huck também é frequentemente citado em discussões sobre o avanço do setor de apostas online no Brasil. Desde 2024, ele é apontado como garoto-propaganda da BetMGM, empresa de apostas esportivas ligada ao grupo americano MGM, com atuação em diferentes mercados internacionais e presença relevante no setor de entretenimento esportivo.

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Bets no Brasil

O crescimento das chamadas “bets” tem sido acompanhado por estudos econômicos recentes. Levantamentos do Banco Central indicam que o setor movimenta entre R$ 18 e R$ 21 bilhões por mês no Brasil, com milhões de brasileiros realizando transferências via Pix para plataformas de apostas ao longo de 2024. Entre eles, análises apontam a presença de usuários de baixa renda, cinco milhões eram beneficiários do Bolsa Família, que juntos enviaram R$ 3 bilhões ao setor, valor equivalente a 15% do benefício médio mensal por pessoa.

Esse cenário ocorre em um país que, segundo a Confederação Nacional do Comércio, registrou em 2026 o maior nível de endividamento das famílias desde 2010, com mais de 80% dos lares brasileiros comprometidos com dívidas. Especialistas apontam que o quadro é resultado de uma combinação de fatores econômicos, incluindo crédito facilitado, inflação acumulada e mudanças no padrão de consumo.

Ainda dentro desse universo, o nome de Huck também já apareceu ligado a movimentações no mercado de luxo associadas ao setor de apostas. O iate Bejoa, que pertenceu ao apresentador e à esposa Angélica, foi vendido posteriormente a um empresário do ramo de apostas esportivas, que atua em plataformas digitais do segmento.



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