A história de Netinho com o Carnaval de Salvador começou em 1986, quando ele ainda era apenas um folião atrás do trio elétrico do Bloco Beijo, comandado por Luiz Caldas e pela Banda Acordes Verdes. A experiência despertou uma paixão que mudaria sua vida. Um ano depois, ao descobrir que o bloco procurava um novo cantor, fez um teste e foi aprovado para integrar a Banda Beijo.
Em 1988, estreou no circuito oficial do Carnaval de Salvador e gravou o primeiro disco com o grupo, Prove Beijo. A música “Beijo na Boca” virou sucesso nacional e abriu caminho para a expansão da axé music pelo Brasil. No ano seguinte, a Banda Beijo se apresentou no Domingão do Faustão, da TV Globo, ampliando ainda mais a popularidade de Netinho.
A carreira ganhou dimensão internacional em 1990, quando o cantor e a banda levaram um trio elétrico à Itália durante a Copa do Mundo. De volta ao Brasil, Netinho seguiu acumulando sucessos com a Banda Beijo, entre eles “Eu Quero Beijo” e, mais tarde, as músicas do álbum Aconteceu Axé Music, lançado em 1992. O disco rendeu seu primeiro Disco de Ouro e levou “A Vida é Festa” à trilha sonora da novela Mulheres de Areia.
Em 1993, Netinho iniciou a carreira solo com o álbum Um Beijo pra Você. O trabalho apresentou sucessos como “Capricho dos Deuses”, “Total” e “Menina”, consolidando seu nome entre os principais artistas da axé music. No ano seguinte, lançou Nada Vai nos Separar, que ampliou sua sequência de bons resultados comerciais.
O auge com “Milla” e reconhecimento internacional
O auge veio em 1996, com o álbum Netinho ao Vivo!, gravado em Aracaju. O trabalho trouxe “Milla”, canção que se transformou em um dos maiores sucessos de sua carreira, ganhou versões em mais de oito idiomas e passou a ser cantada por multidões em todo o país. Segundo a biografia do artista, o disco vendeu mais de 3 milhões de cópias. Naquele período, Netinho chegou a realizar 29 shows por mês.
O sucesso também ultrapassou as fronteiras brasileiras. Em 1997, o cantor foi citado pelo jornal The New York Times em uma reportagem sobre sua música e a venda de discos no Brasil. No ano seguinte, depois de uma turnê por Portugal, recebeu certificação de tripla platina pela vendagem de Netinho ao Vivo! no país.
Afastamento do Carnaval e problemas de saúde
A relação com o Carnaval, porém, passou por mudanças. Em 2003, Netinho anunciou que se afastaria temporariamente da festa, no último dia da folia em Salvador. Voltou ao Carnaval em 2007 e continuou se apresentando em trios elétricos e micaretas nos anos seguintes. Em 2013, decidiu não participar da festa e, depois de enfrentar graves problemas de saúde, tomou em 2016 a decisão de não voltar a cantar no Carnaval de Salvador.
Naquele mesmo ano, a carreira foi interrompida por uma longa batalha pela recuperação. Em 2013, Netinho havia passado seis meses internado, após sofrer três acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e ser submetido a três cirurgias no cérebro em apenas sete dias. O período deixou sequelas e exigiu anos de reabilitação, com tratamentos para recuperar movimentos, voz, memória e equilíbrio.
Retorno aos palcos e diagnóstico de linfoma
Aos poucos, o cantor retomou as apresentações. Em 2006, havia marcado seu retorno aos palcos com o DVD Netinho Por Inteiro, gravado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, com participações de Ivete Sangalo e do grupo Ilê Aiyê. Em 2017, voltou a fazer shows de forma gradual, respeitando os limites físicos. Em 2023, apresentou o espetáculo Ressurreição, que revisitou diferentes fases da carreira.
Em fevereiro de 2025, Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin do tipo B, descrito como agressivo. Cancelou os compromissos do Carnaval e iniciou o tratamento com quimioterapia. Após a quarta sessão, exames não identificaram sinais de câncer, mas o cantor seguiu a recomendação médica e concluiu o tratamento. Em outubro daquele ano, voltou aos palcos, em uma apresentação em Coronel Fabriciano, Minas Gerais.
Netinho morreu aos 60 anos, deixando uma trajetória marcada por sucessos populares, recordes de vendas, apresentações no Brasil e no exterior e uma participação importante na história da axé music. De “Beijo na Boca” a “Milla”, sua voz acompanhou diferentes gerações e se tornou parte da memória musical do Carnaval brasileiro.
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