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Gaby Amarantos leva a força do “Rock Doido” para o Rio de Janeiro

A cantora paraense Gaby Amarantos subiu ao palco do Vivo Rio, no Aterro do Flamengo, e fez o que já virou marca registrada na sua carreira, a musa levou a energia do Pará para o centro da cena musical brasileira. Na noite de sábado (23), a estreia carioca da turnê “Rock Doido”, dentro do Queremos! Festival, transformou a casa de shows em uma grande pista conduzida pelo batidão amazônico.

Desde os primeiros minutos, o público reagiu ao impacto sonoro do projeto, que marca uma das fases mais ambiciosas da carreira da paraense. “É o maior em todos os aspectos, desde a dedicação pessoal aos investimentos e alcance. São mais de 300 pessoas envolvidas. É uma vitória colocar esse show no palco sendo artista independente”, afirmou Gaby.

O espetáculo é a extensão de um álbum que ampliou ainda mais a assinatura estética da cantora paraense. Lançado no ano passado, “Rock Doido” ganhou também um audiovisual de quase 25 minutos, gravado em plano-sequência e construído a partir de coreografias, pirotecnia e referências das tradicionais aparelhagens do Pará.

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“Sabíamos que estávamos fazendo algo revolucionário, mas não imaginávamos esse impacto todo”, disse a artista, natural de Belém. “Sou fruto da pirataria, da gambiarra, do ‘vamos fazer com o que temos’. E hoje isso tudo voltou como reconhecimento.”

O projeto rapidamente ultrapassou o circuito musical e ganhou dimensão de fenômeno. No streaming, o single “Foguinho” já passou de 11 milhões de reproduções, enquanto o vídeo “Rock Doido (o filme)” se aproxima de 2 milhões de visualizações. O trabalho também rendeu o APCA 2026 de melhor disco e o título de Brega do Ano no Prêmio Multishow.

A repercussão chegou também ao mercado de produtos ligados à artista. Camisetas da marca paraense Pink Boto, inspiradas no álbum, esgotam a cada reposição. Para Gaby, o momento representa uma virada simbólica. “Ver isso tudo ganhar forma, virar produto e ser abraçado assim é muito forte. É uma validação importante do nosso trabalho.”

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Enquanto cumpre agenda de shows pelo Brasil e se prepara para novas datas internacionais, a cantora vê o “Rock Doido” como uma vitrine da cultura amazônica para o mundo. “É um som global, mas com raiz. Sinto como uma música de exportação do nosso Pará.”

Mesmo com a projeção internacional, Gaby reforça que o projeto nasce profundamente ligado às referências do Norte. O disco mistura tecnobrega com influências do pop mundial, como Beyoncé e Michael Jackson, além de elementos de ritmos árabes e indianos, tudo reinterpretado sob sua estética amazônica.

“Pegamos essas referências todas e devolvemos com jambu, com rio, com Pará. Amazonizamos tudo antes de entregar”, explicou.

A trajetória da artista ajuda a explicar o tamanho do momento atual. Gaby ganhou projeção nacional com o álbum “Treme” (2012), impulsionado pelo hit “Xirley”, e desde então acumulou premiações como o Grammy Latino com “TecnoShow” (2023), além de participações em grandes eventos como o Global Citizen Amazônia.

No palco, toda essa bagagem se transforma em luzes, coreografias, pirotecnia e uma performance intensa que reflete a estética do tecnobrega paraense em sua forma mais expansiva.

VIDA PESSOAL

Aos 47 anos, a cantora também passou a rever hábitos ligados à saúde após um episódio durante um show, quando sentiu desconforto físico com um figurino mais pesado. “Ali percebi que precisava me cuidar melhor”, lembrou. Desde então, adotou rotina de exercícios e acompanhamento nutricional.

A mudança aconteceu no mesmo período do fim do casamento com o fotógrafo inglês Gareth Jones, em 2024. Gaby, porém, nega qualquer relação direta entre os dois fatos. “A separação foi uma decisão nossa. Continuamos amigos.”



Hoje, ela fala com naturalidade sobre a fase pessoal. “Eu tô solteira”, uma das mais populares do novo disco, “ninguém tá na geladeira”. “Larguei a mão do volante e estou deixando a vida seguir. Porém, tem sido muito bom aproveitar a paz trazida pela solitude”, reconhece, confidenciando como andam os “contatinhos”. “O que vier e me atrair é legal, mas não vou negar que os ‘novinhos’ estão entregando tudo. Quando são conscientes, têm o seu valor.”

Criada em uma família matriarcal no Pará, cercada por mulheres negras e ribeirinhas, Gaby diz que essa base segue guiando sua trajetória artística e pessoal.

“Aprendi desde cedo a entender quem eu sou, mesmo quando precisei me adaptar para outros espaços”, afirmou.

Mesmo com casas no Rio, São Paulo e Belém, a cantora mantém forte vínculo com o bairro do Jurunas, onde cresceu. É para lá que ela ainda retorna entre turnês e projetos internacionais. “Isso não muda. Eu continuo voltando para minhas raízes”, disse.


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