Mercado Financeiro

Dólar Comercial R$ 5,22 ▲
Euro R$ 5,64 ▲
Bitcoin +3.2% ▲

Editorias

Caso Giovanna: médico depõe nesta quarta (19/08) na Polícia Civil

O cirurgião plástico André Melo será ouvido pela Polícia Civil do Pará nesta quarta-feira (19), às 15h, durante a investigação que apura as circunstâncias da morte da empresária Giovanna Coelho, de 29 anos. A jovem morreu no dia 8 de agosto, após ser submetida a quatro procedimentos de cirurgia plástica em um hospital particular da Grande Belém.

A informação foi confirmada pelo DOL. Além do médico, familiares de Giovanna e outras pessoas que acompanharam os últimos momentos da paciente também deverão prestar depoimento aos investigadores.

CONTEÚDOS RELACIONADOS

O caso é investigado pela Seccional do Comércio e foi inicialmente registrado com a classificação provisória de homicídio culposo. A apuração deverá analisar as circunstâncias da cirurgia, o atendimento prestado antes e depois dos procedimentos e a evolução do quadro clínico da paciente até a morte.

O DOL procurou a assessoria do cirurgião André Melo para obter um posicionamento sobre o caso, que encaminhou à reportagem o seguinte posicionamento: 

“Lamento profundamente o falecimento de Giovana Coelho e manifesto minha solidariedade aos seus familiares, amigos e a todos que enfrentam a dor de sua perda. Como médico, compreendo a sensibilidade de uma situação como esta e o impacto que ela provoca em todos os envolvidos.

Exerço a medicina há 25 anos, sendo 19 deles dedicados à cirurgia plástica. Sou membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e, ao longo da minha trajetória profissional, realizei aproximadamente 7 mil cirurgias, sempre pautando minha atuação pela ética, pela responsabilidade técnica e pelo cuidado com os pacientes.

As circunstâncias relacionadas ao falecimento ainda precisam ser devidamente esclarecidas a partir da análise técnica dos elementos do caso. Até o momento, não existem conclusões que permitam estabelecer publicamente as causas do óbito ou atribuir responsabilidades.

Estou integralmente à disposição dos órgãos competentes e apresentarei, sempre que solicitado, todas as informações e documentos necessários à correta compreensão dos fatos.

Por dever ético e respeito à paciente e à sua família, não posso tornar públicas informações clínicas, dados de prontuário ou detalhes relacionados ao atendimento. O sigilo médico deve ser preservado mesmo diante da repercussão do caso, e as informações pertinentes serão prestadas nos ambientes adequados às autoridades responsáveis pela apuração.

Reitero meus sentimentos aos familiares e amigos de Giovana e seguirei colaborando para que todas as circunstâncias sejam esclarecidas com seriedade, imparcialidade e rigor técnico.”

Prontuário é considerado peça-chave

O prontuário médico de Giovanna deverá ser encaminhado à Polícia Civil e é considerado pela defesa da família um dos principais documentos para esclarecer o caso.

O advogado Marco Pina afirmou que os registros são especialmente importantes para entender o que ocorreu no período entre a cirurgia e a morte da empresária.

“Finalmente teremos acesso ao prontuário médico, que é fundamental para o início dessa investigação, e também a questão das oitivas. O Dr. André Melo será ouvido às 15 horas, a Dra. Stephany, que é uma médica oncologista, amiga da família, e também o anestesista Dr. César Collyer, que será ouvido posteriormente no dia 24. Então, é uma fase fundamental e importante para início, para nortear a investigação.”

Segundo o advogado, o documento poderá ajudar a reconstruir principalmente os acontecimentos do pós-operatório.

“Uma peça-chave. É fundamental, principalmente no pós-cirurgia. O que foi que aconteceu no interior do hospital de sexta para sábado até o óbito da Giovana? Então, é fundamental, é crucial. Sem esse prontuário, a autoridade policial não vai ter um rumo, um norte dessa investigação.”

Jovem passou por quatro procedimentos

Giovanna foi submetida, segundo informações apresentadas pela defesa, a quatro procedimentos em uma única cirurgia: lipoaspiração, abdominoplastia, colocação de prótese mamária e enxerto nos glúteos.

O procedimento teria durado aproximadamente quatro horas. No dia seguinte, 8 de agosto, a empresária morreu por volta das 20h05.

A defesa afirma que a investigação deverá esclarecer, entre outros pontos, se foi adequado realizar os quatro procedimentos simultaneamente e se o tempo de cirurgia foi compatível com a complexidade das intervenções.

O advogado ressaltou que a família não pretende antecipar uma conclusão sobre a responsabilidade do cirurgião.

“Nós jamais iremos prejulgar a conduta do médico André Melo, até porque nós não somos delegados de polícia, que é quem tem obrigação de apurar as circunstâncias do ocorrido e ao final produzir um relatório e indiciar ou não o médico e demais pessoas que se envolveram na cirurgia e no pós-cirurgia da Giovana.”

Marco Pina explicou ainda que a investigação deverá apontar se houve alguma conduta que possa caracterizar crime.

“A capitulação provisória está como homicídio culposo. E para quem não entende o que significa isso, isso quer dizer que existem indícios preliminares de que pode ter havido negligência, imprudência ou imperícia, que são os três requisitos para que o homicídio culposo seja caracterizado.”

Anestesista e testemunhas também serão ouvidos

Além de André Melo, o anestesista César Collyer tem depoimento previsto para o dia 24. A médica Stephany, amiga da família de Giovanna e responsável pelo registro do boletim de ocorrência relacionado ao caso, também deverá prestar esclarecimentos.

A irmã da vítima está entre os familiares que devem ser ouvidos pela polícia.

Para a defesa, os depoimentos serão importantes para reconstruir a sequência de acontecimentos e esclarecer o atendimento recebido pela paciente antes da morte.

Outras pacientes procuraram a defesa

Após a repercussão do caso, segundo Marco Pina, outras mulheres que teriam sido atendidas pelo cirurgião procuraram a família e os advogados para relatar supostas complicações e problemas no período pós-operatório.

O advogado afirma que os relatos poderão ser apresentados à Polícia Civil, acompanhados de documentos e outros elementos de prova.

“Depois da divulgação do caso na mídia, quase uma dezena de pessoas, de mulheres, nos procuraram com relatos assim, realmente surpreendentes.”

Ainda segundo o defensor, algumas dessas mulheres teriam relatado sequelas permanentes.

“Mulheres que ficaram com sequelas permanentes, inclusive com perda das mamas, dos seios, e outras sequelas mais. E a maioria delas relatou esse abandono do médico no pós-cirúrgico, de não ter contato, de não ligar, de elas ficarem perdidas depois de uma cirurgia cara e que deixou sequelas.”

As alegações são apresentadas pela defesa e ainda precisam ser verificadas pelas autoridades. Os relatos de outras pacientes não representam, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade do médico.

Investigação vai definir eventual responsabilidade

Marco Pina também questionou se a realização de quatro procedimentos em uma única cirurgia foi adequada e se o tempo de duração do procedimento foi suficiente.

“Foi prudente, por parte do médico André Melo realizar quatro procedimentos em uma única cirurgia? Pois é. Será que não poderia ter sido realizado dois procedimentos em uma cirurgia e depois mais dois procedimentos em outra cirurgia? É uma das perguntas que a investigação vai esclarecer.”

O advogado também levantou questionamentos sobre a duração da intervenção.

“Foi pouco tempo para quatro procedimentos? Foi o adequado? Será que quatro cirurgias não iriam exigir mais tempo de cirurgia e não só quatro horas e meia?”

A Polícia Civil deverá analisar prontuários, laudos, depoimentos e demais provas antes de concluir o inquérito. A classificação de homicídio culposo é provisória e poderá ser mantida, alterada ou afastada conforme os elementos reunidos durante a investigação.

A defesa da família afirma ainda que, caso sejam encontradas evidências de que houve assunção do risco de provocar a morte, a investigação poderá avaliar outras possibilidades de enquadramento criminal.

Compartilhe:

WhatsApp
X
Facebook
Threads