O Observatório para a Foz do Rio Amazonas ou em inglês Amazon River Mouth Observatory (ARMO) acaba de lançar um minidocumentário que retrata a Expedição Gurupi, uma jornada científica e de navegação realizada ao longo da costa nordeste do Pará. A produção apresenta os bastidores da missão, os desafios enfrentados pela equipe e a importância das pesquisas desenvolvidas em uma das regiões costeiras mais biodiversas da Amazônia. O lançamento oficial aconteceu na última segunda-feira (27), e já pode ser acessado no Instagram @redefozdoamazonas e no canal da rede no YouTube.
Segundo os organizadores, a expedição se destaca como uma abordagem pioneira no Brasil, aliando ciência, inovação e navegação sustentável em áreas de difícil acesso, evidenciando um trabalho produzido por meio de uma rede de pesquisa que integra conhecimento técnico e resistência física para ampliar a compreensão sobre a dinâmica da Foz do Amazonas.
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Além de registrar a beleza e os desafios da região, a produção audiovisual reforça o compromisso do Observatório com a divulgação científica e a valorização das pesquisas voltadas à conservação dos ecossistemas amazônicos.
A Expedição Gurupi deriva de um trabalho articulado em rede. Nela, o grupo formado por pesquisadores, cientistas e velejadores, teve como objetivo coletar amostras sobre a composição do solo (sedimentos), água e microrganismos ao longo da costa, em um percurso de cerca de 112 km.
Os desbravadores utilizaram uma embarcação tipo OC4 à vela, já operada em outras ocasiões (o grupo de velejadores UBATÃ já percorreu mais de 500 km na região, entre expedições de preparação e de pesquisa). Além disso, a adoção da canoa havaiana como plataforma para amostragem em projetos científicos é uma iniciativa pioneira no Brasil.
A equipe, comandada pelo oceanógrafo Nils Asp, professor da Universidade Federal do Pará e coordenador do Laboratório de Oceanografia e Clima, do Campus da UFPA, em Bragança, saiu de Viseu (PA) no dia 24 de maio de 2025, às 4h da manhã, e aportou no Porto do Campo, no município de Augusto Corrêa (PA), por volta das 18h, no dia 25.
Segundo Asp, o projeto se destaca por promover a navegação sustentável sem perturbar o ecossistema aquático da região, além de fortalecer a integração entre os participantes e o meio ambiente. Além disso, ele explica que todos os procedimentos são realizados com embasamento científico e com objetivos predeterminados. “Coletamos amostras dos principais sedimentos e também de água do rio, a fim de buscar compreender quais são as contribuições do rio Amazonas para a nossa zona costeira. É importante dizer que todo esse trabalho de coleta resulta do treinamento que fizemos antes com os participantes”, acentua.
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A expedição, coordenada pelo docente da UFPA, é organizada pelo grupo de expedição UBATÃ, com colaboração da escola Muiraquité, com remadores experientes e extremamente comprometidos não apenas com a prática esportiva, mas sobretudo com o desenvolvimento de pesquisas científicas na área da oceanografia e biologia.
A previsão inicial era de que os velejadores finalizassem o trajeto na praia de Ajuruteua, no litoral bragantino. “Quando começamos a contornar a Península de Apeú Salvador (Viseu-PA), o vento começou a ficar fraco e as ondas começaram a aumentar, dificultando muito a travessia”, relata o biólogo Davidson Sodré. No entanto, a expedição foi considerada um sucesso, devido às principais amostras terem sido coletadas nos pontos mais importantes previstos no cronograma. “Coletamos amostras em trechos da costa de difícil acesso para embarcações convencionais, por se tratarem de áreas extremamente rasas e com forte agitação das ondas”, enfatizou ele.
Além da formação acadêmica, Sodré é um canoísta experiente, combina sua paixão por expedições científicas com sua expertise em projetos na região amazônica. Também integraram a equipe na canoa: Leônidas Dahás, especialista em madeiras amazônicas, que utiliza a canoa havaiana para explorar os rios e superar desafios. Ubiratan Pinheiro, professor universitário, que traz sua experiência em expedições pelo nordeste paraense e seu entusiasmo pela navegação. E Denis Domingues, oceanógrafo e idealizador do “Projeto Trilhas Aquáticas dos Manguezais Amazônicos”, que vem se dedicando à gestão de ambientes costeiros e à preservação da biodiversidade local.
Segundo eles, foram horas de intensos esforços físicos, mas também de contemplação da natureza e contato com o modo de vida local: a equipe pernoitou em um rancho desocupado na praia da Ponta do Apeú, localizado a aproximadamente 6 km da vila de Apeú Salvador. Uma missão que ficou marcada, portanto, pela resistência e trabalho em equipe dos participantes, além de ter proporcionado uma verdadeira imersão no ecossistema e na cultura amazônica.
Vale ressaltar que toda a expedição foi monitorada por sistema de comunicação via satélite e devidamente acompanhada por terra por José Luiz Vieira Costa Neto, historiador, com mestrado em História Social da Amazônia pela UFPA e instrutor de canoa polinésia, no clube “Rio e Mar”, onde alia prática esportiva à educação ambiental. Além do próprio professor Dr. Nils Edvin Asp, na companhia de Ariane Maria Marques da Silva, mestra em Geologia e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica (UFPA), com estudos na School of Oceanography, na University of Washington.
A Expedição Gurupi é realizada com o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A divulgação da ciência é um dos eixos do projeto, que reconhece a Comunicação Pública da Ciência como uma estratégia fundamental para aproximar a produção científica da sociedade, ampliar o acesso ao conhecimento e fortalecer o diálogo entre pesquisadores e diferentes públicos. Neste sentido, o minidoc conta com a parceria do Movimento Ciência e Vozes da Amazônia (UFPA), da SNCT Pará e do CIECz (Ciência e Comunicação na Amazônia).






