O médico da Seleção Brasileira, Rodrigo Lasmar, confirmou nesta quinta-feira (28), que Neymar sofreu uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita após exames realizados na Granja Comary, em Teresópolis. O quadro foi definido após ressonância magnética e aponta ruptura parcial das fibras musculares.
“A atualização sobre o jogador Neymar, ele se apresentou ontem aqui na Granja, fez todos os exames médicos, os exames complementares e terminamos com uma ressonância magnética que identificou uma lesão muscular grau 2 na panturrilha, não apenas um edema. O atleta segue em tratamento e a nossa expectativa é que num prazo de 2 a 3 semanas ele esteja liberado”, disse Lasmar.
Na quarta-feira (27), Neymar não participou do treino da Seleção Brasileira e foi submetido a exames complementares. A avaliação confirmou um problema mais grave do que o inicialmente esperado, descartando a hipótese de simples inflamação ou edema.
Segundo o médico ortopedista e especialista em trauma do esporte, Eduardo Ramalho, a lesão de grau 2 ocorre quando há ruptura parcial das fibras musculares, o que caracteriza um quadro de gravidade moderada, com perda parcial de força e função.
“Não é apenas uma sobrecarga ou inflamação leve. Existe realmente um rompimento de parte da musculatura”, explica o especialista.
De acordo com a comissão médica da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o atacante deve ficar fora de atividade por cerca de duas a três semanas, com tratamento intensivo e acompanhamento diário.
Neymar fora de amistosos e em corrida contra o tempo
Com o prazo estimado, Neymar está fora dos amistosos contra Panamá, no Maracanã, no dia 31, e Egito, em Cleveland, nos Estados Unidos, no dia 6 de junho.
Caso a recuperação siga o cenário mais otimista, o atacante pode voltar dois dias antes da estreia da Seleção na competição. No entanto, se o prazo se estender, há risco de perda do primeiro jogo do Mundial.
O que é uma lesão muscular
Os músculos são formados por milhares de fibras que funcionam como “cabos elásticos”. Segundo o ortopedista Mário Lenza, do Einstein Hospital Israelita, essas fibras trabalham em conjunto para gerar força e movimento.
Em situações de alta exigência como arrancadas, mudanças de direção e explosão muscular, parte dessas fibras pode não suportar a carga e se romper.
“No esporte de alto rendimento, esse risco aumenta por causa da sequência de jogos, fadiga muscular e pouco tempo de recuperação”, explica o médico.
Graus e evolução da lesão
As lesões musculares são divididas em três níveis principais.
- Grau 1, estiramento leve, sem perda de função relevante.
- Grau 2, ruptura parcial das fibras musculares, com dor e perda parcial de força.
- Grau 3, ruptura completa do músculo ou separação do tendão.
Apesar de não ser o estágio mais grave, o grau 2 exige atenção especial, principalmente na panturrilha, região de alto esforço no futebol.
Entre os sintomas mais comuns estão dor, inchaço, hematomas, limitação de movimento, espasmos e fraqueza muscular.
Tratamento e risco de recidiva
O tratamento inicial foca no controle da dor e da inflamação, seguido de reabilitação progressiva com fisioterapia e fortalecimento muscular.
“Na panturrilha, existe um cuidado muito grande porque é uma região com alto índice de recidiva. O jogador pode melhorar da dor rapidamente, mas o músculo demora mais para suportar cargas explosivas”, alerta Eduardo Ramalho.
O tempo de recuperação pode variar entre quatro e oito semanas, dependendo da extensão da lesão. O retorno precoce é um dos principais riscos.
“O maior risco é a recidiva. Quando o músculo não está totalmente recuperado, ele fica vulnerável a uma nova ruptura, muitas vezes mais grave”, reforça o especialista.
Edema já indicava preocupação
Na semana anterior, o diagnóstico de edema já apontava alerta sobre a situação do atacante. O edema muscular é um inchaço causado pelo acúmulo de líquido, geralmente associado a trauma ou sobrecarga.
“Há um processo inflamatório dentro da musculatura, normalmente causado por esforço excessivo ou pequena lesão”, explica Ramalho.
A partir dos exames mais recentes, a lesão de grau 2 confirmou a evolução do quadro e aumentou a preocupação da Seleção Brasileira na reta final de preparação para a Copa do Mundo.
O post Lesão de grau 2: o que é o problema que pode tirar Neymar da estreia na Copa? apareceu primeiro em Diário do Pará.







