O torcedor do Clube do Remo ainda começa a conhecer Thiago Carpini, mas o DOL conversou com jornalistas que acompanharam o treinador em outros clubes para entender o que o novo comandante pode oferecer ao Leão. Os relatos mostram um profissional com pontos fortes, mas também algumas características que já renderam críticas.
Entre os elogios, a capacidade de interpretar as partidas aparece com frequência. Anderson Mattos, jornalista que acompanha o futebol baiano, resumiu Carpini como um “bom estrategista” e destacou justamente a leitura de jogo como uma das principais qualidades do treinador.
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A passagem mais recente pelo Fortaleza também foi lembrada pelos profissionais ouvidos pelo DOL. Renato Manso, que acompanhou o trabalho no clube cearense, contou que Carpini precisou se adaptar a um cenário complicado e chegou a utilizar uma formação com três zagueiros, além de apostar em uma postura mais reativa.
“Gosta de ter um time mais propositivo, mas aqui precisou jogar com três zagueiros, um time mais reativo”, explicou Manso à reportagem. Segundo ele, apesar da mudança de característica, Carpini conseguiu lidar com o contexto e deixou o clube com uma campanha considerada positiva em termos de resultados.
Um dos jornalistas ouvidos pelo DOL, Brenno Rebouças, da TV Verdes Mares, no Ceará, também reconheceu esse aspecto. “Resultado ele entregou. Ele saiu daqui com uma porcentagem boa, time no G-6”, afirmou. Para ele, entretanto, a forma como o treinador enxergava o elenco acabou provocando desgaste.
O principal alvo das críticas era a insistência em um modelo de jogo baseado em transições. “Ele botou na cabeça que o elenco do Fortaleza só podia jogar em transição, em contra-ataque. Ele não fazia proposição de jogo”, relatou Rebouças. A avaliação era de que o elenco poderia apresentar um futebol mais ofensivo.
A teimosia foi outro ponto citado. De acordo com o jornalista, Carpini chegou a insistir que o Fortaleza precisava jogar com três zagueiros e também demorava para fazer mudanças durante as partidas. “Às vezes é teimoso, insiste em um jogador específico, demora pra mexer, mas resultado ele entrega”, resumiu.
A relação com a torcida também aparece como um dos pontos de atenção. Segundo Brenno Rebouças, Carpini teve dificuldade para lidar com as críticas durante a passagem pelo Fortaleza, especialmente pelo momento vivido pelo clube após o rebaixamento. Na avaliação do profissional, o treinador acabava entrando em confronto com os questionamentos das arquibancadas, o que aumentou o desgaste com os torcedores.
Fora do campo, as opiniões também apresentam ressalvas. Renato Manso definiu Carpini como um profissional educado e “cara do bem”, mas disse que ele pode passar uma imagem de alguém “meio marrento”. Outro jornalista ouvido pelo DOL, Ítalo Oliveira, foi mais direto ao apontar a “arrogância” e a relação com os jogadores como aspectos que exigem atenção.
Agora, todas essas características serão colocadas à prova em Belém. Carpini assume o Remo com 23 pontos e na 19ª posição da Série A do Campeonato Brasileiro, tendo 11 rodadas pela frente.
A estreia será contra o Santos, neste sábado (19/09), às 18h30, no Mangueirão, em um cenário no qual o próprio treinador já afirmou que pretende buscar coragem e equilíbrio para iniciar a reação azulina.





