A arte tem se consolidado como uma importante ferramenta de valorização cultural e fortalecimento da identidade das comunidades. Em diferentes regiões do país, projetos que unem expressão artística e participação popular vêm transformando espaços públicos em locais de encontro, memória e pertencimento, aproximando moradores de suas próprias histórias.
O artista visual e muralista Bino Sousa inicia uma nova jornada por cidades do Pará e do Maranhão por meio do projeto Linhas de Identidade. A iniciativa promoverá oficinas gratuitas de grafite, encontros com a comunidade e a produção de murais inspirados nas vivências, tradições e personagens que ajudam a construir a história de cada município. As inscrições já estão abertas e as atividades começam na próxima segunda-feira (8).
A proposta é transformar relatos e referências culturais locais em grandes obras de arte urbana produzidas de forma colaborativa. Entre as inspirações para os murais estão figuras que desempenham papéis importantes no cotidiano das cidades, como pescadores, agricultores, parteiras, mestres da cultura popular e outros moradores que contribuem para a construção da memória coletiva.
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A primeira parada do projeto será em São Pedro da Água Branca, no Maranhão. Na sequência, a programação passará por Miranda do Norte e seguirá para os municípios paraenses de Marabá e Parauapebas. Em todas as etapas, a população será convidada a participar tanto das atividades formativas quanto da construção dos painéis artísticos.
Natural de Santa Inês (MA) e residente em Marabá (PA), Bino Sousa possui uma trajetória de mais de 20 anos dedicada ao muralismo e às intervenções urbanas. Ao longo desse período, o artista transformou muros e espaços públicos em verdadeiras galerias a céu aberto, sempre dialogando com aspectos culturais e sociais das comunidades onde atua.
De acordo com Bino, o principal objetivo é criar obras que representem a identidade local a partir das narrativas dos próprios moradores.
“A ideia é conhecer a cidade pela voz das pessoas que vivem nela. Entender quem são os artistas, os professores, os fazedores de cultura e os jovens que podem construir isso junto com a gente”, destaca.
Além da criação dos murais, o projeto oferecerá oficinas gratuitas de grafite voltadas para artistas iniciantes, pintores e interessados em arte urbana. As atividades abordarão técnicas de pintura mural, composição visual e métodos criativos utilizados na produção contemporânea de grandes painéis.
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Outro foco da iniciativa é estimular e dar visibilidade a talentos que desenvolvem trabalhos artísticos fora dos grandes centros urbanos. Segundo o muralista, muitas cidades possuem uma cena cultural ativa, mas ainda enfrentam dificuldades para acessar oportunidades de capacitação e incentivo.
“Tem muitos talentos nesses lugares, pessoas que já desenham, pintam e criam, mas que às vezes nunca tiveram acesso a uma formação ou incentivo. A ideia é justamente encontrar esses artistas, fortalecer quem já produz nas cidades e construir os murais junto com eles”, afirma.
As oficinas serão realizadas antes da execução de cada mural, permitindo que os participantes contribuam diretamente para a concepção das obras. Os painéis serão desenvolvidos a partir das histórias, costumes e elementos culturais identificados durante a convivência com os moradores.
O projeto Linhas de Identidade conta com patrocínio master da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). A realização é da Pasquinia Cultural, com apoio do Ministério da Cultura e do Governo Federal.







