A experiência de interpretar uma mulher envolvida em uma relação abusiva levou Danielle Winits a falar publicamente sobre marcas de sua própria trajetória. A atriz afirmou já ter enfrentado diferentes formas de violência e disse que participar de uma produção sobre o tema tem contribuído para seu processo pessoal de recuperação.
A declaração foi feita durante a apresentação de “Eu Não Era Louca, Era Casada”, nova produção do Globoplay lançada nesta terça-feira (6). Na trama, Danielle Winits interpreta Regina, uma psiquiatra que acompanha Beatriz, personagem de Fernanda Rodrigues, cuja percepção da realidade é abalada pelas atitudes do próprio marido.
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Ao comentar o trabalho, a atriz defendeu que a ficção também precisa abordar situações de abuso que muitas vezes passam despercebidas. Para ela, levar essas experiências às telas pode ajudar o público a reconhecer comportamentos violentos e refletir sobre situações vividas no cotidiano.
A produção tem como um dos principais temas o gaslighting, prática de violência psicológica em que uma pessoa manipula a outra para fazê-la desconfiar das próprias lembranças, percepções e até da própria sanidade.
Na história, Beatriz é uma galerista bem-sucedida que começa a perder a confiança no que vê e no que lembra. O marido, Vítor, vivido por Ricardo Pereira, utiliza estratégias de manipulação para desestabilizá-la e avançar sobre o patrimônio da família.
Regina, personagem de Winits, entra nesse contexto como profissional responsável por acompanhar a protagonista. Inicialmente, a psiquiatra considera a possibilidade de Beatriz enfrentar problemas de saúde mental, mas as circunstâncias que cercam o caso ampliam as dúvidas sobre o que realmente está acontecendo.
A narrativa coloca em evidência uma dimensão da violência doméstica que não depende de agressões físicas para provocar danos. O controle emocional, o isolamento e a distorção dos fatos também podem comprometer a autonomia e a segurança de quem sofre o abuso.
Além do tema, a produção aposta em um formato diferente do folhetim tradicional. São 50 episódios curtos, com duração de aproximadamente dois a três minutos, desenvolvidos para a tela vertical dos celulares.
Winits destacou que esse modelo pode aproximar a discussão de pessoas que não conseguem acompanhar novelas convencionais. A proposta é permitir que o público tenha contato com a história em momentos comuns da rotina, como durante deslocamentos no transporte público.
A atriz também vê a participação no projeto como uma oportunidade de dar visibilidade a experiências que precisam ser discutidas para além do entretenimento. Ao retratar a violência psicológica, a produção procura estimular o reconhecimento de sinais de abuso e ampliar o debate sobre as relações marcadas por manipulação e controle.
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Os sete primeiros episódios estão disponíveis gratuitamente para quem não é assinante do Globoplay. A obra foi escrita por Ecila Pedroso e conta ainda com nomes como Bárbara Reis, Daniel Rocha e Ilvio Amaral no elenco.






