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Relembre a trajetória de Paulo Gracindo, pai do ator e diretor Gracindo Jr., que faleceu nesta quarta-feira (2)

Paulo Gracindo marcou a televisão brasileira como Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira em “O Bem-Amado”. Foto: Acervo/Globo

A morte do ator e diretor Gracindo Jr. nesta quarta-feira (2) reacendeu a memória sobre a trajetória de seu pai, Paulo Gracindo, um dos nomes consagrados da televisão brasileira. Ele marcou a teledramaturgia ao interpretar Odorico Paraguaçu, prefeito de Sucupira na novela “O Bem-Amado” (1973), de Dias Gomes, papel que o próprio Paulo Gracindo considerava o melhor de sua carreira.

Nascido em 16 de julho de 1911, no Rio de Janeiro, Gracindo começou no teatro amador e posteriormente integrou importantes companhias teatrais. No rádio, trabalhou como locutor, apresentador, radioator, produtor, compositor e comediante. Na televisão, participou de produções como “Gabriela”, “Roque Santeiro”, “Rainha da Sucata” e “Mulheres de Areia”. No cinema, atuou em mais de 20 filmes.

Do teatro amador ao rádio

Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo era filho do ex-senador Demócrito Gracindo, que morreu em 1928. Ainda criança, mudou-se com a família para Maceió, em Alagoas. Na cidade, formou-se em Direito e teve as primeiras experiências com o teatro amador, apesar da oposição do pai, que o proibia de atuar.

Depois da morte do pai, Gracindo mudou-se para o Rio de Janeiro aos 20 anos e adotou o nome artístico Paulo Gracindo. Na então Capital Federal, integrou companhias de teatro de nomes como Alda Garrido, Procópio Ferreira, Elza Gomes e Dulcina de Moraes.

A carreira avançou também pela Rádio Nacional. Durante a época áurea da emissora, apresentou programas musicais como “Noite de Estrelas” e “Programa Paulo Gracindo”. Além de locutor e apresentador, atuou como radioator, produtor, compositor e comediante. Um dos papéis de maior repercussão desse período foi Alberto Limonta, da clássica trama “O Direito de Nascer”.

Em 1953, integrou ainda a formação original de “Balança Mas Não Cai”, escrito por Max Nunes. Ao lado de Brandão Filho, alcançou sucesso com o quadro “Primo Pobre e Primo Rico”. Anos depois, o programa e o quadro ganharam novas versões na TV Rio e, posteriormente, na TV Globo, repetindo o êxito.

Paulo Gracindo também fez sucesso em “Balança, Mas Não Cai”, no qual interpretou o Primo Rico ao lado de Brandão Filho, o Primo Pobre. O quadro surgiu na Rádio Nacional e, anos depois, ganhou versões na televisão. Foto: Memória Globo

Paulo Gracindo chega à Globo

No fim dos anos 1960, Paulo Gracindo começou a trabalhar na Globo e esteve entre os atores das primeiras novelas da emissora. Em “A Rainha Louca” (1967), atuou ao lado do filho Gracindo Jr.. Depois, participou de “A Gata de Vison” (1968). As duas produções foram escritas pela cubana Glória Magadan.

A sequência de trabalhos incluiu “A Próxima Atração” (1970), de Walther Negrão, e “O Cafona” (1971), de Bráulio Pedroso. Seu primeiro personagem de destaque veio em “Bandeira 2” (1971), de Dias Gomes, na qual interpretou o bicheiro Tucão.

Em “Bandeira 2” (1971), de Dias Gomes, Paulo Gracindo interpretou o bicheiro Tucão, seu primeiro personagem de destaque na televisão. Foto: Acervo/Globo

Dois anos depois, Gracindo assumiu o papel que marcaria definitivamente sua trajetória. Em “O Bem-Amado”, também de Dias Gomes, interpretou o prefeito Odorico Paraguaçu. O trabalho lhe garantiu o prêmio de melhor ator da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Em 1976, recebeu ainda o Prêmio Televisa, concedido pela rede mexicana de televisão, pela atuação na novela.

A parceria entre Dias Gomes e Paulo Gracindo já existia antes de “O Bem-Amado”. Os dois haviam trabalhado juntos no teatro, na primeira montagem de “O Santo Inquérito”, e em teleteatros da TV Rio. Primeira novela produzida e exibida inteiramente em cores e um marco da televisão brasileira, “O Bem-Amado” também reuniu Lima Duarte, Emiliano Queiroz, Zilka Sallaberry e Gracindo Jr., entre outros nomes.

Lima Duarte e Paulo Gracindo em “O Bem-Amado” (1973), novela de Dias Gomes que consagrou Gracindo como o inesquecível prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu. Foto: Acervo/Globo

O sucesso de Odorico Paraguaçu

Entre os diferentes personagens que interpretou, Paulo Gracindo considerava Odorico Paraguaçu o melhor de sua carreira. O prefeito de Sucupira se tornou uma figura inesquecível da teledramaturgia brasileira e continuou associado ao ator mesmo após o fim da novela.

Em entrevista a O Globo, em 1993, Gracindo contou que a popularidade do personagem chegava às cidades que visitava. Durante e depois da novela, segundo o ator, prefeitos queriam tirar fotografias ao lado dele.

Paulo Gracindo eternizou o prefeito Odorico Paraguaçu em “O Bem-Amado” (1973), personagem que o próprio ator considerava o melhor de sua carreira. Foto: Reprodução/TV Globo

O retorno de “O Bem-Amado”

Depois do sucesso como Odorico, Paulo Gracindo interpretou o coronel Ramiro Bastos em “Gabriela” (1975), adaptação do romance de Jorge Amado realizada por Walter George Durst. A produção recebeu o Grande Prêmio concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).

Em 1976, pai e filho interpretaram o mesmo personagem em “O Casarão”, de Lauro César Muniz. Gracindo Jr. e Paulo Gracindo viveram o artista plástico João Maciel aos 20 e aos 50 anos, respectivamente. Antes do fim daquela década, o ator também participou de “Sinal de Alerta” (1978), de Dias Gomes, e “Pai Herói” (1979), de Janete Clair.

Paulo Gracindo e o filho, Gracindo Jr., dividiram a cena em diferentes produções da televisão, entre elas “O Casarão”. Foto: Reprodução/Globo

O sucesso de “O Bem-Amado” levou Odorico Paraguaçu novamente à televisão em 1980, quando a Globo produziu um seriado homônimo. Dias Gomes voltou a assinar o texto e Paulo Gracindo reassumiu o papel principal.

Ainda nos anos 1980, Gracindo comandou o programa de auditório “Oito ou Oitocentos?” ao lado de Silvia Falkenbourg. Também viveu o padre Hipólito em “Roque Santeiro”, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, atuou em “Hipertensão” (1986), de Ivani Ribeiro, e fez participação especial em “Mandala” (1987), de Dias Gomes.

Papéis marcantes nos anos 1990

Em 1990, Paulo Gracindo interpretou outro personagem que caiu no gosto popular. Em “Rainha da Sucata”, de Silvio de Abreu, viveu Betinho, marido da vilã Laurinha Figueroa, personagem de Glória Menezes.

Paulo Gracindo em “Rainha da Sucata” (1990), novela em que interpretou Betinho, marido da vilã Laurinha Figueroa, vivida por Glória Menezes. Foto: Reprodução/TV Globo

No mesmo ano, voltou a trabalhar com Gracindo Jr. em “Araponga”, de Dias Gomes, Ferreira Gullar e Lauro César Muniz. Os dois já haviam dividido trabalhos em produções como “A Rainha Louca” e “O Casarão”.

Nos anos seguintes, o ator integrou os elencos de “Vamp” (1991), de Antonio Calmon, e “Mulheres de Areia” (1993), de Ivani Ribeiro. Também fez uma participação especial em “Agosto” (1993), minissérie adaptada do romance de Rubem Fonseca por Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, na qual interpretou Emílio.

Paulo Gracindo no cinema

A trajetória de Paulo Gracindo não ficou restrita ao rádio, teatro e televisão. O ator trabalhou em mais de 20 filmes e participou de produções como “A Falecida” (1965), dirigida por Leon Hirszman, “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha, e “Cara a Cara” (1967), de Julio Bressane.

Paulo Gracindo integrou o elenco de “Terra em Transe” (1967), clássico dirigido por Glauber Rocha e uma das obras marcantes do Cinema Novo brasileiro. Foto: Reprodução

Paulo Gracindo morreu em 4 de setembro de 1995, no Rio de Janeiro, aos 84 anos, em decorrência de um câncer de próstata. O ator era casado com Dulce Xavier de Araújo Gracindo.

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