Após quase um quarto de século sem conquistar uma Copa do Mundo, a Seleção Brasileira chegou aos Estados Unidos, em 1994, cercada por cobranças e expectativas. O longo jejum desde o tricampeonato de 1970 havia transformado a busca pelo título em uma obsessão nacional. Para alcançar o objetivo, a comissão técnica liderada por Carlos Alberto Parreira e Mário Jorge Lobo Zagallo apostou em uma fórmula diferente daquela que marcou gerações anteriores: menos espetáculo e mais eficiência. A estratégia dividiu opiniões, mas acabaria colocando o Brasil novamente no topo do futebol mundial.
A preparação para o Mundial foi marcada pelo discurso de equilíbrio. Parreira defendia um sistema sólido defensivamente, sustentado por uma forte marcação no meio-campo e pela liberdade criativa necessária para abastecer uma dupla de ataque considerada decisiva. A prioridade não era encantar, mas vencer.
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A estreia aconteceu em 20 de junho, no Estádio Stanford, em São Francisco, diante da Rússia. O Brasil confirmou o favoritismo ao vencer por 2 a 0, com gols de Romário e Raí. Após a partida, Zagallo demonstrou confiança no projeto ao resumir a caminhada que ainda restava pela frente: “Faltam seis”. No segundo compromisso, contra Camarões, a Seleção mostrou ainda mais força. Diante de mais de 83 mil torcedores, venceu por 3 a 0, com gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto, encaminhando a classificação para a fase eliminatória.
O último desafio da primeira fase foi contra a Suécia, em Detroit. Organizados defensivamente, os suecos dificultaram a vida brasileira e chegaram a abrir o placar. Mas Romário, em um lance de pura habilidade, empatou a partida com um chute de bico de fora da área. O resultado garantiu a liderança do grupo e confirmou a invencibilidade da equipe. Nas oitavas de final, o adversário foi os Estados Unidos, anfitrião da Copa. Em um estádio lotado no Dia da Independência americana, os donos da casa adotaram uma postura defensiva e tentaram levar a decisão para os pênaltis.
As emoções do mata-mata
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O Brasil manteve a paciência até que, aos 27 minutos do segundo tempo, Romário encontrou Bebeto, que finalizou com categoria para marcar o gol da vitória por 1 a 0. O confronto seguinte colocou frente a frente duas das maiores escolas do futebol mundial. Contra a Holanda, em Dallas, o Brasil abriu vantagem de dois gols com Romário e Bebeto, mas permitiu a reação adversária e viu os europeus empatarem a partida. Quando o duelo caminhava para a prorrogação, Branco cobrou uma falta magistral e garantiu a vitória por 3 a 2, em um dos momentos mais emblemáticos daquela campanha.
Na semifinal, a Seleção reencontrou a Suécia. O equilíbrio marcou o confronto até os minutos finais, quando Jorginho cruzou da direita e Romário apareceu entre os zagueiros para marcar de cabeça. O gol da vitória por 1 a 0 colocou o Brasil em sua primeira final de Copa do Mundo desde 1970. A decisão reservou um velho conhecido. Assim como no Mundial de 1970, a Itália estava do outro lado do campo. Os italianos apostaram em uma postura cautelosa, enquanto o Brasil assumiu a iniciativa da partida e criou as melhores oportunidades. Apesar das 22 finalizações brasileiras, contra apenas seis dos europeus, o placar permaneceu zerado durante o tempo normal e a prorrogação.
Pela primeira vez na história das Copas do Mundo, o título seria decidido nos pênaltis.
A disputa começou com erro de Franco Baresi para a Itália. Márcio Santos também desperdiçou sua cobrança para o Brasil. Depois vieram os gols de Albertini e Romário, Evani e Branco. Quando Massaro teve sua cobrança defendida por Taffarel, a Seleção ficou a um passo da conquista. Dunga converteu e colocou o Brasil em vantagem. Restava a Roberto Baggio manter a Itália viva na decisão, mas o craque italiano chutou por cima do travessão.
A conquista do tetracampeonato coroou uma geração que enfrentou críticas durante todo o ciclo, mas soube responder dentro de campo com disciplina, eficiência e talento. O Brasil voltava ao lugar mais alto do futebol mundial e encerrava um dos períodos mais longos sem títulos de sua história.
Convocados do Brasil para a Copa do Mundo de 1994
- Goleiros: Gilmar Rinaldi, Taffarel e Zetti.
- Defensores: Aldair, Branco, Cafu, Jorginho, Leonardo, Márcio Santos, Ricardo Rocha e Ronaldão.
- Meio-campistas: Dunga, Mazinho, Mauro Silva, Paulo Sérgio, Raí e Zinho.
- Atacantes: Bebeto, Müller, Romário, Ronaldo e Viola.
- Técnico: Carlos Alberto Parreira.







