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Por que nem todo dorama termina com final feliz? E por que isso é tão normal na Coreia?

Por que os K-dramas fazem o público sofrer com finais tristes? A cultura explica

Se você já maratonou um dorama esperando o beijo final do casal e terminou chorando com um deles morto, separado ou sozinho, você não está só. É uma das marcas registradas dos K-dramas: o final nem sempre é feliz, e muitas vezes, o mocinho e a mocinha não ficam juntos.

E isso não é erro de roteiro. É cultural.

A cultura coreana e os finais dos doramas

1. Na Coreia, a história importa mais que o casal

Diferente das séries ocidentais, que se estendem por várias temporadas, a maioria dos K-dramas segue um formato de temporada única, com número fixo de episódios, geralmente entre 12 e 16. Isso significa que os roteiristas precisam amarrar a trama dentro desse tempo. 

Além disso, a indústria de entretenimento coreana valoriza histórias novas e evita extensões longas. Reunir o mesmo elenco para uma segunda temporada é um desafio enorme. O objetivo não é manter o casal junto para a próxima temporada, é contar uma história completa, com começo, meio e fim – mesmo que o fim doa. 

2. O conceito de “Han” – a beleza da tristeza

Para entender os finais tristes, é preciso entender o “Han”.

Han é um termo coreano que não possui tradução exata. É um conceito cultural complexo que representa uma mistura de tristeza, ressentimento, raiva e frustração acumulada ao longo do tempo.

Com raízes na história da Coreia, marcada por invasões, guerras e opressão, o Han é um elemento central na cultura coreana e está presente em várias formas de expressão artística, como a música, a literatura e o cinema. Muitas histórias coreanas são permeadas por esse sentimento.

Por isso, um final trágico não é visto como “estragado”, mas como profundo, poético e verdadeiro. É a vida como ela é.

3. Realismo e crítica social valem mais que o romance

Muitos doramas usam o romance para falar de algo maior.

Em “A Juventude de Maio”, por exemplo, o casal se apaixona em maio de 1980, justamente quando Gwangju lutava por democracia em meio à ditadura militar. Retratando a tragédia real da época, a protagonista acaba morta durante a Revolta de Gwangju, evento que abalou a história da Coreia do Sul. 

Separar o casal era a única forma honesta de honrar a história.

Essa diferença de expectativa é cultural: enquanto os fãs ocidentais costumam esperar finais felizes e otimistas, o público coreano muitas vezes vê um drama que aborda temas como morte ou sacrifício como profundo, mesmo que não seja satisfatório para quem deseja um final mais otimista. 

4. Final agridoce não é final ruim

Os fãs mais experientes já aprenderam a diferenciar:

Final ruim decepciona. Não faz sentido. […] Final agridoce é outra coisa completamente diferente. […] Você termina o drama com o coração partido mas grato pela história. […] O final agridoce faz sentido com tudo que foi construído. […] Mas sempre é honesto com a história que foi contada.

Goblin, Vinte e Cinco, Vinte e Um, The Trunk… são exemplos clássicos de dramas. O casal não fica junto, mas o final faz sentido com a jornada de cura, crescimento ou sacrifício que eles viveram. Como dizem os críticos: “Não é um final feliz, mas um final verdadeiro, e isso, no mundo de K-dramas intensos e viscerais, é mais raro e precioso”.

No fim, nos doramas, o amor nem sempre é sobre ficar juntos. Às vezes é sobre deixar ir, amadurecer ou aprender a viver com a saudade. E para a cultura coreana, isso é tão romântico quanto um “felizes para sempre”.

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