A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) iniciou, na segunda quinzena de outubro, a distribuição gratuita de hormônios para pessoas trans e travestis atendidas pelo Projeto Casulo, na Policlínica Metropolitana, em Belém. A medida busca ampliar o acesso ao tratamento hormonal e garantir maior continuidade da assistência especializada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre os medicamentos disponibilizados estão testosterona 250 mg/mL, estradiol em gel 0,6 mg/g e ciproterona 50 mg. A dispensação é realizada mediante prescrição médica, com acompanhamento especializado, orientações farmacêuticas e assistência multiprofissional.
O início da distribuição foi acompanhado por uma visita técnica com representantes da rede estadual de saúde, incluindo integrantes da Diretoria de Políticas de Atenção Integral à Saúde (DPAIS), do Departamento Estadual de Assistência Farmacêutica (DEAF) e da direção da Policlínica Metropolitana.
Tratamento hormonal gratuito
A coordenadora estadual das Políticas de Saúde LGBTQIA+, Daniele Melo Sardinha, destacou que a iniciativa representa um avanço na organização da assistência à população trans e travesti no Pará.
Segundo ela, a oferta dos medicamentos busca ampliar o acesso ao tratamento hormonal, associando a dispensação ao acompanhamento especializado, à orientação profissional e ao acolhimento individualizado.
Entre os beneficiados está Theo Eduardo, paciente do Projeto Casulo há quase um ano. Para ele, a distribuição gratuita representa uma conquista, principalmente para quem enfrenta dificuldades financeiras para manter o tratamento.
“Vai fazer um ano que eu sou paciente do Casulo. Acredito que seja uma conquista muito grande pelo fato de que tem muitos pacientes que não conseguem manter o acompanhamento, porque a testosterona é um hormônio muito caro”, relatou.
Theo também ressaltou que a iniciativa pode facilitar a continuidade do tratamento e o acesso a profissionais especializados em caso de complicações.
“Essa iniciativa facilita no ponto financeiro para manter o protocolo todos os meses, sem atrasos. E também porque, se houver alguma complicação, a gente vai ter profissionais especializados para nos dar toda a atenção. Foi um atendimento muito humano, com todo o carinho e seguindo todos os protocolos”, afirmou.
Como funciona o Projeto Casulo?
Criado em 2022, o Projeto Casulo organiza o atendimento especializado à população trans e travesti no Pará. O acesso ocorre preferencialmente pela Atenção Primária à Saúde dos municípios, com encaminhamento regulado para a Policlínica Metropolitana, em Belém.
Na unidade, os pacientes podem receber consultas médicas especializadas, acompanhamento multiprofissional, exames laboratoriais e de imagem, avaliações clínicas e monitoramento terapêutico.
Quando há indicação clínica, também podem ser encaminhados para procedimentos cirúrgicos no Hospital Jean Bitar, que integra a rede estadual de atenção relacionada ao Processo Transexualizador. Entre os procedimentos ofertados estão mastectomia masculinizadora, histerectomia e implantação de próteses mamárias, conforme a indicação clínica e a disponibilidade assistencial.
A diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde, Ana Paula Oliva Reis, ressaltou que a integração entre consultas, exames, assistência farmacêutica e atendimento hospitalar contribui para qualificar os serviços e ampliar o acesso ao cuidado integral pelo SUS.
Sespa fortalece política de saúde LGBTQIA+
Em março de 2026, a Sespa estruturou a Coordenação Estadual das Políticas de Saúde LGBTQIA+, vinculada à DPAIS. A área atua no planejamento e na articulação dos serviços, no apoio técnico aos municípios, na qualificação dos fluxos assistenciais e na capacitação dos profissionais de saúde.
Entre as iniciativas estão a atualização do fluxo de atendimento do Projeto Casulo, a elaboração de notas técnicas sobre cuidado integral e garantia do nome social e a realização de capacitações para trabalhadores da saúde.
Para o secretário estadual de Saúde Pública, Ivison Carvalho, a distribuição gratuita dos hormônios reforça o compromisso da rede pública com o atendimento integral e humanizado à população trans e travesti.
Com a iniciativa, a Sespa busca fortalecer a integração entre o acompanhamento ambulatorial, o acesso aos medicamentos e a assistência hospitalar, ampliando as condições para a continuidade do tratamento hormonal no Pará.





