A popularização das corridas de rua e de outras modalidades esportivas está impulsionando um mercado que movimenta milhões de reais no Pará: a fotografia esportiva. Em 2026, as vendas de imagens de atletas durante competições e eventos chegaram a R$ 8,7 milhões no estado até o dia 4 de novembro, um crescimento de 61% em relação a todo o ano de 2025, quando o setor registrou R$ 5,4 milhões.
O avanço acompanha uma mudança no comportamento dos participantes de eventos esportivos, que passaram a valorizar cada vez mais os registros de suas experiências. Para muitos corredores, as fotografias representam mais do que lembranças de uma competição: são recordações de superação, conquistas pessoais e transformações de vida.
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É o caso do empreendedor Ramon dos Santos Borges, de 26 anos. Depois de chegar aos 168 quilos e iniciar uma mudança nos hábitos, ele encontrou na corrida de rua um novo desafio. As fotografias feitas durante as provas se tornaram parte dessa trajetória. Atualmente, não é incomum que ele compre várias imagens de uma mesma competição. Em um único evento, já chegou a adquirir dez fotografias.
Ramon começou a correr em outubro do ano passado, depois de iniciar uma rotina de atividades físicas na academia. O interesse pela modalidade surgiu após saber que a irmã viria de Castanhal para participar da Corrida do Marinheiro. Filho de um militar aposentado da Marinha, decidiu acompanhar a família na prova e acabou descobrindo uma nova paixão.
“Quando vamos participar de uma prova, procuramos estar na nossa melhor versão. Escolhemos a melhor camisa, o melhor short, o melhor tênis e chegamos cheios de alegria e motivação. Os fotógrafos conseguem registrar momentos incríveis, encontrar ângulos que deixam as fotos maravilhosas. Às vezes, a imagem fica tão boa que não conseguimos comprar apenas uma”, conta.
Para o corredor, os registros também funcionam como uma maneira de acompanhar a própria evolução e guardar momentos que marcaram sua trajetória.
“A gente se prepara para aquele momento, vai para a prova motivado e feliz. Quando as fotos ficam prontas e vemos aqueles registros, é muito difícil não comprar pelo menos uma”, afirma.
Fotografia esportiva cresce no Pará
A experiência de Ramon ajuda a explicar a expansão de um segmento que vem criando oportunidades de trabalho e renda no estado. Segundo dados da plataforma Fotto, desde sua chegada ao Pará, em 2024, o volume acumulado de vendas de fotografias esportivas alcançou R$ 14,8 milhões.
Naquele primeiro ano, foram comercializados aproximadamente R$ 694 mil em imagens. Em 2025, o valor chegou a R$ 5,4 milhões. Já em 2026, até 4 de novembro, as vendas atingiram R$ 8,7 milhões.
A atuação dos profissionais também se expandiu territorialmente. Atualmente, fotógrafos vinculados à plataforma estão presentes em 136 municípios paraenses. Somente em Belém, as vendas acumuladas chegam a R$ 4,8 milhões.
Corridas de rua impulsionam novos negócios
O crescimento do setor foi um dos assuntos do Workshop Fotto em Belém, realizado nesta semana. O encontro reuniu mais de 140 fotógrafos, além de líderes de equipes, organizadores de eventos e atletas, para compartilhar experiências e discutir oportunidades de atuação no mercado.
Para o CEO da Fotto, Marcelo Moscato, a expansão da fotografia esportiva está relacionada à popularização das competições e à diversificação das modalidades.
“A fotografia esportiva está vivendo o seu melhor momento. Não apenas nas corridas de rua e nos treinos, mas em diversos esportes, como Hyrox, torneios de beach tennis, tênis, futsal e futevôlei”, afirmou.
O executivo também destacou a importância da tecnologia para ampliar a capacidade de trabalho dos profissionais e agilizar a comercialização das imagens.
“Hoje o fotógrafo consegue escalar seu negócio participando de comunidades e usando uma plataforma moderna, com ferramentas que agilizam todo o fluxo de trabalho e colocam as fotos à venda o quanto antes”, explicou.
Entre as novidades lançadas pela empresa em 2026 estão recursos de upload em tempo real, integração com o Lightroom por meio de plugin e tecnologia de desfoque antiprint, desenvolvidos para facilitar o trabalho dos fotógrafos e reduzir o intervalo entre a captura e a disponibilização das imagens para compra.
Em todo o Brasil, a plataforma já ultrapassou R$ 190 milhões em pagamentos a fotógrafos.
“O que vimos em Belém mostra que esse mercado não depende só dos grandes centros. Existem fotógrafos, equipes e eventos de altíssimo nível no Norte do país, e o Pará é prova disso”, destacou Moscato.
Fotografia também ganha espaço em eventos culturais
O workshop também contou com a participação de Ronaldo Alves, fundador da Foto Runners, uma das principais equipes de fotografia esportiva de Belém. Durante o encontro, ele compartilhou estratégias utilizadas para fortalecer a atuação profissional no segmento paraense.
Segundo Ronaldo, a fotografia esportiva está passando por um processo de diversificação, com profissionais ampliando os serviços para além das competições.
“A fotografia esportiva vem se fortalecendo e se diversificando. Recentemente, começamos a atuar também na fotografia de shows e festivais, o que mostra que esse trabalho não está restrito ao esporte, mas também alcança eventos culturais e festivos”, afirmou.
Ele também ressaltou que os recursos tecnológicos utilizados pelas equipes permitem ampliar o alcance do serviço e oferecer imagens de qualidade a pessoas interessadas em eternizar momentos importantes.
O crescimento das vendas no Pará mostra que a fotografia esportiva deixou de ser apenas um serviço complementar às competições e passou a integrar a experiência dos participantes. Para corredores como Ramon, cada imagem representa uma conquista. Para os profissionais por trás das câmeras, representa também uma oportunidade de negócio em expansão.






