O ex-jogador Carlos Alberto, com passagens por clubes como Fluminense, Botafogo e Vasco, fez duras críticas ao argentino Alejandro Mancuso, ex-volante acusado de intermediar a venda de licenças falsas de treinador de futebol. Segundo o ex-meia, ele próprio recebeu uma oferta do argentino em 2020, mas recusou a proposta.
“Na minha opinião, tem que ser preso. É mau-caráter”, afirmou Carlos Alberto, ao criticar o que considera uma tentativa de obter vantagens por meio de facilidades oferecidas a ex-jogadores interessados em ingressar na carreira de treinador.
Carlos Alberto contou que estava estagiando no Internacional, do Rio Grande do Sul, quando recebeu uma ligação de Mancuso. De acordo com o relato, o argentino se apresentou e tentou convencê-lo a aceitar o serviço, mas ouviu uma negativa.
“Ele me ligou, foi rápido. Falou comigo, me chamando de campeão do mundo. O muro que ele pulou, eu dei dez cambalhotas. Falei que não me interessava. O mal que eu não quero para mim, não quero indicar para ninguém”, declarou.
O ex-jogador também questionou a postura de quem teria aceitado a oferta e adquirido as licenças. Para ele, os profissionais precisam verificar a legalidade de qualquer serviço oferecido, especialmente quando envolve uma qualificação necessária para exercer uma atividade profissional.
“Os jogadores compraram facilidade. Jogador de futebol tem que aprender a averiguar sempre que é oferecida alguma coisa”, disse.
Carlos Alberto ainda defendeu que o reconhecimento de uma falha não elimina a responsabilidade pelo erro, mas pode revelar o caráter de quem assume o que fez.
“Quando a pessoa reconhece uma falha, isso não abona o erro, mas mostra seu caráter”, afirmou.
Ao comentar as possíveis consequências jurídicas do caso, o ex-atleta mencionou suspeitas de estelionato e a responsabilidade de quem teria comprado os documentos. As eventuais implicações criminais, no entanto, dependem da apuração dos fatos e do enquadramento pelas autoridades competentes.
“Se eu tiver estourado meus pontos na carteira, se oferecerem uma facilidade e você concordar, você é cúmplice dessa parada”, comparou.
O caso coloca sob suspeita a obtenção de licenças de treinador por ex-jogadores que buscam iniciar uma nova etapa no futebol após encerrarem suas carreiras nos gramados. A acusação contra Mancuso também levanta questionamentos sobre a fiscalização dos cursos e das certificações exigidas para atuar como técnico.
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