A escritora, socióloga e educadora infantil Olga Jatene estreia na literatura com “O Gatinho Barrigudo”, livro infantil que une afeto, aprendizado e valores importantes para o desenvolvimento emocional das crianças. Inspirada na relação da autora com o filho Mateus, a obra apresenta uma narrativa sobre insegurança, amizade e a importância de encontrar apoio nos momentos de dificuldade.
O livro acompanha Barrigudo, um gatinho de pelos dourados e olhos azuis que recebe um convite para o aniversário do amigo Mateus. Feliz com a oportunidade de participar da comemoração, ele passa a se preocupar por acreditar que não tem roupas adequadas para a ocasião. A partir desse conflito, o personagem inicia uma busca por ajuda entre os amigos e descobre que a verdadeira importância de uma festa está muito além da aparência.
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Com ilustrações de André Ximene, a publicação apresenta personagens que representam diferentes formas de lidar com as necessidades do outro. Salsicha, um gato elegante e magro, demonstra vontade de ajudar, mas explica que suas roupas não serviriam em Barrigudo. Já Trancinha, uma gatinha vaidosa, prefere não emprestar as peças. Segundo Olga Jatene, esses encontros foram construídos para mostrar às crianças que as dificuldades fazem parte da vida e que as pessoas podem reagir de maneiras diferentes diante delas.
“Os personagens foram pensados para mostrar as variáveis das dificuldades que se apresentam na vida da gente. Uma hora não é porque não queira ajudar, é porque não pode. Outra hora é porque a situação pode não ser tão importante para você. A outra hora você se sensibiliza, se coloca no lugar do outro e vai em busca de soluções”, explica a autora.
A solução para Barrigudo aparece quando ele conhece Pipoca, um gatinho generoso que decide compartilhar as roupas para ajudar o amigo a participar da festa. O gesto de emprestar uma camisa, uma calça, um chapéu e um par de sapatos se transforma no principal ensinamento da história: a solidariedade e a amizade podem mudar a forma como uma criança enfrenta seus desafios.
A autora compartilha que a relação com o filho Mateus foi o ponto de partida para a criação do livro. Olga conta que sempre utilizou histórias como ferramenta de educação e percebeu, ainda na infância do filho, o impacto que essas narrativas tinham no aprendizado. “Eu sempre eduquei contando histórias, eu acho que é uma forma leve de se pregar o que se quer, de se trabalhar emoções, tamanhos, cores. É um leque muito grande de oportunidades para se trabalhar”, conta.
Segundo a escritora, o processo de criação também nasceu da atenção às reações de Mateus durante os momentos de leitura. Quando começou a contar histórias para o filho, percebeu que ele lembrava detalhes das narrativas e até corrigia mudanças feitas de um dia para o outro. “Eu comecei a perceber que a percepção dele me fazia pensar mais do que eu estava dizendo. E comecei a anotar o que eu dizia para ele e ter muito mais cuidado ainda com o que eu contava”, relata.
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A experiência como socióloga e educadora infantil também influenciou a construção da obra. Para Olga, os valores apresentados no livro fazem parte de uma formação pessoal e familiar que ela carrega ao longo da vida. “Essas experiências me ajudaram muito. Eu venho de uma família que pregava muito esses valores e eu desenvolvi ao longo da minha vida tudo isso. E hoje eu só faço botar para fora aquilo que eu acredito”, diz.
Com linguagem simples, musical e voltada para leitores em fase de alfabetização, “O Gatinho Barrigudo” busca aproximar crianças e adultos de temas como autoestima, aceitação e empatia. Para Olga, a literatura infantil tem uma responsabilidade que vai além do entretenimento. “História de criança é coisa séria. Ela pode ser contada com leveza, mas ela tem que ter responsabilidade daquilo que ela está levando para a criança. Que ela possa levar uma mensagem positiva, uma mensagem de autoestima, uma mensagem de conhecimento, tudo de forma leve e lúdica”, conclui.






