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Eliminação do Brasil na Copa traz à tona o ‘luto esportivo’; entenda

A eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo não representa apenas uma derrota dentro de campo. Para muitos torcedores, o resultado pode desencadear uma série de reações emocionais, como tristeza, frustração, desânimo e até sintomas semelhantes aos vivenciados em situações de perda. Embora essas emoções sejam naturais, é preciso ficar atento quando elas passam a comprometer a rotina e a qualidade de vida.

Em entrevista ao DOL, a psicóloga Milena Mendonça explica que a intensidade e, principalmente, a duração desses sentimentos são os principais fatores que ajudam a diferenciar uma reação considerada normal de um quadro que exige atenção profissional.

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“Uma das principais formas de diferenciar quando algo se torna mais patológico é observar o tempo e os impactos que isso gera na vida da pessoa. É esperado que, logo após a eliminação, o assunto ainda esteja presente nas conversas e desperte emoções. Mas, com o fim da Copa, essa mobilização tende a diminuir. Se o sofrimento permanecer por semanas ou meses e começar a afetar o trabalho, os estudos, o autocuidado ou outras áreas da vida, é importante procurar acompanhamento psicológico”, afirma.

O que é o chamado “luto esportivo”?

Segundo a especialista, muitas pessoas investem emocionalmente na campanha da Seleção Brasileira, criam expectativas de conquista e vivem intensamente cada partida. Quando o resultado esperado não acontece, o cérebro interpreta essa quebra de expectativa como uma perda significativa.

“É comum sentir tristeza, apatia, desânimo e perda do prazer em realizar atividades. Muitas pessoas chamam isso de ‘luto esportivo’, justamente porque existe um investimento emocional muito grande nessa expectativa de vitória”, explica.


Ela destaca que esse impacto pode ser ainda mais intenso entre crianças e adolescentes, que costumam criar forte identificação com os jogadores e enxergá-los como exemplos e inspirações.

Reação semelhante a outras perdas

De acordo com Milena Mendonça, a frustração causada pela eliminação da Seleção pode ativar mecanismos cerebrais semelhantes aos envolvidos em outros processos de perda.

“A perda afeta áreas do cérebro responsáveis pela sensação de prazer, conforto e recompensa. Quando a expectativa criada não é correspondida, surge uma sensação de frustração que pode ser comparada, em alguns aspectos, ao luto pela perda de alguém, respeitando, claro, as diferenças entre cada situação.”

A psicóloga ressalta que essa comparação não significa que perder um jogo tenha o mesmo peso da morte de um familiar, mas mostra como o cérebro responde quando uma expectativa emocional muito importante deixa de ser concretizada.

Quando a tristeza merece atenção?

Sentir-se decepcionado após uma eliminação esportiva é uma reação considerada saudável. O problema surge quando essa tristeza deixa de ser passageira.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • desânimo constante;
  • apatia;
  • perda de interesse por atividades antes prazerosas;
  • dificuldade para trabalhar ou estudar;
  • abandono do autocuidado;
  • isolamento social.

Se esses sintomas persistirem por várias semanas ou meses, o ideal é buscar ajuda de um profissional de saúde mental.

Por que o brasileiro sofre tanto com o futebol?

A relação emocional dos brasileiros com a Seleção vai muito além das quatro linhas. Segundo Milena, existe uma construção histórica, cultural e social que fortalece esse vínculo desde a infância.

“O futebol faz parte da identidade do brasileiro. Crescemos ouvindo que somos o país do futebol, celebrando títulos e acompanhando grandes jogadores. Além disso, durante a Copa, existe um sentimento coletivo muito forte. As pessoas torcem juntas, comemoram juntas e criam a sensação de que a Seleção representa o próprio país.”

Para a psicóloga, quando a equipe vence, muitos torcedores sentem como se a conquista também fosse deles. Da mesma forma, quando a Seleção é eliminada, a sensação é de que todos perderam juntos.

“Existe um investimento muito grande nessa ideia de coletividade. Quando a vitória não acontece, é como se nós, brasileiros, também perdêssemos uma conquista que já imaginávamos alcançar.”

Como lidar melhor com a frustração?

A recomendação da especialista é evitar que a eliminação se torne o único foco das emoções. Em vez disso, vale lembrar dos momentos positivos proporcionados pela competição.

“É importante valorizar as vitórias, os momentos de confraternização, as reuniões entre amigos e familiares e toda a experiência vivida durante a Copa. Também é saudável continuar acompanhando o restante da competição, escolher outras seleções para torcer e buscar novas experiências positivas.”

Segundo Milena Mendonça, o futebol deve continuar sendo uma fonte de lazer e convivência, sem que a paixão pelo esporte se transforme em um sofrimento prolongado.

“O objetivo é preservar aquilo que o esporte tem de melhor: unir pessoas, proporcionar alegria e criar boas lembranças. Quando a frustração começa a dominar a vida da pessoa, é hora de olhar para a própria saúde mental e, se necessário, buscar ajuda especializada.”

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