Junto com a Chapecoense-SC, o Clube do Remo foi quem teve que reformular totalmente o elenco desde o acesso para a disputa da Série A do Campeonato Brasileiro. O reflexo disso é que as duas equipes foram as que estiveram a maior parte do tempo nas duas últimas posições.
Após 18 rodadas, a Chape continua na lanterna, com 9 pontos, ao passo que o Leão Azul conseguiu alguns bons resultados nos últimos jogos, não o suficiente para sair da zona de rebaixamento, mas o suficiente para chegar à 18ª posição com o dobro de pontos da equipe catarinense. Por isso, essa parada para a disputa da Copa do Mundo pode ser muito benéfica aos dois times, que terão um tempo apropriado para a preparação para disputar o Brasileirão.
Leonel Picco e a busca por titularidade
Nesse sentido, um dos maiores beneficiados dentro do elenco azulino pode ser Leonel Picco, volante argentino que caiu nas graças do Fenômeno Azul mas ainda não conseguiu uma sequência como titular. O jogador tem bons números na competição, sendo o terceiro nas estatísticas de Interceptações com 2,9 Bolas por jogo, atrás de Thiago Maia (Internacional-RS), com 3,3, e Wallisson (Coritiba-PR), com 3,1.
Além do bom desempenho em campo, Picco, de 27 anos, é a contratação mais cara da história do Remo, que vai pagar parceladamente o valor de 1,8 milhão de dólares (R$ 9,4 milhões, na cotação atual). Ele assinou contrato até 2028. Ano passado, o volante fez parte do melhor momento da história do Platense-ARG, que estreou este ano na Copa Libertadores em 2026 graças ao título do Campeonato Argentino da temporada passada. Revelado no Arsenal de Sarandí, Picco também defendeu o Colón, clube que o emprestou para o Platense entre 2023 e 2024.
No meio de semana, Picco concedeu entrevista na qual falou sobre a busca pela vaga no time de cima e a paciência em esperar pela oportunidade, além da adaptação ao Remo e a relação com a torcida remista.
Adaptação e cobrança pessoal
“Nunca encarei isso como uma pressão ou de forma negativa. Desde o primeiro momento, tanto a torcida quanto meus companheiros me fizeram sentir muito à vontade. Foi por isso que consegui me sentir bem logo na estreia. Perdi espaço na equipe e isso acabou me afetando, não tanto pela cobrança das pessoas, mas por mim mesmo. Eu queria retribuir ao clube todo o esforço que fez para me contratar”.
Em busca da titularidade
“Treino para ser titular, porque esse é o objetivo de qualquer jogador. Mas o mais importante é que o Remo termine o ano na Série A. Independentemente do lugar que eu ocupar, quero estar preparado para ajudar (…) Graças ao carinho dos meus companheiros e de todas as pessoas do clube, consegui entender melhor a situação. Nos últimos jogos voltei a mostrar meu futebol e espero continuar retribuindo ao torcedor e ao clube por toda a confiança depositada em mim”.
Versatilidade em campo
“Eu, desde minha formação na Argentina, joguei muito tempo em mais de uma posição. Mas, eu gosto muito de jogar como primeiro volante. Eu acho que foi minha posição principal, de recuperar bolas, de desarmar, dessas coisas. Meus números são bons e isso é um algo muito importante, tanto pessoal quanto profissionalmente. Isso a motiva a continuar melhorando”.
Primeiro ou segundo volante
“Também me sinto confortável jogando como segundo volante. A verdade é que, com o Léo, eu comecei a jogar um pouco mais ali, chegando ao área. Eu acho que foi importante em vários gols, por isso. Eu tenho a liberdade de ir a pressionar, de ir para cima, de poder interceptar bolas altas. Eu também me sinto muito confortável e isso ajuda muito a equipe. Eu me sinto preparado para jogar nas duas posições”.
Preparação para o Brasileirão
“Essa parada foi muito boa. Estamos treinando muito forte, estamos seguindo, retomando e ajustando os detalhes que nos faltam para chegar da melhor maneira ao torneio para fazer uma melhor equipe. Temos que estar preparados para o que vier, que são seis meses muito importantes para a história do clube. Se pudermos deixar a Remo na primeira divisão, o clube terá grandes anos pela frente”.
Amistosos de preparação
“Se tiver, serão importantes, porque não é o mesmo treinar com os companheiros do dia a dia que jogar contra outras equipes. Acho que muda o ritmo, muda um monte de coisa, e é o mais próximo que temos a uma partida. Acho que isso é fundamental para poder ganhar ritmo para nos sentirmos bem e chegarmos melhor à partida contra o Corinthians-SP”.
Em busca da regularidade
“Eu acho que é bom continuar treinando, continuar fortalecendo-nos como grupo. Ao longo do tempo, a união do grupo é o que vai fazer com que a equipe possa cumprir os objetivos. Acho que nos últimos cinco ou seis partidas encontramos essa regularidade e resultados que precisamos para dar volta a essa situação e sair da área de descenso. Para isso, todos temos que remar na mesma direção, tanto a torcida como nós, como o corpo técnico, como os dirigentes, como todo o staff, temos que estar unidos”.
Desafio enorme
“Estamos em desvantagem contra outras equipes muito grandes, com muito mais estrutura. Então, temos que nos fazer fortes para poder igualar e seguir em frente. Eu acho que foi demonstrado que contra todos as equipes podemos competir, contra todos as equipes podemos jogar igual a igual e que podemos vencer qualquer um. Então, eu acho que é só seguir da mesma forma que terminamos”.
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